segunda-feira, 2 de março de 2015

Vencendo o Lado negro da Liderança




Embora não seja fácil vencer a batalha com o lado sombrio de nossa vida, espera-se que o líder seja capaz de vencer suas sombras e mitigar sua influência negativa em potencial.

Abraão Lincoln é um bom exemplo disto.
Sua mãe morreu quando ele tinha 9 anos de idade. Em seguida, seu pai se casou com outra mulher que tinha três filhos, obrigando-os a dividir uma casa diminuta. Sua irmã, Sarah, que passou a cuidar dele morreu aos 19. Seu pai não possuía educação formal e a intimidade dos dois se tornou extremamente difícil. Quando seu pai adoeceu, ele não quis visitá-lo, e também não foi ao seu funeral. Por não ser uma criança atraente, sofria com a crítica dos colegas.

Quando assumiu a presidência dos EUA, o país estava passando pelo seu pior momento da história. Grupos rivais competindo e a guerra civil presente. A forma que ele encontrou para encobrir seu lado obscuro foi contar estórias engraçadas e participar de teatro. Seu desejo de obter vitórias e alcançar sucesso desembocou em várias tentativas para conquistar uma posição pública. Sua baixa auto estima aliada aos sentimentos de inferioridade tornaram-se fatores que o impulsionaram a se tornar influente e a ser bem sucedido. Lincoln percebia isto e lutava com suas sombras. Ele implementou uma estratégia de administração pessoal que o levou a obter vitórias onde outros costumeiramente fracassavam. Quando se sentia ameaçado, especialmente naquelas áreas relacionadas à sua história infantil, ele não respondia impulsivamente aos seus críticos. Também nunca demonstrava ira publicamente. Era conhecido pelos seus comentários agudos e anedotas inteligentes. Isto ganhou o coração de seus liderados.

Lincoln fazia todo esforço para evitar conflitos. Isto não era resultante de co-dependência, nem uma atitude de negação. Evitava responder àqueles problemas que não eram cruciais.

Será que realmente precisamos controlar o lado negro?

Na verdade, nunca poderemos fazer desaparecer totalmente as áreas obscuras, assim como a nuvem pode encobrir o sol por momentos e retornar a seguir. Muitos líderes só resolvem lidar com estas áreas, quando não há outra alternativa a não ser enfrentá-las de forma direta, no entanto, “Eventos do passado, não apenas nos governam, mas nos inibem e nos faz tolos”. O lado negro tem destruído muitas pessoas, lares e líderes.

Uma vez que vemos exemplos de muitas pessoas famosas, é provável que pensemos que como não controlamos grande volume de dinheiro, nem lideramos muitas pessoas, não temos que nos preocupar com isto, mas este pressuposto é falso. Na verdade é um sinal de que o lado obscuro está vivo e ativo. Cada sombra tem sua particularidade e efeitos distintos.

Os perigos do lado obscuro

Líderes compulsivos

*       Podem se tornar-se rígidos e transformar sua organização numa estrutura inflexível, perdendo a criatividade necessária para enfrentar obstáculos e desafios.
*       Podem se tornar pessoas com forte necessidade de auto justificação, criando um ambiente legalista que aliena as pessoas sob sua liderança.
*       Podem se transformar em pessoas viciadas em trabalho. Tendem ao esgotamento que pode demorar anos para ser curado.
*       A luta por controlar outros pode levar os liderados à rebelião ou alienação.

Líderes narcisistas
*       Podem explorar outros para satisfazer sua própria vaidade.
*       Podem levar pessoas à exaustão para satisfazer projetos megalomaníacos.
*       Constroem projetos que a instituição não precisa, nem pode pagar.
*       Podem levar pessoas a atitudes eticamente pecaminosas e a busca de resultados que podem ser destrutivos para a alma.

Líderes paranóicos.
*       Vivem em constante estado de negação
*       Geram desconfiança e perdem a credibilidade dos liderados
*       Têm dificuldade para lidar com o verdadeiro evangelho, que demonstra vulnerabilidade, confissão e permite arrependimento.

Líderes co-dependentes

*       Destroem a si mesmos e a instituição quando tentam em vão manter todos bem e felizes ignorando necessidades pessoais e familiares.
*       Não raramente sofrem de esgotamento espiritual, crises familiares, divórcio, adultérios e doenças.
*       Co-dependência é de longe o modelo mais presente nas instituições.

Líderes passivo-agressivos

*       São vítimas de si mesmos, tendo que conviver com a vergonha de sua ira descontrolada e falta de domínio próprio.
*       São incapazes de manter ministérios longos por causa da atitude explosiva.
*       Não conseguem entender porque não são amados ou não o querem por perto.

Lidando com o lado obscuro

O lado negro, nem sempre é negativo. Por isto é importante resgatar nossa natureza para colocá-la não a serviço de nós mesmos, mas de Deus. Deus deseja que descubramos o que nos motiva, e quais medos e ansiedades nos tem acompanhado. Precisamos entender que não interessa quanto de conquista venhamos a ter, não conseguiremos cobrir o buraco de nossa alma insatisfeita. O líder narcisista precisa aprender que não interessa quanto reconhecimento venha a ter, sempre verá que não é possível encontrar contentamento à parte de Deus. O paranóico precisa aprender que a vitória do outro, poderá ser compartilhar em sua vida. Os co-dependentes precisam entender que não são responsáveis pela atitude e resposta dos outros e que não é sua tarefa consertar as pessoas.

Passos que nos resgatam das trevas

Naturalmente não existe caminho fácil, o preço é a disciplina e a vigilância constante. É um aprendizado por toda vida, depende de todo um processo, palavra chave, porque indica que não existe um método ou procedimento que deve ser seguido. Não são fórmulas simplistas, antes estruturas básicas nas quais poderemos continuar construindo à medida que percebemos que estes lados afetam nossa vida ou liderança. Quando entendemos que tal lado obscuro está presente, poderemos, com desejo honesto de nos examinarmos, aplicar as verdades espirituais e minimizar drasticamente seus efeitos negativos em nossa vida e liderança.

PASSOS PARA VENCER O LADO NEGRO

 

I. Tomando conhecimento de seu lado negro


Muitos líderes caem por não tomarem conhecimento de suas fraquezas. Muitos percebem que seu caminho é errado, mas se recusam a admitir que tal caminho possa levá-los à morte. A arrogância, o egoísmo, a soberba precedem a queda. Ignorar considerações da esposa e amigos, recusar as regras do bom senso e viver na negação são algumas destas alternativas.
Certo pastor caiu moralmente por se distanciar dos outros. Perdeu a capacidade de prestar contas. Uma percepção de suas sombras poderia ajudá-lo a se livrar da queda e da dor.
O caminho é o da confissão e da cruz. Temos que lidar com este material podre que trazemos na alma. A crise no casamento pode revelar a quantidade de lixo que trazemos para os relacionamentos. O mesmo se dá na liderança. O lado negro precisa não apenas de ser discernido, mas também ser redimido e restaurado. Temos a tentação de negarmos as sombras ao invés de admitir fraquezas e pecados.

O perigo da negação
O Rei Davi experimentou isto. Ele tentou encobrir por mais de um ano seu adultério. As racionalizações, os esquemas para acobertar seu pecado pareciam mais atraentes que a dor da confissão. Negação é uma grave enfermidade, e todo líder cristão precisa tentar se inocular desta doença.  Os alcoólatras anônimos costumam afirmar que o segredo é a maior doença. É preciso iluminar estes cantos escuros com a confissão.

Por onde começar?
O primeiro passo é o reconhecimento das áreas mais perigosas do caráter. Temos a tendência de buscar bodes expiatórios, culpar outros ou o diabo. Muitas vezes prestamos demasiada atenção no diabo e pouco na realidade disfuncional de nosso caráter. Culpar outros é um sintoma que revela que a negação está assumindo o lugar em nós.

O poder de Deus em nossas fraquezas
O poder de Deus é mais evidente quando reconhecemos fraquezas e confiamos na  graça suficiente. Muitas vezes estamos presos a atitudes doentias, comportamentos e hábitos que duram a vida inteira e podem nos levar ao desespero. Quando nos libertamos das racionalizações e desculpas, aprendemos também a depositar total dependência na obra de Cristo (2 Co 12.9-10) Paulo reconhece que sua fraqueza é um requisito para experimentar o poder de Deus na vida e no ministério.
Precisamos fazer escolha entre uma vida de transparência diante de Deus, baixar nossa guarda ou assumir uma atitude de negação apenas dá mais combustível ao lado negro. A rota que escolhermos determinará o destino final.

II. Examinando o passado

Rever a história pode ser um bom princípio. Experiências do passado marcam indelevelmente o presente. Passado é um banco onde estão as experiências, onde fazemos saques para hoje. Passado pode ser um obstáculo a uma vida de acordo com o Evangelho e tende a escravizar. Se a experiência foi boa, corremos o risco de pensar que o que é bom já passou, se foi negativa, podemos ficar preso a este fracasso. O passado também pode ser positivo, quando a experiência se torna norteadora de nossa caminhada. Temos que nos lembrar, porém, que passado é um lugar onde nada mais cabe. Não se pode mudar: “se eu tivesse”... “se eu fosse”, “se”...
Na verdade, nós somos a soma de experiência de nossas vidas. O propósito de examinar o passado não é para ficar mais envergonhado, antes para auto-compreensão. “Auto análise é boa, introspecção é mórbida” (M. L. Jones). Se você quer entender a si mesmo, preste atenção nas experiências que trouxeram dor, tristeza e frustração. Freqüentemente tais experiências criam os blocos perdidos de nossa pirâmide que ainda hoje nos afetam.

O que procurar?
São muitos os eventos registrados na história, e muitos deles aparentemente inocentes, contudo, se permanecem na memória merecem um exame mais próximo. Divórcio ou morte dos pais, experiência de rejeição de colegas e garotas, afirmações cruéis feitas por amigos ou família, fracassos acadêmicos, sérios erros em julgamentos, pobreza na família são eventos que caminham conosco em seus significados. Sem morbidez, podemos relembrá-los honestamente e diagnosticar as experiências formativas na vida. Humilhações sofridas, rigidez familiar, falta de elogios e apreciação dos pais, tudo pode ser relevante para a análise atual. O que realmente aconteceu? O que isto significa para mim? Por que estas coisas aconteceram?
Quando entrarmos em contacto com estas questões, devemos perguntar como isto nos afeta e nos dirige nos dias de hoje?

Lidando com o passado.
Lidar com processo de ira e amargura requer certa dose de coragem e determinadas atitudes. Algumas delas podem ser libertadoras:
Ø       Conversar com aquele que causou esta perda e dor em seu coração.
Ø       Escrever cartas para quem o feriu, revelando o que aconteceu com suas emoções. Não significa que você tenha que enviá-las, mas pode usá-las simplesmente como veículos para processar seus sentimentos.
Ø       Liberar Perdão aos outros - “Perdão é necessário para impedir que sejamos presos na armadilha de satanás. Ausência de perdão é avenida principal que satanás usa para oprimir os cristãos. Paulo encoraja os cristãos a se perdoarem mutuamente, para que satanás não tenha vantagem sobre nós, porque não ignoramos seus desígnios (esquemas). 2 Co 2.11. Ausência de perdão é uma porta aberta convidando satanás para nos manter cativos”[1] Perdoar pode ser particularmente difícil quando a outra parte não percebe o  quanto nos machucou.
Ø       Perdoar a si mesmo. Independentemente da gravidade do pecado, não perdoar-se pode ser extremamente danoso e uma arma do inimigo para constantemente nos ferir.

Aplicações práticas:
1.       Quais eventos do seu passado vem à sua mente depois de todos estes anos? Liste-os brevemente abaixo.
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  1. Descreva em uma ou duas palavras, como você se sentiu ou se sente acerca de cada um destes incidentes.
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  1. Reflita em cada uma das memórias abaixo, respondendo as seguintes questões:
§         O que realmente aconteceu?
§         Por que isto aconteceu?
§         O que aconteceu a mim?
§         O que isto significou para mim naquele tempo?
§         Que tipo de frustração esta experiência trouxe para a minha vida?
§         Como este fato ainda me afeta na idade adulta?
§         Como isto reflete hoje?

  1. Baseado nesta reflexão, para onde você acha que Deus o tem levado hoje?
§         Existe alguém com quem você precisa falar sobre o assunto?
§         Existe uma carta que você deveria escrever?
§         Existe algum telefonema que você precisa dar?
§         Existe alguma pessoa, grupo ou organização que você precisa perdoar?
§         Existe alguma oração especifica que você precisa fazer a Deus?

  1. O que você vai fazer? Mt 6.14-15
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III. Resista ao veneno da expectativa

Todos vivemos num contexto de expectativas. Criamos expectativa em relação às outras pessoas e as pessoas também criam em relação a nós. Expectativa pode ser positiva em alguns níveis. Elas comunicam confiança de que cremos nas possibilidades e podem motivar-nos a atingir determinados alvos. Mas quando as expectativas são irrealistas ou egocêntricas, podem se tornar destrutivas. Quando os pais esperam muito dos filhos isto pode se tornar um fardo, seja com relação à beleza, sucesso ou conquistas. Expectativas declaradas ou não podem determinar gestos e comportamentos, sejam tais expectativas criadas pelos outros ou por nós mesmos.

Expectativas destrutivas
Um exemplo marcante foi em relação ao fenômeno do futebol brasileiro, Ronaldo. Que em 1998 viu seu sonho de se pentacampeão do mundo se desfazer de forma patética. O Brasil perdeu o jogo de 3x0 para a França, o jovem Ronaldo tinha apenas 21 anos nesta época, e sobre ele recaiam todas as expectativas do Brasil. Na véspera do jogo, inexplicavelmente ele teve uma convulsão, e entrou no jogo ainda aturdido por tudo. O resultado foi um fracasso!
Plantadores da igreja podem ter grandes desafios. Tive a oportunidade de participar da vida de um obreiro, com grande capacidade de comunicação do Evangelho, que foi para os Estados Unidos para plantar igreja entre brasileiros e o resultado foi um grande fracasso. As dores experimentadas por este obreiro foram imensas. A missão depositou grande quantidade de expectativa e recursos, e quando os resultados não vieram o sofrimento foi imenso. 
Torna-se ainda mais perigoso, quando os desapontamentos combinam expectativas externas e internas. O fracasso pode levar pessoas a comportamentos pecaminosos. Na tentativa de se sentir valorizado, podem jogar fora a ética a fim de que surjam os resultados. Nesta dinâmica, é possível jogar fora sua consciência pura e apostatar. Eventualmente as comunidades fazem uma lista cumulativa do que esperam de seus pastores. Alguns são velhos, outros jovens; uns ricos, outros pobres; mas expectativas podem gerar grandes conflitos.
Um exemplo disto foi no processo de escolha de um pastor americano para a Igreja Christ The King, em Cambridge, MA (USA). A lista dos dons e qualificações emocionais e espirituais do que esperavam no futuro pastor era tão maravilhosa, que minha esposa fez o seguinte comentário: “o candidato certo para esta Igreja é Jesus, mas ele tem um problema, não é casado!”
Dr. Robert Edmundson entrevistou trinta igrejas que perderam seus pastores e 30 pastores que haviam deixado o ministério de forma permanente, e a segunda causa mais citada foi de expectativas não descritas, mas que eram desejadas pela igreja. A primeira causa foi esgotamento espiritual[2]. Porque a expectativa é tão alta, pastores impõem a si mesmos um ritmo frenético para satisfazer a todos. Criam reputação de que são pessoas que fazem grandes projetos e a coisa certa. Isto se torna um círculo vicioso, porque tal ritmo não pode ser mantido freneticamente, no final a máquina quebra. Toda máquina precisa de óleo. Se a manutenção não for boa não resiste, e os sintomas de que as coisas vão mal, afloram.
Estar disponível a todos, visitar enfermos, enlutados, preparar sermões e estudos podem nos levar a exaustão. Quando vamos parar para refazer as forças?

O óleo da graça
Uma compreensão mais clara da graça de Deus pode nos liberar do veneno da pressão. Jesus viveu num contexto de muita expectativa (Mt 23.4-5). Os fariseus eram rígidos, com fortes padrões externos, embora internamente tivessem sérios problemas com hipocrisia e quebra da lei (Mt 23.28). Por isto Jesus foi acusado de ser companheiro de prostitutas e beberrões (Mt 11.19). Mas, a despeito disto, Jesus queria atender ao desejo do Pai. Para aqueles que estão debaixo de tal sistema ele faz um convite (Mt 11.28-30). A Bíblia nos adverte sobre a pressão de sistemas e nos revela como estas forças podem se tornar poderosas sobre nossas vidas. (Jo 8.32,36; Col 2.16-23; Gl 5.1; Rm 8.2).
Ao invés de deixar que outros determinem nosso comportamento, devemos buscar o desejo de Deus para nossas vidas. O estilo de vida legalista é uma tentativa de usurpar o poder do Evangelho e o lugar da cruz. Charles Swindoll afirma: “Posso lhes assegurar que um dos maiores alvos de minha vida é providenciar mais e mais os meios para que os pastores consigam respirar e reencontrar a alegria da liberdade e para aqueles que já perderam o charme da graça de Deus”.[3]

Aplicação prática
1. Você tem sentido o peso das expectativas? Descreva algumas delas.
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2. Que sentimentos tais expectativas trazem?
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3. Você tem trabalhado debaixo destas expectativas irrealistas. Quais são elas?
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4. O que Deus espera de você no atual momento de sua vida? Compare com as expectativas descritas acima.
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5. Como você pode aplicar o óleo da graça para a sua situação? Que ações você pode tomar para aliviar tais expectativas em sua vida? Ver Mt 11.28-30.
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IV. Praticando auto-análise de forma progressiva

Certas disciplinas podem nos ajudar a reencontrar o eixo da história. Elas servem como ferramentas para abrir segredos e levar-nos à direção daquilo que Deus deseja de nós.

1.       Leitura devocional da Bíblia
2.       Retiros espirituais
3.       Leituras de textos devocionais
4.       Registro diário de nossas experiências
5.       Teste de personalidade
6.       Aconselhamento profissional e terapia
7.       Grupos de prestação de contas.
8.       Avaliação formal das atividades – este é mais complexo, mas pode ser um instrumento para pastores que estão a muito tempo numa comunidade e desejam avaliar suas virtudes e defeitos.



      Rev. Samuel Vieira  
Março de 2015






[1] Anderson, Neil Victory over the Darkness , Ventura, CA. Regal, 1990, pg 201.
[2] Edmondson Robert L., It only hurts on Monday: Why pastors quit and what churches can do about it (D. Min. diss., Talbot School of Theology, Biola University, December, 1995, pgs 111-112.
[3] Swindoll, Charles R., The grace awakening, Dallas, word, 1990, pg 129.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Js 18.3 Até quando ficareis parados?





Introdução:
È fácil perder a perspectiva missionária.
É fácil parar no tempo...
É fácil perder o senso e ardor missionário.

Deus havia dito a Josué que havia ainda muita terra a ser conquistada (Js 13). Josué envelhecera, mas a obra da conquista da terra prometida estava muito lenta, e havia um certo desânimo e indisposição do povo em avançar. Deus procura despertar Josué para lhe dizer que a obra não poderia parar com sua morte. Era necessário avançar.
Projetos e sonhos facilmente podem morrer com a saída do líder a quem foi dado a visão. É necessário muito cuidado e tenacidade, para que a visão seja comunicada à nova geração e à nova liderança que surge. Com a eminente morte de Josué, Deus novamente lhe aquece o coração, mostrando as possibilidades, terras e povos que ainda precisavam ser conquistados ao seu redor (Js 13.2-7).

Era preciso continuar.
A obra ainda estava incompleta.
Havia muita terra ainda a ser conquistada.

Não sabemos quanto tempo se passou entre a palavra de Deus a Josué no capítulo 13, e o desabafo de Josué, no capítulo 18. Torna-se, porém, nítido que Josué estava impaciente com a letargia do povo. “Até quando vocês vão ficar parados, em vez de avançar e conquistar a terra que o Senhor, o Deus de seus pais, deu a vocês?” (Js 18.4 BV). Na versão Revista e Atualizada lemos o seguinte: “Até quando sereis remissos em passardes para possuir a terra que o Senhor, Deus de vossos paus, vos deu? (Js 18.3). A terra já havia sido dada, mas eles precisavam tomar posse dela.
Diante da apatia, Josué pede agora que o povo faça um levantamento da região, “examinem a terra, façam um mapa do território prometido” (Js 18.4 BV). “Se disponham, e corram a terra, e façam dela um gráfico” (RA).
O meu professor de Religiões comparadas e missões, ironizava: “Melhor seria: Religiões com-paradas e o-missões”, já que é fácil e cômodo demais para a igreja, deixar de olhar os campos brancos para a seara, se acomodar e não mais avançar na obra missionária, perdendo assim o projeto de Deus.

Deste relato bíblico, aprendemos algumas lições:
1.       Primeiramente, quem se preocupa com a obra missionária é o próprio Deus. Deus se move para lembrar seu povo, através de Josué, que “ainda muitíssima terra ficou para se possuir” (Js 13.1).

Os anos anteriores foram de muita guerra e sangue, as tensões eram constantes. Grandes batalhas ocorreram, exigindo uma dose extra de planejamento, treinamento, atenção, capacitação e supervisão – e um bocado de adrenalina e stress. Agora, quando as coisas começam a acalmar e várias cidades foram conquistadas, reis vencidos, regiões prósperas e despojos conquistados, a idade e o anseio por conforto e sossego se tornaram grande tentação para Josué e o povo. Contudo, para Deus, seu projeto ainda não havia sido executado. Faltava muita coisa ainda e a obra não podia deixar de avançar.
O axioma número 1 da missiologia bíblica é que Deus é o autor das missões. Missões nascem no coração de Deus, Ele é o agente que desencadeia o processo do avanço da sua obra na terra. Historicamente a igreja tende a se acomodar, entrar na área de conforto e se tornar indiferente. Deus se move na história e desperta novamente esta chama e ardor missionário.
No livro de Atos, quando a Igreja de Jerusalém estava acomodada, Deus levantou violenta perseguição, e a igreja foi empurrada na direção das missões, saindo a pregar por toda Samaria (At 8.1-2). Em Atos 13, a Igreja da Antioquia orava e Deus iniciou o processo dizendo: “Separai-me a Barnabé e Saulo para a obra que os tenho chamado” (At 13.1-2). É Deus quem planeja, gera visão, impulsiona o povo, inquieta, levanta perseguição e desencadeia o desejo de ir e pregar o evangelho a toda criatura. Jesus demonstrou isto ao dar o mandato missionário: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra, portanto, ide, pregai o Evangelho a toda criatura” (Mt 18.18-20).

2.       Em segundo lugar, Deus incomoda e provoca – É isto que vemos em Josué 18. No capítulo 13 Deus fala com Josué para não deixar a obra naquele ponto em que se encontrava. Era preciso avançar. No capítulo 18, é Josué quem demonstra esta inquietação incitando o povo a não entrar na zona de conforto, mas avançar.

É sempre assim. Quando Deus quer realizar a obra incomoda seus servos. Ou como afirmou Agostinho: “Quando Deus se agita, o homem se levanta”. É assim que a obra missionária avança. Deus começa esta inquietação em alguém, que vai incomodar outros. Em geral, uma pessoa encharcada com os sonhos de Deus, dá o ponto de partida, muitas vezes com muita oposição da apática e estacionada comunidade. Para que a obra de Deus saia daquele ponto indo para onde Deus deseja chegar, um líder é despertado.
Josué demonstra neste texto irritação e impaciência com os demorados processos comunitários. “Até quando vocês vão ficar parados, em vez de avançar e conquistar a terra que o Senhor, o Deus de seus pais, deu a vocês?” (Js 18.4 BV).
Josué lhes recorda as promessas.
Estas terras foram prometidas por Deus. Era apenas avançar e tomar posse do que já era deles. Isto, contudo, não evitava a tensão de uma batalha, mas Deus já lhes havia prometido a vitória. Era uma questão de disposição, coragem e fé da comunidade. O povo precisava avançar! Sair da comodidade e ver a benção e os milagres de Deus se cumprindo. Deus levanta Josué para acender novamente a chama, para provocar. Assim é que a obra acontece até nossos dias.
Deus é o autor de missões e usa seus agentes. Pessoas chamadas, vocacionadas e encharcadas de uma compreensão do plano de Deus que passam a encorajar outros a seguir este propósito, seja para a obra missionária em regiões longínquas, seja para plantação de igrejas ou envolvimento em ministérios de misericórdia e compaixão nas suas próprias cidades.

3.       Deus é que inicia. Homens são agentes. Entretanto é necessário estratégia clara. O texto bíblico demonstra que, apesar da obra de Deus ser realizada pelos seus atos miraculosos,  e que é impossível pensar na efetividade da obra sem tais manifestações, ainda assim, é imprescindível que projetos sejam criteriosamente avaliados, e um plano de ação estabelecido para que a obra seja realizada com eficácia.

Josué pede que o povo se organize. “Escolham três homens em cada tribo” (Js 1.4). Isto dá representatividade, e traz envolvimento das tribos. Ele os orienta a percorrerem a terra e fazerem um estudo das potencialidades, oportunidades e riscos. Se aplicássemos estes simples princípios na obra missionária de nossos dias, teríamos muito menos sofrimento e dispêndio de energia e recursos pessoais nos projetos.
O simplismo missionário, permeado eventualmente por legítima paixão, muitas vezes é assustador, e traz muito desperdício de vidas e recursos. Em nome da espontaneidade e simplicidade, perde-se a intencionalidade e o planejamento. Josué sabe que, mesmo com as promessas claras de Deus, isto não excluía critérios objetivos dos riscos e oportunidades.
“Façam um mapa do território”. Esta é a ordem dada. Outra versão diz: “Façam um gráfico” (Js 1.4). Numa linguagem moderna, ele estava pedindo um estudo pormenorizado das potencialidades, uma planilha com planejamento, condições e perigos.
Plantação de igreja tem tido grandes fracassos, porque na maioria das vezes é feito com muita espontaneidade, mas com superficialidade ou nenhum projeto. Não se faz o trabalho para a fim de avaliar o potencial do campo, não se preocupa em selecionar, treinar e recrutar o obreiro. O mesmo se dá no campo missionário: Boa parte dos obreiros segue para o campo com total despreparo teológico, espiritual e emocional, levando consigo grande vontade de fazer a obra, família empolgada, mas sem conhecimento de tudo que terão pela frente, por isto, boa parte dos missionários nos campos transculturais retornam do campo com menos de 2 anos de atividade. O despreparo e a forma desorganizada com que tentam executar o projeto é desprovido de fundamentação segura.
Na missão urbana, é comum vermos pessoas e igrejas empolgadas e ansiosas para iniciar um projeto social na base do entusiasmo. Querem fazer a obra, mas não existe um “mapa do território”, e “gráfico”. Não se avalia os custos, os recursos financeiros e pessoal, o preparo dos obreiros e voluntários e o recrutamento e treinamento do pessoal.
Não é difícil iniciar um projeto social, o duro é continuar levantando recursos para o seu sustento. As despesas altíssimas começam a surgir, a fiscalização dos órgãos do governo, os voluntários desanimam e não dispõem de tempo, e, passado o entusiasmo inicial, surgem os problemas administrativos e como não houve previsão/provisão/planejamento, o projeto se dissolve.
No campo transcultural há dilemas semelhantes. Obreiros desqualificados são enviados para o campo, sem recursos adequados, base de sustentação, preparo teológico/emocional, nem agência de missões com experiência para resolver questões diplomáticas, documentos exigidos pelas embaixadas, e questões inesperadas como doença ou morte do obreiro. O resultado muitas vezes é trágico.
Josué pede um mapa do território, um gráfico. Ele sabia que tais coisas eram necessárias. Por que ainda hoje, insistimos em fazer as coisas de forma diferente?
  
4.       Em quarto lugar, é necessário coordenação e supervisão.  “Depois voltem para mim” (Js 18.4). Isto é supervisão, mentoria. Mesmo com todo levantamento, e de uma elaborada pesquisa de campo que envolvia até gráficos, Josué não permite que avancem, antes que retornem a ele para que avaliem e discutam o projeto.

Esta é a atitude de “coaching”, tão usada na visão do moderno gerenciamento é empregada por Josué. Ele pede para que os agentes da coleta de dado, retornem para a base, e se assentem com os “executivos” a fim de analisar os detalhes e ângulos que precisavam de exame. Planejamento, avaliação, supervisão, quase sempre evitam desperdício de tempo, vidas e recursos. O tempo que se gasta com reparos e correções de equívocos na execução do projeto, poderiam eventualmente ser evitados quando se considera analiticamente o projeto. Por esta razão, antes de construirmos uma casa, contratamos engenheiros e arquitetos, que são pessoas com preparo, não para executar a obra, mas para dar as diretrizes de como a obra será executada.

5.       Terminado o mapeamento, se reuniriam na presença de Deus e pediram para que ele orientasse em como as coisas deveriam ser feitas. Isto é submissão e dependência de Deus. “Vocês demarcarão a terra em sete partes, e depois trarão para mim a sua descrição, e eu farei um sorteio na presença do Senhor, o nosso Deus, para ver qual parte ficará com qual tribo” (Js 1.6 BV).

Agora, que todo planejamento foi feito, as terras demarcadas, os gráficos prontos, há um outro elemento fundamental: A orientação de Deus. Afinal, ele iniciou todo processo, e tem todo interesse em orientar seu povo para alcançar os objetivos estabelecidos por ele.
Quando decidimos construir um prédio de seis pavimentos para o Edifício Presbiteriano de Educação na Igreja de Anápolis, em 2006, o conselho fez questão de colocar na sua ata de aprovação do projeto, que não retiraríamos nenhuma ajuda missionária do orçamento, e que se Deus quisesse nos abençoar na execução do projeto, ele nos daria os recursos necessários, e não perderíamos a visão de continuar avançando na obra missionária. A obra se estendeu por alguns anos, mas o projeto foi executado dentro desta visão.
A questão que sempre nos desafia diante de qualquer projeto é apenas uma, central e inegociável: Deus está nisto? Se o projeto brota no coração de Deus, não devemos temer quantos aos recursos, pois certamente eles virão.


Conclusão:

Josué e Calebe disseram ao assustado povo, depois de receber o pessimista relatório dos espias: “Se o Senhor se agradar de nós, os inimigos serão devorados como pão”. E foi assim que aconteceu. Deus estava com eles, e a vitória veio, apesar do pessimismo, cinismo e descrédito dos demais espias e de parte do povo que estava desanimada.
Por que?
Porque aquele projeto nascera no coração de Deus.
John Edmund Haggai afirma:

“Sonhe coisas tão grandes para Deus, que se Deus não estiver nele, o resultado será um fracasso”.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

As Leis da Evolução Pessoal




Introdução:

No Livro 25 Leis bíblicas do sucesso[1], Douglas e Teixeira, um Juiz e outro Diretor da Braspetro, analisaram alguns princípios que espirituais, que quando aplicados, sempre trarão resultados positivos. Para os autores, se uma pessoa descrente, aplicar as leis espirituais, mesmo sem o saber, terá sucesso; e se uma pessoa religiosa, não aplicar os mesmos princípios espirituais, ela deixará de obter vitória.
O livro é evidentemente de auto-ajuda, e por isto deve ter um valor limitado, apesar de já ter vendido 120 mil livros apenas no Brasil. No último capítulo, o autor fala das “Leis da Evolução Pessoal”, e gostaria de trabalhar 4 das 5 leis sugeridas por ele neste capítulo final.

1.       Lei da gratidão – “Quanto àquele que paga o bem com o mal, não se apartará o mal da sua casa” (Pv 17.13
Gratidão não é algo comum na experiência humana. É muito mais presente a dificuldade em agradecer. Jesus curou 10 leprosos, mas apenas 1 retornou para dizer obrigado. Esta é ainda hoje a proporção das pessoas que são gratas.
Uma boa definição que ouvi sobre gratidão vem de um provérbio Frances: “Gratidão é a memória do coração”. Moacir Bastos, poeta presbiteriano afirma que “gratidão é o amor contemplando o passado”.
Winston Churchil afirmou: “Tome cuidado para não explodir a ponte que você terá que atravessar”.
Você é uma pessoa agradecida?
Tem tido facilidade para expressar gratidão àqueles que o abençoaram?
Você aprecia o que os outros fazem por você?
Pense na possibilidade de ligar nesta semana para cinco pessoas que já ajudaram você em determinado período de sua vida.
O que você sentiria se alguém ligasse para você hoje só para lhe dizer: Obrigado?

2.       Lei da Generosidade  – “A alma generosa prosperará, e quem dá de beber será dessedentado” (Pv 11.25).
A cultura brasileira, por causa de sua herança religiosa, tem muita dificuldade com generosidade. Em outros países, as pessoas tem mais liberalidade.
O povo americano, por exemplo, talvez por causa de sua cultura puritano, é considerado o povo mais generoso do mundo. Milhares de hospitais, escolas, universidades, templos, investimento em pessoas, formação intelectual, tem sido dada, por anos, pelo povo americano. Certamente há muitos benefícios relacionados ao imposto que encoraja as pessoas a doarem, mas existe neste povo uma facilidade para ser generoso.
A universidade de Israel foi toda construída com doações voluntárias. Em frente ao campus, existe uma coluna imensa de nome de doadores (e só foram colocados ali, o nome de pessoas que doou mais de um milhão de dólares).
Muitos deixam de doar, porque acham que serão explorados, e certamente abusos ocorrem, mas generosidade é coisa do coração. Ec 11.1-2 diz: “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias, o acharás. Reparte com sete, e ainda com outro, porque não sabes que mal sobrevirá à terra”. A Lei da generosidade tem uma enorme relação com o sucesso pessoal.

3.       Lei do Contentamento – “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1 Tm 6.8). Estar contente é uma das leis de crescimento pessoal.
Infelizmente somos uma geração de pessoas descontentes. Fazemos viagens cada vez mais caras, temos carros mais luxuosos, jantamos em bons restaurantes, temos conforto, abundancia, mas não temos contentamento. Muitos viajam para a Europa, gastam fortunas em ilhas paradisíacas, mas voltam ainda mais insatisfeitos com a vida.
O fato é que contentamento é uma grande fonte de lucro. Abençoada é a pessoa que encontra prazer na vida, nas pessoas, nos bens que possui, independentemente de serem muito ou pouco.

4.       Lei da semeadura – “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isto também ceifará... e não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos” (Gl 6.7,9).
 Esta também é conhecida como a lei do retorno, e dela podemos extrair alguns princípios:
A.      O que você planta é o que você colhe. Não plante laranja esperando colher pêssegos. Não plante ódio acreditando que vai colher amor.
B.       Semeadura tem um efeito multiplicador – Quem muito semeia, muito ceifará. Quem semeia pouco, pouco também ceifará. Não adianta fazer uma pequena plantação no quintal de sua casa, esperando que você vai encher caminhões de grandes celeiros.
C.      Inevitabilidade – Você pode escolher o que você vai plantar, mas depois de ter semeado, você não pode escolher mais o que vai colher.

Conclusão:
Billy Graham certa vez afirmou:
“Estude a bíblia para ser sábio
Creia nela para ser salvo,
Siga os seus preceitos, para ser santo”






[1] Douglas, William & Teixeira, Rubens – As 25 Leis bíblicas do Sucesso, Rio de Janeiro, Ed Sextante, 2012.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O Templo de Salomão


Dia 31 de Agosto de 2014. A Igreja Universal do Reino de Deus, com a presença da Presidente da República e autoridades brasileiras inaugurou o monumental “Templo de Jerusalém”, numa área de 100 mil metros quadrados. O templo chama a atenção pelo gigantismo, custo e beleza arquitetônica. Ele é quatro vezes maior que O Santuário de Aparecida do Norte que pertence à Igreja Católica e é o maior templo do Brasil. Seu custo total foi de 680 milhões de reais e foi construído numa área absolutamente decadente hoje em São Paulo, onde ficam grandes galpões abandonados e mal cuidados – o que deve inflacionar imóveis na região. Muitas pedras talhadas que foram utilizadas na sua construção vieram de Jerusalém. O evento teve ampla cobertura da CNN e de outras emissoras e, obviamente, a Rede Globo, em constante intriga com o Bispo Edir Macedo, não fez qualquer menção à construção.

Apesar do seu valor como monumento e que eventualmente vai se tornar num pólo turístico, seu valor espiritual é zero. Construções nunca foram o alvo de Deus. Templos e monumentos, pelo contrário, geralmente tornam-se uma agressão a Deus, porque passam a ter um valor maior que pessoas, e inevitavelmente se transformam em relações idolátricas e as pessoas passam a “adorar” e acreditar que tais lugares são santos. Já vemos isto em grandes peregrinações que são feitas por religiões ao redor do mundo em busca de lugares sagrados, e frequentemente vemos isto no Brasil, mas a Bíblia é categórica em afirma que “Deus não habita em templos feitos por mãos humanas” (At 17.24).

Quando Davi resolveu edificar um tempo para Yahweh, Deus afirma: “Tu não edificarás casa para minha habitação; porque em casa nenhuma habitei, desde o dia que fiz subir a Israel  até o dia de hoje; mas tenho andando de tenda em tenda, de tabernáculo em tabernáculo. Em todo lugar em que andei com todo o Israel , falei, acaso, alguma palavra com algum dos seus juízes, a quem mandei apascentar o meu povo, dizendo: Por que não me edificais uma casa de cedro?” (1 Cr 17.4-6). Deus deixa claro que nunca fora sua intenção ser “aprisionado” por homens num local que eles considerariam santo. Afinal, “Deus habita no meio da tempestade e da tormenta, e as nuvens são o pó de seus pés”  (Hb 1.3). O perigo do templo estava na possibilidade de identificarem a presença de Deus com o lugar edificado para Ele, como se Deus estivesse circunscrito a um local.

Deus é grandioso demais para habitar em templos feitos por homens. O que geralmente acontece quando as pessoas se encantam com Deus é que o Senhor está interessado em vidas, e não em monumentos.  Deus escolheu habitar em cada um de nós, pelo seu Espírito. O templo onde Deus habita é a vida das pessoas. “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito Santo habita em vós?” (1 Co 3.16. Ler ainda 1 Co 6.15-20).

Quando Jesus estava morrendo, “o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo” (Mt 27.50). Qual é o significado disto?
Durante muitos séculos, os homens haviam tentado manter Deus distante, criando separação entre o Eterno e as pessoas. Rasgar o véu, significa simbolicamente que o caminho para Deus estava aberto para todas as pessoas, em todos os tempos, em todos os lugares. Onde está Deus agora? Nos lugares sagrados. Não! Em todos os lugares. Deus deu um fim ao templo feito por mãos humanas e seu sistema religioso de adoração. Quando os discípulos ficaram empolgados com o edifício, Jesus lhes profetiza: “Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada” (Mt 24.2).

Uma nova aliança estava sendo estabelecida por meio do seu sangue (Hb 8.13). Ao ser apedrejado e perante as autoridades judaicas que reverenciavam o templo como lugar onde Deus habitava, o primeiro mártir do cristianismo, Estevão, afirma: “Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? Diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu repouso? Porventura não fez a minha mão todas estas coisas?” (At 7.47-50).

Deus não pode ser limitado por nenhuma de suas criações ou por obras humanas.


Templos são espaços de convivência e adoração. Na verdade servem muito mais para o nosso conforto do que para Deus. Estes espaços podem ser adequados e convenientes, ajudar na adoração e no silêncio, mas quando assumem a prerrogativa de que Deus se encontra ali, isto faz com que as pessoas não apenas criem uma relação idolátrica com o local, como quebram frontalmente os princípios básicos de Deus sobre a adoração que ele mesmo requer.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A cidade: Suas Lutas.



Pastorear igrejas em grandes cidades não é um desafio fácil. Bakke cita uma pesquisa feita por uma grande organização britânica que descobriu que apenas 4 de 142 candidatos, gostariam de pastorear grandes cidades.[1]

Quais são os problemas mais facilmente encontrados nas grandes cidades?

q       Anonimato – Esta é a primeira característica descrita por Cox no seu clássico "A cidade secular"[2] ao se referir à face da cidade. Em geral as pessoas se horrorizam diante da impessoalidade e pela perda da identidade que a cidade traz. Pessoas podem perder toda sua identidade personalidade no meio da correria diária, e dos intermináveis números. "Solidão é indubitavelmente um sério problema na cidade"[3]

q       Alienação – Neste caso, percebe-se que a pessoa não passa de um número, e que os encontros normalmente são feitos de forma esporádica e sem desejo de aproximação.  O homem urbano se distancia facilmente do outro. A falta de intimidade e distanciamento nos grandes centros e grupos. Você pode morar no mesmo prédio e não conhecer quem mora em frente à sua casa. Exemplo pastor do Rio de Janeiro que mudou-se par ao interior por medo da alienação da grande cidade.

q       Isolamento – Diante da constante mobilização, as pessoas são  sempre muito diferente mesmo na vizinhança. Muitas estão constantemente se mudando. Alguém por perto não significa "proximidade".

q       Despersonalização – individuo tratado como número e coisa. Tente acessar seu banco, sua conta na internet. Você estará sendo sempre identificado pelo número que tem. A Bíblia diz que mais vale o bom nome do que as muitas riquezas, mas na cidade, mais vale um bom número.

q       Pobreza, promiscuidade e desencorajamento – Na cidade grande vemos pessoas sempre pedindo ajuda e buscando recursos. A quantidade de pessoas que buscam suporte financeiro é gigantesca.

q       Ausência de sentido – ambiente competitivo e baseado em performance. A vida pode se esvaziar, quando você se torna sempre e constantemente alguém competitivo.

Implicações:       

1.                            A Igreja como comunidade. Interligando a pessoa, tornando-a aceita e fazendo parte de um grupo. O conceito de Meta-Church tem sido discutido: "Uma igreja grande para celebrar, mas pequena para cuidar". Quanto maior se torna a cidade, mais importante se tornam os vínculos comunitários;

2.                            A Igreja com a visão elevada da humanidade: seres criados à imagem de Deus. Aprendendo a cuidar, a proteger, a ajudar a pessoa a resgatar sua auto estima.

3.                            A Igreja como agência de misericórdia. Compartilhando a vida e recursos financeiros.


A cidade: suas necessidades


Quais são, em nossos dias, as maiores necessidades da cidade, e como a Igreja pode cooperar eficazmente para abençoar a cidade?

q       A pobreza espiritual da cidade – Cidade é cenário de luta espiritual. Milhares de pessoas são vitimas de religiões falsas, de seitas e grupos espiritualistas, em busca de sentido e identificação. Tanto orar quanto proteger seus habitantes torna-se um enorme desafio. Exemplos recentes mostram a tragédia dos mendigos de S. Paulo (a situação em si já seria catastrófica), mas assume uma dimensão ainda maior quando tais pessoas, indefesas, abandonadas, são violentamente executadas.

q       O abandono histórico da cidade – Muitas cidades são  mau governadas, não só por governos corruptos, mas governos incompetentes. Grandes centros têm sido abandonadas. A sujeira da cidade, os pontos de prostituição, a violência, assaltos, furtos, etc.

q       Pessoas não alcançadas – Muitos nunca ouviram o Evangelho. Poucas pessoas tem evangelizado as cidades. Encontrado estratégias para pregar o Evangelho de forma efetiva aos perdidos.

Barreiras para a Missão Urbana.
Bakke, fazendo consultas sobre a questão da evangelização urbana, indagando porque muitas vezes são tão eficazes, encontrou alguns pontos em comuns nas pesquisas que fez, em diversas partes do mundo. Ele afirma que esta lista feita em Belgrado, Yugoslávia, em Agosto de 1983, foi similar a que ele fez em Cairo e México City.[4]

  1. Não existem pessoas orando de forma organizada pela cidade;

  1. Não existem líderes treinados, sejam eles leigos ou pastores.

  1. A maioria dos evangélicos perderam a visão, motivação e paixão pelos perdidos;

  1. Igrejas e pastores possuem uma visão rural.

  1. Nós falhamos em usar as oportunidades para o testemunho quando elas nos são dadas.

  1. As comunidades cristãs vivem como se estivessem em guetos, e perdem o contacto com seus amigos não crentes.

  1. As igrejas não cooperam.

  1. Cristão tem vidas muito ocupadas e com muitas reuniões da igrejas.

  1. Existe um intervalo entre as gerações que são na sua maioria acima de 55 anos e os líderes emergentes que estão abaixo dos trintas anos. Existem poucos líderes entre 30 e 45 anos nas igrejas.

  1. Ausência de edifícios adequados e espaços para realizar o projeto missionário.

Implicações:        1. A necessidade de um evangelismo agressivo que ocupe prioridade em todos os programas da igreja;

2. A necessidade de estar na cidade, para amá-la e servi-la, trazendo alegria para a comunidade.

3. A cidade ainda é um dos lugares menos alcançados, e um dos maiores campos missionários da igreja em nossos dias.






[1] Bakke, Ray – The Urban Christian, pg 55
[2] Cox, Harvey – The secular City, pg 37
[3] Cox, idem, pg. 39
[4] Bakke, pg 60