sábado, 13 de outubro de 2018

Pastores podem se aposentar?

Introdução: 


A Igreja Metodista no Brasil tem nos seus estatutos o procedimento de aposentadoria compulsória aos 70 anos para pastores/as e bispos/as, resolução que já havia sido aprovado no 19° Concílio Geral, realizado em Brasília, em 2011. Para a denominação, a intenção da aposentadoria compulsória é para que aos 70 anos as pessoas possam usufruir de sua vida e família. Portanto, aos 70 anos o/a presbítero/a deixará de receber nomeação pastoral. O ministro receberá o acompanhamento de um/a presbítero/a como seu/ mentor nomeado/a por ele/a, com a finalidade de ajudá-lo/a a humanizar seu afastamento do ministério pastoral com nomeação episcopal, a pedido ou por idade. Obviamente este assunto gera sempre grandes controvérsias nos concílios da igreja e apaixonadas e acaloradas discussões.


Durante anos a Igreja Presbiteriana do Brasil determinava que o pastor se aposentasse compulsoriamente ao completar 70 anos de idade. Muitos chamavam esta decisão de “expulsória”. Pastores eram obrigatoriamente jubilados, e não podiam mais ser presidentes de um conselho, embora pudessem ainda participar das reuniões de concílios, pregar e exercer funções pastorais como a ministração de sacramentos. Controvérsias e disputas se deram em torno deste tema, muitos pastores deixaram o campo com o sentimento de que poderiam ainda produzir mais e que tinham saúde suficiente para continuar efetivamente no ministério. Recentemente foi aprovada uma emenda na constituição, afirmando que não há mais limite de idade para a ação pastoral. Embora entenda que muitos pastores tenham plena condição de assumirem o campo com a idade de 70 anos, pessoalmente sou contra esta decisão pelas seguintes razões:

A.      Temos no Brasil um grave problema previdenciário. A maioria daqueles que se aposentam pelo INSS, sofrem uma perda salarial tão grande, que muitos permanecerão no campo não necessariamente porque estão realmente motivados pelo trabalho e tenham energia para as atividades ministeriais, mas porque sabem como perderão no seu padrão de vida se afastarem das atividades;

B.       Igrejas, na sua maioria, amam seus pastores, ainda mais quando este exerceu longo tempo de ministério. Por esta razão, mesmo que a igreja perceba que seu pastor, por causa da idade e saúde, não tenha condições de continuar no ministério efetivo, não terá coragem de dizer ao idoso pastor que saia. Isto soa como crueldade, falta de amor e desconsideração. Teremos, portanto, um sério problema nesta área;

C.      Nem todos pastores tem senso critico sobre sua força de trabalho e possibilidades ministeriais, diante disto, muito dificilmente admitirão que é hora de parar. E se ele tiver uma personalidade de forte liderança ninguém ousará, sem que cause grande estrago, dizer, ainda que em amor, que ele precisa parar.

Um caso extremo se deu na Assembleia de Deus de Governador Valadares, que pediu a retirada de seu pastor presidente na direção da igreja por quatro décadas, e o pastor com 88 anos, se recusou a sair da liderança, apesar da igreja propor um salário vitalício de 20 mil reais para que ele se jubilasse. Então os membros da igreja resolveram protestar de forma nunca antes vista. Nos cultos da semana, enquanto o pastor prega, a igreja se ajoelha, de costas para o púlpito e começa a orar, numa verdadeira estratégia de guerra.

D.      Muitos citam Calebe, que aos 80 anos afirmou estar tão forte como aos 40 anos. Se retirarmos a força poética desta sua auto compreensão, alguém, de bom senso, pode admitir que isto é verdade? Muitos poderão estar na ativa aos 80 anos, mas terão o mesmo vigor da meia idade?

E.       Se já enfrentamos falta de campo para os jovens pastores, podemos esperar cada vez mais dificuldades. Nos próximos anos, pastores que teriam de jubilar, dando oportunidade para os novos ministros, se manterão na ativa, criando situações nunca antes vistas na Igreja Presbiteriana.

Bem, deixando de lado as observações relacionadas à denominação presbiteriana, a discussão ainda continua: um pastor pode se aposentar?

Recentemente estava planejando um encontro com alguns colegas da minha faixa etária, em torno de 60 anos, queria levantar algumas questões do tipo:

ð  A terceira idade está chegando (chegou), qual deve ser nossa atitude?

ð  Estamos nos preparando para este momento: tanto física, emocional, espiritual e financeiramente?

ð  Como tem sido nossa experiência de envelhecer no ministério?

ð  Como estamos chegando no ocaso de nossas atividades?

ð  Como preparar a próxima geração e passar o bastão? A corrida de 4 x 100 sempre me pareceu interessante, e podemos compará-la com a transição de liderança, por várias razões:

i.                     O atleta deve passar o bastão em movimento, não pode parar...

ii.                   Há um tempo determinado para se passar o bastão. Não pode ser antes da linha, nem depois, senão é desclassificado.

iii.                 O bastão não pode cair... se isto acontece a corrida acaba.

iv.                 O atleta que vem em velocidade caminha por um determinado tempo com o atleta que estava parado, até alinhar a passagem.

Na discussão, queria avaliar como poderemos ser mais objetivos e efetivos na medida em que nos aproximamos da aposentadoria, com mais experiências e menos energia. Já tinha até ideia do local e do tema do encontro: “Proibido para menores de 50 anos”. Já havia conversado com alguns colegas que acharam interessante a proposta, até que convidei um querido colega, por ser ele meu amigo há longo tempo, e pela sua grande formação em psicologia, área na qual ele concluiu seu doutorado.

A princípio ele se mostrou receptivo, mas ao retornar para sua casa, fez uma belíssima explanação questionando a agenda proposta. Acho que suas ponderações não devem ser desprezadas e não me senti aborrecido em nenhum momento, pelo contrário, suas teses descritas com cuidado, me pareceram muito razoáveis, embora não tenham sido plenamente resolvidas em minha mente. Leia o seu texto e avalie sua posição:

Sobre seu convite para a gente pensar a aposentadoria.

Desculpe amigo, não posso ir. Estive hoje “conversando” com Moisés e ele disse que com os seus oitenta anos está começando o seu ministério e não tinha tempo para conversar com pessoas que estavam desistindo dos desafios para pensar em aposentadoria.

Fiquei meio envergonhado, quando fui “conversar com Calebe, pedindo o conselho dele. Até pensei em parar os afazeres para gastar tempo com esse assunto sobre conforto e descanso no início da terceira idade. Mas, “recebi uma mensagem....resposta de Calebe dizendo que também não poderia estar presente pois, embora com oitenta e cinco anos, estaria envolvido com a geração mais jovem no processo de tomada da terra prometida. Foi um tremendo impacto na minha vida com cinquenta e sete anos, e ele com oitenta e cinco dizendo que estava pronto pra entrar na guerra lutar e sair dela com a força do Senhor.

Desculpe meu amigo, fiquei interessado em gastar tempo com o assunto, pois acho importante investir num plano de aposentadoria possível, e estou fazendo isso, bem como construir alguém imóvel para família, o que também tenho feito. Mas, “me encontrei” com o apóstolo Paulo e ele disse que também não pode ir... embora quisesse participar da doce comunhão de irmãos experientes no ministério, mas perdeu tudo por amor a Cristo, está preso e pobre, animadíssimo com o ministério na sua velhice, e só não ia continuar o ministério, pois infelizmente, descobriu que está para ser morto pelo império. Já sabe que não terá aposentadoria...

Desculpe amigo, penso que é melhor fazer como você tem feito, servindo ao Senhor, escrevendo seus livros, vivendo a igreja e impactando uma nova geração de líderes na plantação de novas igrejas.

Nisso sim, estou contigo, vibro pelo privilégio de não me ter agarrado a nenhuma estrutura como se fosse minha até o momento. Quero gastar meu tempo ajudando na pregação do evangelho, fazendo discípulos maduros e capacitados para exercerem liderança de influência na terra, e se o Senhor se agradar, como você mesmo disse, espero deixar com outros irmãos, algumas igrejas plantadas para a glória do Senhor.

Permita-me testemunhar: tem sido privilégio imenso formar líderes nos seminários, participar da renovação de sonhos nos cursos de mestrado nos quais ministro, pastorear pastores por meio do Life on Life...Poderia até achar que não precisaria fazer mais nada...mas quero viver o discipulado, como você disse...dando passos a mais, batizando pessoas e plantando igrejas para futuros pastores cuidarem delas...sou imensamente grato ao Senhor pelo chamado, diante do qual em nenhum dia sequer pensei em desistir...



E você, o que pensa sobre isto? Qual sua conclusão?

Bem, queria ponderar um pouco sobre isto a partir das Escrituras, e depois trazer alguns insights práticos. Me sentiria muito feliz se pudesse receber feedbacks, favoráveis ou não, aos meus arrazoados.

Tempo de ação sacerdotal no Antigo Testamento

Estudar a Bíblia é a única forma que temos para nos livrar de pressões sócio-culturais e extrairmos os princípios bíblicos. Será que a Bíblia diz alguma coisa sobre este tema? Embora ela não fale das funções leigas nem fale de aposentadoria, os levitas tinham seu trabalho no tabernáculo claramente regulamentados por Deus.

“Ordenou a Moisés: E falou o Senhor a Moisés, dizendo: Este é o ofício dos levitas: Da idade de vinte e cinco anos para cima entrarão, para fazerem o serviço no ministério da tenda da congregação; Mas desde a idade de cinquenta anos sairão do serviço deste ministério, e nunca mais servirão; Porém com os seus irmãos servirão na tenda da congregação, para terem cuidado da guarda; mas o ministério não exercerão; assim farás com os levitas quanto aos seus deveres” (Nm 8.23-26) .

Os levitas se aposentavam, mas não se retiravam de todo o serviço. Eles ainda podiam voluntariamente “ministrar aos seus irmãos na tenda de reunião, cuidando da obrigação”. Eles provavelmente serviam de conselheiros e ajudavam a cuidar de parte do trabalho mais leve incluído na obrigação dos levitas, mas eram poupados do trabalho mais pesado, que incluía montar e desmontar o tabernáculo, ajudar eventualmente nos sacrifícios, cuidar do templo e de sua manutenção..

Quando Ezequiel começou a ter suas visões ele tinha cerca de 30 anos (Ez 1.1), idade em que os sacerdotes começavam suas atividades. Quando teve sua última visão, tinha 50 anos, a idade em que um sacerdote se aposentava. Isto é muito significativo.

A Bíblia não declara especificamente a idade para a aposentadoria dos sacerdotes. Há uma inferência que o mesmo critério aplicado ao levita era o do sacerdote. Entretanto, a função do sumo sacerdote era vitalícia (Nm 8.24,25). Arão tinha 83 anos de idade quando compareceu com Moisés perante Faraó. (Ex 7.7) e tinha 123 anos quando morreu. Durante todo este tempo ele serviu, sem se retirar do cargo. (Nm 20.28).  Em Números observamos que o homicida que fosse para as cidades refúgios, só poderiam sair de lá quando morresse o sumo sacerdote (Nm 35.25).

Um pastor se aposenta?

No sentido estrito do termo pastor não se aposenta. Ele jubila. A palavra latina emeritus, está no dicionário Aurélio e significa simplesmente jubilado. Não se trata de alguém que encerrou as suas atividades, que terminou seu mandato. Não há como se aposentar do ministério, porque aposentar significa parar ou não trabalhar mais. O pastor continua sendo pastor.

Numa conversa recente com minha esposa, eu disse que nunca deixaria de ser pastor porque pastorado para mim não é profissão, é chamado. Portanto, posso me afastar das funções eclesiásticas e administrativas, e gostaria de fazer isto aos 65 anos, mas em hipótese alguma cogito me afastar da ação pastoral. Interiormente creio que serei melhor pastor, afastando-me das exigências denominacionais que desgastam tanto e que ocupam tanto minha agenda, e me aplicando mais ao dom pastoral. O oficio pastoral é bem mais complicado...
Num sentido estrito, o mesmo se aplica aos cristãos. Um crente deveria se aposentar? Todos fazemos planos acerca do futuro, a possibilidade de ter tempo para gastar com aquilo que gostamos, sem bater o ponto, sem ter que estar pensando nas atividades diárias, maçantes e rotineiras. Embora não seja pecado prepararmos para a aposentadoria, nossa vida não pode refletir apenas o desejo de bem estar e conforto, mas de missão, vida de compromisso com o reino de Deus.  O salmista afirma: "Louvarei ao Senhor por toda a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus enquanto eu viver." (Sl 146.2). Desta forma, um discípulo de Cristo nunca deve abandonar a obra, mas deve morrer glorificando a Deus em sua vida e compromisso com o reino de Deus, afinal, nossa vida deve ser vivida para a obra de Deus. Enquanto vivermos devemos prestar nosso louvor a Ele. Nunca devemos pensar que já trabalhamos o suficiente para Deus e agora devemos parar.

Qual a vontade de Deus para a aposentadoria? Devemos seguir aquilo que Deus pede de nós; Uma coisa é nos aposentarmos da vida cotidiana; outra é nos aposentarmos de Deus. O site got questions, traz algumas diretrizes interessantes sobre qual deve ser o ponto de vista cristão sobre a aposentadoria.

1) Talvez nos aposentemos do ministério “tempo integral”, mas nunca devemos nos aposentar de servir a Deus, mesmo que a forma na qual O servimos mude. Há um exemplo das pessoas bem idosas em Lucas 2.25-38 (Simeão e Ana) que continuaram a servir ao Senhor fielmente na sua velhice. Essa passagem se refere a uma viúva idosa que ministra ao Senhor no templo diariamente com jejuns e orações. Tito 2 afirma que os homens e mulheres mais velhos devem ensinar aos mais jovens a como se comportarem através de seu exemplo.

2) Os anos de aposentadoria não devem ser vividos apenas para divertimento. Paulo diz que uma viúva que vive para prazeres já está morta, apesar de ainda viver (1 Tm 5.6). Contrária à instrução bíblica, muitos pensam na aposentadoria como “busca de divertimento”. Isso não significa que os aposentados não possam desfrutar do lazer e atividades sociais ou outras atividades. No entanto, esse não deve ser o foco principal de sua vida, qualquer que seja sua idade.

3) Na segunda carta aos Coríntios 12.14 Paulo afirma que os pais devem economizar para os seus filhos. De longe, a coisa mais importante que deve “guardada” é a herança espiritual que pode ser passada aos filhos, netos e bisnetos. James Dobson, no seu livro, Straight Talk to Men and Their Wives, fala do seu avô que, durante os seus anos de velhice, passava uma hora por dia antes do almoço orando por seus descendentes, tanto os que já viviam quanto os que ainda iam nascer. Um dia ele anunciou à sua família que Deus o informara que todos os seus descendentes até a quarta geração iriam se tornar Cristão. James Dobson era dessa quarta geração e realmente todos os que foram das gerações anteriores não só se converteram, mas eram ministros ou se casaram com ministros da denominação da qual o seu avô tinha sido parte. James Dobson era o primeiro a não entrar no ministério.

Em resumo, quando alguém chega à idade de aposentadoria (qualquer que seja), sua vocação pode mudar, mas o trabalho principal de sua vida não muda. E geralmente são esses “anciãos” que, depois de andarem com Deus por todas as suas vidas, podem retratar as verdades da Palavra de Deus ao compartilharem como Deus tem trabalhado em suas vidas. A oração do salmista deve ser nossa oração à medida que envelhecemos (Salmo 71.18): “Agora também, quando estou velho e de cabelos brancos, não me desampares, ó Deus, até que tenha anunciado a tua força a esta geração, e o teu poder a todos os vindouros.”

O Cristão não deve nunca se aposentar do serviço cristão; ele apenas muda o endereço do seu trabalho.

Repensando a forma de fazer ministério

Refletindo sobre este tema, tenho considerado numa “agenda positiva”, para pastores aposentados ou em processo de se aposentar:

Primeiro, evite transições traumáticas.

Muitos pastores fazem um belíssimo trabalho em suas igrejas, eventualmente durante décadas, e saem amargurados, ressentidos do tratamento recebido, simplesmente por não entenderem os sinais de desgaste e não compreenderem a hora de sair. Todo pastor deveria sair com honra de seu ministério, principalmente quando exerceu longa, fiel e produtivamente seu pastoreio.

A vida tem ciclos, e não é fácil ser otimista em cada uma destas etapas. Imagine um funcionário que serviu a mesma empresa por anos, e precisa abandonar sua mesa; ou um idoso que precisa morar com seus filhos e deixa a sua casa porque a idade não lhe permite mais morar sozinho, deixando seus velhos móveis que faziam sentido para ele mas não podem ser levados onde vão morar.

Creio que nestas horas, por causa da dificuldade em entender processos, podemos perder a alegria de tudo que fizemos, e envelhecer com celebração na alma. Há um grande risco da amargura e ressentimento dominarem o coração de um velho pastor. Cada um de nós conhece várias histórias positivas e negativas de pastores que sofreram ou lidaram bem com esta transição.

Segundo, se prepare financeiramente para este tempo.

Vivemos num país com um sistema de aposentadoria muito cruel. Durante 38 anos contribui para o INSS, pensando na minha aposentadoria. A maioria dos pastores não pensa em nada disto, sempre dando desculpas de ganhar pouco e responsabilizando a igreja e missão. Desculpe, mas isto é responsabilidade sua. Você tem que planejar! Não arranje bodes expiatórios... seja proativo!. Infelizmente, depois de 38 anos, vejo que o que recebo é insuficiente para minhas demandas. Felizmente tenho outros investimentos que me dão suporte.  Então, você que ainda tem tempo, planeje sua vida. Conheço bons profissionais que tratam disto e boas empresas nesta área. Fale comigo e eu lhe encaminho contato de pessoas sérias e cristãs para você fazer seu planejamento financeiro. Quanto mais cedo começar, menor será o investimento e melhor será sua aposentadoria.

Terceiro, se prepare emocionalmente

Não é fácil abrir mão do salário, mas pior ainda é abrir mão do poder. Pastores são líderes, as pessoas nos ouvem, somos “presidentes” do conselho local de uma igreja, as pessoas nos respeitam pelo cargo. De repente, a liderança não é mais nossa. O novo pastor que chega tem outra visão, e muda tudo o que você planejou, e ninguém quer ouvir sua opinião e, mais ameaçador ainda, todos estão muito felizes... Obrigado! Tenho um bom e confortável escritório, onde reúno minha equipe, dou as diretrizes, lidero a igreja. Alguns dias atrás olhei para as estantes com aquele tanto de livro e me perguntei como será tirar todos eles da prateleira?

Se não nos prepararmos sofreremos demais... nos preparando, sofreremos...menos!

Seja como for, não envelheça aborrecido e ranzinza. Não seja um velho pastor chato, criticando a juventude, achando que seu tempo é que era bom, e que você era o melhor pastor do mundo. Você sabe que não era... Sua igreja sabe que você não era... Não saia chutando o balde, acusando e brigando com todos. Saia com honra! A igreja provavelmente vai lhe dar uma placa de reconhecimento, uma sala com seu nome, e, se for muito generosa, um complemento salarial ou um plano de saúde... Sua denominação? Fará um culto de jubilação, lhe dará uma placa, publicará seu nome numa ata e num jornal que ninguém lerá... ria disto! Não transforme isto num pesadelo. Seja sensato...

Um exemplo simples

Meu sogro, Rev. Samuel José de Paula exerceu fielmente o ministério pastoral como pastor efetivo da IPB, por 37 anos. Quando completou 65 anos, aposentou e interrompeu suas atividades ministeriais para dar apoio aos sogros. Ao chegar a Piracicaba-SP, procurou o pastor da igreja e disse: “Estou me mudando para cá, minha esposa é pianista e regente de coral, queremos servir à igreja, mas não queremos vinculo oficial. Se o Senhor precisar de nós, queremos servir como pessoas que amam a Deus. O pastor local, sabiamente pediu para que ele assumisse o ministério de visitação, o trabalho masculino, a reunião de oração, e eventualmente aulas na Escola Dominical. Um dia o conselho vendo seu amor pela obra, com amor e sensibilidade, decidiu dar-lhe um salário, ele recusou: “Não quero vínculos, quero estar livre para visitar meus filhos e sair quando quiser”. Ainda assim, o conselho resolveu conceder, vitaliciamente, sem qualquer contrapartida oficial, um salário mínimo mensal, que complementava a sua pequena aposentadoria no INSS.

Quando já estava com 81 anos, continuava exercendo fielmente o ministério, nos termos que ele mesmo estabelecera. Um dia, foi visitar um casal da igreja que estava ausente, aconselhou e ouviu algumas críticas pastorais. Meu sogro os encorajou a voltarem para a igreja. No dia seguinte, depois de uma visita médica de rotina, sofreu um AVC hemorrágico, entrou em coma e uma semana depois morreu. Assim, ele produziu fruto, até o último dia de sua vida.

Este casal, posteriormente comovido disse: “Se o Rev. Samuel foi enviado por Deus para realizar seu último pastoral em nossa casa, é porque Deus estava certamente preocupado com nossa vida”, e assim, os dois retornaram aos seus compromissos como membros daquela igreja local.

Sua aposentadoria não significou apatia ou reclusão. Significou mudança de atividades e formas diferentes de realizar seu ministério. Nunca se afastou do presbitério, cuidava da secretaria de ação pastoral e em todos os aniversários dos pastores e esposas de pastores do presbitério, enviava uma carta pessoal de parabéns e encorajamento, e muitas vezes visitava a todos para orar pelas suas vidas, famílias e ministério.

Post Scriptum

Uma advertência Bíblica parece ser apropriada. Paulo afirmou: “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1 Co 9.27). Não dá para chegar no final do segundo tempo, desqualificado, depois de tanto preparo, investimento e sacrifício. Não estamos numa corrida de 100 metros rasos, mas numa maratona. “Aquele que perseverar até o fim, será salvo”. A corrida ainda não acabou! Precisamos avançar olhando firme para o Autor e consumador da nossa fé.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Mt 6.25-34 Não andeis ansiosos


Antes de ler o estudo:
Iniciei postagem de uma forma mais organizada em um site que comecei a formar. Ele ainda está sendo elaborado, mas ajudará na sua pesquisa, caso esteja acompanhando, a exposição de meus sermões. Agora estou expondo o livro de Atos.
dê uma olhada lá. Sua disposição será bem mais fácil de pesquisar que no Blog. 
samuelvieira.com


Questões introdutórias:

1.       O que você entende por ansiedade?

2.       Você se considera uma pessoa ansiosa?

3.       O que mais lhe causa ansiedade?

4.       Quer compartilhar com o grupo alguma experiência negativa ou positiva que você teve em relação à ansiedade? Como as coisas foram resolvidas?

5.       Você já se surpreendeu com pensamentos angustiantes sobre sua vida, do tipo: “O que vai acontecer com minha vida se a saúde faltar? Como será se um parente adoecer e eu tiver que parar minha vida para cuidar dele? Será que vou conseguir cuidar do meu filho até que ele cresça? E se sofrer um acidente e ficar inválido. Será que não vou sucumbir no meio do caminho? E se uma pessoa querida morrer?”

Neste texto Jesus fala sobre como lidar com a ansiedade. Ele via que seus discípulos sofriam com isto e quis lhes ensinar a colocar sua confiança em Deus.

Eis alguns princípios:

1. Quem dá o essencial, dá o secundário - "Portanto eu lhes digo: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa?” (Mt 6.25). Nesta pergunta retórica, ele usa a lógica falando do maior para o menor: Se Deus deu a vida, certamente vai dar alimento para a sua manutenção. 

Vida é (essência), alimento é secundário. Se Deus deu o corpo, certamente vai dar as vestes. Corpo, essência; vestes, secundário. Deus deu-nos a vida e nos dará condições para suportá-la. Se Deus cuida do maior, não podemos confiar nele para cuidar do menor?

2. Quem cuida dos animais, também vai cuidar de nós – “Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas?” (Mt 6.26). Ele pede aos discípulos que fixem seus os olhos para enxergar bem. O fato é que "Ele faz das aves nossos professores e mestres, um frágil pardal se torna pregador e teólogo” (Lutero).

3. A ansiedade não coopera em nada – “Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida?” (Mt 6.27). Somos impotentes diante de boa parte dos problemas, são realidades que não podemos mudar, portanto, a ansiedade é incompatível com o bom senso. A ansiedade não ajuda em nada. A ansiedade nos faz sofrer duas vezes: Rouba-nos a saúde, afeta o julgamento crítico, esvazia o poder de decisão e nos leva, progressivamente, a ter mais dificuldade em lidar com as questões práticas da vida.

4. Ansiedade é própria de quem não tem Deus – “Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas” (Mt 6.32). Dr. Julian Huxley dizia: "A vida é acidental e contingencial", e como pagão ele está absolutamente certo. Os cristãos, porém, não concordam com isto. Nossa vida não é resultado do acaso, mas da providência de um Deus amoroso. Ansiedade é essencialmente falta de confiança em Deus. Ansiedade é resultante da falta de fé vigorosa em Deus. Preocupação nunca é causada por circunstâncias externas. A mesma circunstância que para um pode trazer morte, para outro, pode ser encarada com serenidade. Preocupação e serenidade não vem das circunstâncias, e sim do coração.

5. Toda preocupação é sobre o amanhã – “Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal" (Mt 6.24).  
Literalmente é uma “pré-ocupação”, ou uma preocupação antecipada: Empregos, exames, casamentos, saúde, empreendimentos. Cada dia deve ser resolvido a seu próprio tempo. Portanto, "Não atravesse a ponte antes de chegar ao rio". Estatisticamente, 80% dos problemas que hoje o afligem, nunca se tornarão em reais problemas amanhã.

6. Quem vive ansioso, não tem como voltar sua atenção para as coisas de Deus – “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Mt 6.33). Como pensar nas coisas de Deus se a mente é totalmente carregada de pré-ocupações e ansiedade.

O diabo quer que coloquemos nossos olhos em duas direções: Passado ou futuro. Quer que a gente coloque nossos olhos nos ressentimentos, na história de vida que poderíamos ter e não tivemos, nos erros acumulados na história, naquilo que as pessoas fizeram conosco, e assim nos tornamos pessoas incapazes de perdoar e amarga, pendurado no passado. Ou no futuro – leva-nos a colocar os olhos em problemas e situações imaginárias que nos atormentam e não deixa que vivamos o presente. Pessoas ansiosas se tornam inativas, tensas e imobilizadas.

Conclusão:
A. Pare de olhar para dentro de você, e olhe para fora – Veja as possibilidades da vida. Veja o Deus criador. Olhe a natureza, o luar, a criação harmônica do cosmos criado por Deus. Se continuarmos olhando para nosso mundo, ficamos pequenos e limitados. Somos convidados por Deus para avançarmos e apreciarmos o seu cuidado. Pare de fazer movimentos de viagem para dentro de si mesmo, e olhe para a realidade do Deus criador. A ansiedade é uma recusa a aprender a lição da natureza. Jesus recomenda aos homens que olhem os pássaros. 

B. Confie no caráter de Deus – Muito de nossa ansiedade decorre do fato de que não confiamos em Deus, e naquilo que ele é. Coloque sua confiança em Deus. Ao nos convidar para olhar os lírios do campo, Jesus está nos encorajando a apreciar as flores, olhar atentamente para os pássaros. Dê um tempo para apreciar o cuidado de Deus, a natureza. Aprenda a lição da natureza. O Deus, onipotente, poderoso, grande em poder e majestade está por detrás de tudo isto. Não seria esta uma razão para a gente descansar.

C. Transforme sua ansiedade em oração – Muitos de nós somos tendentes ao desespero e à preocupação. Coloque isto diante de Deus. “Não andeis ansiosos por cousa alguma, antes sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pelas orações, suplicas e ações de graças, e a paz de Deus que excede todo o vosso entendimento guardará vossas mentes e corações” (Fp 4.6-8). Este é um exercício e um dinamismo poderoso. Toda vez que a pré-ocupação bater à porta, encaminhe-a a Deus.






quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Os dons Espirituais


OS DONS ESPIRITUAIS

Existem vários dons especificados nas Escrituras, mas poucos cristãos tem conhecimento desta lista.  Ela é suficiente para que tenhamos uma ideia clara daquilo que Jesus dispôs para sua igreja. As principais listas estão em Rm.12:3-8;  I Co.12:7-11 e Ef. 4:11. Uma simples leitura destes textos, nos abre um leque imenso de estudo. Os dons apresentados nas Escrituras, não são exaustivos, isto é, não esgotam a totalidade dos dons que Deus dispõe para sua igreja, mas é uma lista bem ampla.

Para efeito didático, estudaremos tais dons da seguinte forma:

DONS DE                                            DONS DE                                   DONS DE
   SINAIS                                             SERVICO                                     APOIO

*Profecia- Rm.12:6                *Ministerio(diako-                   *Profecia- Rm 12:6
I Co.14:1 e Ef.4:11.                     nia) - Rm. 12:7                           (pro+fos) ver I Co. 14:3
Ver Atos 21:10-11                     
Fé I Co.12:9                             *Misericórdia -                         *Ensino- Rm.12:8
                                                        Rm.12:8                                        (Didaskalous)

*Dons de cura                        *Exortação-Rm 12:8                  *Sabedoria- Rm.12:8
   ICo.12:9                                      (parakletos) 

*Operações de mila               *Contribuição -                        *Palavra de conheci-                  
     gres-I Co.12:10                            Rm. 12:8                                 mento - I Co. 12:8

*Discernimento de                *Presidência -                           *Apóstolo - Ef.4:11
Espiritos ICo.12:10                      Rm.12:8                                  (missionário)

*Variedade de lin-                 *Evangelista- Ef.4:11               *Mestres - Ef. 4:11 
guas (Glossolalia)
 I Co. 12:10              
                                                
*Interpretação de                  *Pastores - Ef. 4:11
linguas - I Co.12:10

Qual e o critério para que recebamos os dons espirituais?

1. Ser ______________________ ______  de novo  - Os dons são "espirituais".

2. Estar ______________________________  para recebê-lo  -  I Co.12:7

3. A percepção que Cristo tem do seu corpo - Ef.4:7    "metron"

4. Os dons são dados de acordo com os proósitos de Deus- I Co. 12:11

6. Para o bom funcionamento do corpo - I Co.12:12
            .Diversidade (pluralidade) - "Muitos membros".
            .Unidade (integridade) - "Um só corpo".

Observações práticas
:
1. O dom não é para satisfação pessoal.

2. O dom não te faz melhor que ninguém, apenas menos ruim do que você era;

3. Dom nunca gera desavença, sempre harmonia;

4. Dom não implica em desordem - I Co.14:32,33

5. Dom é sempre benção, nunca problema.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Mt 6.24 Deus e o dinheiro




Questões introdutórias:

A.      Que lugar o dinheiro ocupa em sua vida?

B.      Pelo que você tem trabalhado? Para que você tem vivido?

C.      Quais são os seus desejos mais fortes? No que você gasta suas energias?

D.      Por que amamos tanto o dinheiro?

Martinho Lutero: “Três conversões são necessárias: a conversão do coração, da mente e do bolso”.
A verdade, Você pode ter dois amigos, dois hobbies, dois empregos, mas não pode ter dois senhores. Muitos são consumidos pelos cuidados do mundo e a fascinação das riquezas (Mt 13.22). Jesus falou acerca do dinheiro com maior frequência do que sobre qualquer outro assunto, com exceção do reino de Deus.

O que Jesus ensina sobre o dinheiro:

1.       Dinheiro é uma potestade – “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. Jesus usa o termo aramaico “mamon”, como entidade e Deus rival. Para ele, dinheiro não é um meio interpessoal de intercâmbio, nem é moralmente neutro, mas um poder que tenta dominar-nos. Ele nos dá aparente segurança, liberdade, felicidade e parece onipotente.

2.       “Nossos corações tem lugar apenas para uma plena devoção, e somente podemos agarrar-nos a um Senhor”. (Bonhoeffer). O dinheiro tem poder para conquistar nossos corações.

3.       Muitas vezes o dinheiro tem se tornado idolátrico, e precisamos rejeitar o Deus mamon para nos tornarmos discípulos de Cristo.

Mitos sobre o dinheiro:
a.       O dinheiro traz felicidade

b.      O dinheiro traz segurança – 1 Tm 6.7

Conclusão:
1.       Considere a face luminosa do dinheiro (Foster).

a.       Dinheiro como benção de Deus – As coisas materiais não devem ser desprezadas ou consideradas como algo contrário a verdadeira espiritualidade.

b.      Meio de intensificar nosso relacionamento com Deus – Mulheres ricas sustentaram o ministério de Jesus (Lc 8.2-3)

c.       A graça de dar – o dinheiro é uma forma eficaz de demonstrar nosso amor a Deus por ser parte tão integral de nossa vida. Deus nos livra da tirania do dinheiro.

d.      Aqueles que creem podem e devem ser chamados a ocupar posições de poder, riqueza e influência. Alguns são chamados a ganhar dinheiro – muito dinheiro – para a glória de Deus. Recursos podem ser canalizados para ministérios que produzem vida. Dinheiro comunica morte, mas pode comunicar vida.

2.       Deus não reparte sua adoração

3.       Entremos em contato com nossos sentimentos acerca do dinheiro. (Foster)

4.       O desejo por riqueza pode nos destruir – 1 Tm 6.9-10

5.       O dinheiro nunca é bastante para nos satisfazer – Ec 5.10

6.       Fuja do amor ao dinheiro – 1 Tm 6.10-11

7.       Zombe do seu ídolo mamon – como é possível zombar de um deus tão poderoso? A resposta é direta: Doe!

Ilustração:
Em seu livro SATISFACTION Joseph Aldrich narra uma história dramática:

Suponhamos que você tivesse chegado ao topo, com dez dos mais bem sucedidos empresários do mundo que se reuniram no Edgewater Beach Hotel de Chicago em 1923. A guisa de ilustração, imagine-se invisível: o número 11 dessa reunião histórica. Você está ao lado de gigantes do mundo dos negócios. Olhando à sua volta, você vê naquele elegante salão:

O presidente de uma grande companhia de aço; 2) O presidente da National City Bank; 3) O presidente de uma grande companhia de aparelhos elétricos; 4) O presidente de uma companhia de gás; 5) O presidente do New York Stock Exchange; 6) Um grande especulador de trigo; 7) Um membro do gabinete do presidente; 8) O diretor do maior monopólio do mundo; 9) O líder da Wall Strett; 10) O presidente do Bank of International Settlement… e você!

A conversa casual gira em torno de iates, férias exóticas, casas, propriedades, clubes e assombrosas transações financeiras. Esses homens acharam a mina! São donos do mundo! Eles não precisam procurar coisa alguma. Têm tudo e muito mais.

O que aconteceu com esses dez homens que chegaram ao topo da carreira, 25 anos mais tarde?

O presidente da Companhia de Aparelhos Elétricos morreu como fugitivo da justiça, sem dinheiro e em terra estrangeira.
1.       O presidente da Companhia de Gás ficou completamente louco.
2.       O presidente do New York Stock Exchange foi solto da penitenciária de Sing-Sing.
3.       O membro do gabinete do presidente teve sua pena comutada para que pudesse morrer em casa.
4.       O grande especulador de trigo morreu no estrangeiro falido.
5.       O líder da Wall Street suicidou-se.
6.       O diretor do maior monopólio do mundo morreu… também suicidou.
7.       O presidente do Bank of International Settlement teve o mesmo fim, suicidou.

Todos esses dados são verídicos. Irônico, não? JESUS disse: “A vida de um homem não consiste na abundância de bens que ele possui’. Em vez de pôr a confiança na instabilidade da riqueza, devemos pô-la em Deus.