sexta-feira, 14 de junho de 2013

Ct 2.15 APANHAI-ME AS RAPOSINHAS



Introdução:


O que significa esta expressão quando olhamos o contexto do livro de Cantares? Que mensagem figurativa estas raposinhas nos trazem?
O texto afirma que elas devastam os vinhedos, e são uma grande ameaça às vides em flor. Elas destroem as flores, símbolo da alegria e da graça, e ainda prenunciam outro desastre maior: Eliminam a possibilidade de colheita, já que das flores surgem os frutos. Estes "pequenos invasores" são, portanto, altamente destrutivos, precisam ser localizados e pegos. Não podem andar em liberdade caso contrário destruem as vides em flor, causando grandes males.
No contexto de Cantares, e a partir dele, gostaríamos de falar de algumas destas ameaças destrutivas que rondam nossas casas.

  1. Sistema Social – Esta é uma das grandes ameaças que percebemos no texto, e uma das grandes ameaças de hoje. A Sunamita é retirada da casa de seu pai, e Salomão paga os mil siclos, que era o valor do penhor dado à família (Ct 8.12). Literalmente ela é vendida num mercado de competição, numa sociedade inescrupulosa. A família, também, ao mesmo tempo que é vítima de um sistema, reproduz este sistema, aceitando a troca.
No contexto de Cantares, e a partir dele, gostaríamos de falar de algumas destas ameaças destrutivas que rondam nossas casas. Existem pecados endêmicos, sistêmicos e estruturais na sociedade, que afetam gerações, como podemos perceber em Sodoma e Gomorra, quando o texto nos diz que "velhos e jovens", queriam participar de uma bacanal. Aquele comportamento transcendia o limite de um ato de vandalismo isolado, e fazia parte de uma sociedade como todo. São comunidades que perderam o conceito de valor (Ex Gn 19.4).
O “peer pressure”, o conteúdo didático, a cultura, tornam-se grandes ameaças à unidade, alegria e prazer do casamento, destruindo as vides em flor. Precisamos estar alertas contra a força da cultura que nos rodeia. É importante lembrar que quando o homem pecou, toda sua mente, valores e cultura, também caíram. Vivemos numa sociedade pervertida e corrupta, que nos pressiona a reproduzir o modelo que ela mesma criou.
Vejamos como o sistema opera no texto:

q       A força dos poderosos – Com sua capacidade de comprar, dispor, negociar (Ct 8.12). Numa sociedade capitalista, o dinheiro passa a ter um poder quase absoluto, e precisamos aprender a resistir à sua força, e destruir seu poder idolátrico que é exercido sobre nós, seres caídos numa sociedade caída.

q       A fragilidade das famílias – A família da Sunamita permite que sua filha seja vendida e trocada como mercadoria. Ela é negociada para atender a um sistema e assim, entregue a Salomão, mesmo que pessoalmente se sinta impotente e massacrada como revela no início do livro de Cantares. “A vinha, porém, que me pertence, não a guardei” (Ct 1.6). Sua afirmação revela sua tristeza e incapacidade de fazer alguma coisa.

q       O conceito da comunidade – expresso nas “filhas de Jerusalém", (Ct 2.7; 3.5; 5.8) que vivem no harém do rei (Ct 1.4) e que não apenas aderiram ao modelo social, achando a atitude do rei como normal, mas que tentam exercer pressão, mesmo diante das seguidas afirmações da sulamita para que não forçassem o amor, até que este brotasse naturalmente.

Vivemos realidades semelhantes hoje:
q       Pressão da mídia: Que insiste em nos fazer concordar, aceitar e até mesmo agir de acordo com aquilo que julgam ser eticamente correto. Somos diariamente bombardeados a crer que o homossexualismo é normal e eventualmente deve ser até encorajado; revistas bombardeiam nossas crianças e jovens a terem sexo cada vez mais precocemente, provocando uma erotização de nossa cultura. O sexo pré conjugal e a perda da virgindade são não apenas aceitos, mas estimulados. O mesmo atinge a família com o bombardeio contra sua santidade, e encorajamento ao adultério.

q       Valores familiares em crise: Pais não sabem mais o que é certo. Tudo é relativo, circunstancial. Os filhos vivem no meio de uma sociedade que pressiona, a família desorientada. Não há limites para a sensualidade e quebra de decoro. Músicas e artes conspiram contra tudo aquilo que até bem pouco tempo atrás era considerado decoro. Recentemente uma pessoa esteve numa festa de rodeio, e um cantor chegou no palco e disse para estimular a platéia: “Quem aqui já adulterou hoje?” e obtendo uma resposta quase unânime de apoio.

  1. Falta de fidelidade -  Esta é a segunda “raposinha” que devasta o vinhedo em flor, que rouba a alegria de uma casa, e que mata a possibilidade do surgimento de frutos maduros: Trata-se do adultério, que apesar de ser tão corriqueiro em nossa cultura, traz grandes depressões, dores e stress numa família. Quem viveu com a realidade da infidelidade dentro de casa, e teve que ver discussões, ameaças, dores, culpa e raiva por causa da traição, sabe muito bem do que estou falando.

Em Cantares vemos:
q       A angústia da sulamita: Existe uma oposição entre a tristeza revelada no texto inicial de Ct 1.6, com a alegria dela no final do livro (Ct 8,10,12). Este paradoxo intencional aponta para uma dialética. O livro possui uma progressão e parece nos revelar que, apesar de toda pressão que ela enfrentou, ela foi tida por “digna da confiança de seu amado”.

q       O texto de Cantares exalta a fidelidade, faz críticas  ao sistemas e zomba da exploração. O amor é reservado (7.13), exclusivo, privado (4.12; 5.1) e o relacionamento é marcado por compromissos e uso símbolos (Ct 8.6). Tudo isto revela a importância de não permitirmos que a infidelidade norteie nossas relações.

Na verdade, uma das “raposinhas mais devastadoras” de um relacionamento é a infidelidade. Poucas coisas são tão nocivas à vitalidade de um casamento e a beleza do encontro de um homem como uma mulher.

3.       Falta de confiança, credibilidade e ciúme (Ct 8.6-7). A terceira ameaça que podemos encontrar passa por estas vias do ciúme e da desconfiança.
A idéia central de Cantares encontra-se nestes versículos: “Coloque-me como um selo sobre o seu coração; como um selo sobre o seu braço; pois o amor é tão forte quanto a morte, e o ciúme é tão inflexível quanto a sepultura. Suas brasas são fogo ardente, são labaredas do Senhor. Nem muitas águas conseguem apagar o amor; os rios não conseguem levá-lo na correnteza. Se alguém oferecesse todas as riquezas da sua casa para adquirir o amor, seria totalmente desprezado (Ct 8.6-7)
Uma das coisas mais bonitas em Cantares é a presença da confiança entre os cônjuges. O lamento dela em Ct 1.6 “A vinha que me pertence, esta não a guardei”, contrasta com o orgulho que sente ao afirmar: “Eu sou um muro, sendo assim, fui tida por digna da confiança do meu amado” (Ct 8.10). Ela se sente muito feliz em não deixar nenhuma sombra de dúvida sobre seu compromisso, fidelidade e amor.
Muitos casamentos são marcados por cenas de ciúmes, e atitude que geram duvidas sobre a seriedade do compromisso. O ciúme é descrito no texto como algo que é “duro como a sepultura”. De fato, ciúme possui uma anatomia complicada:

A.      Ele é muitas vezes causado por nossa própria infidelidade – Pessoas infiéis tendem a desconfiar do outro. Mesmo que sua infidelidade seja apenas no nível da mente. Desta forma, a insegurança que ela sente sobre si mesma, ela projeta no parceiro.

B.       Tentativa patológica de proteção e controle – Pessoas ciumentas acreditam que por estabelecer um sistema de vigilância vão conseguir controlar o outro. A verdade é que ninguém consegue controlar, nem impedir que a pessoa infiel se comporte assim. Uma hora, “baixa-se a guarda!”, e o infiel vai correr atrás de sua carniça!

C.      Resultado da nossa baixa auto-estima – Muitas vezes o ciúme decorre do fato de que achamos que o outro, por ser superior, ou mais bonito, nunca nos ama. Pessoas possessivas tendem a ter uma auto estima baixa.

D.      Insegurança real ou imaginária – Eventualmente o ciúme brota porque o outro deu motivos para se desconfiar, mas muitas vezes ele existe por causa de uma insegurança imaginária. Vemos fantasmas e criamos associações complexas que não tem qualquer sintonia com a realidade.

Em Cantares vemos muitas verdades sobre, lealdade, espera e perseverança no amor. O conteúdo literário do livro exalta o fato de que eles confiam um no outro. O amor não gera suspeita. Eles são tidos por digno de confiança!

4.       Perda do Romantismo – Em Cantares temos muita linguagem romântica, carregada de afeto. Em Cantares 2.10 vemos a afirmação: “O meu amado fala e me diz”. Percebemos aqui que a gíria “falou e disse” foi criada há muitos anos atrás. Quando se cultiva o romantismo, o casamento se fortalece. Mas a perda desta linguagem e atitude romântica torna-se uma das principais portas para o tédio, monotonia e indiferença no lar. E isto pode ser fatal para um relacionamento vibrante.
Uma das cantoras pops que mais aprecia é Barbra Streissand, Ela tem uma música cujo título é "You don't bring me flower, anymore". (Você não me traz mais flores!) É uma música muito triste mas que revela o fato de como a falta destes cuidados pode ser devastador para a alegria do casamento. Eu diria que esta é uma das “raposinhas que devastam os vinhedos”.
Quando somos namorados, nossa linguagem é toda cheia de cuidados, ternura, declaração de amor e paixão, mas com o passar do tempo, corremos o risco do marasmo e do distanciamento. Reconquistar esta dimensão necessária entre um homem e uma mulher, mantendo sempre a chama da alegria, é um dos grandes desafios que temos em nosso casamento.
A Sulamita afirma: “Se encontrarei o meu amor, que lhe direis? Que desfaleço de amor” (Ct 5.8). Esta declaração revela como o romantismo é preservado neste livro.

5.       Sensualidade pobre e vazia – Este é a quinta e última ameaça que podemos perceber em Cantares. O livro é carregado de sensualidade. A linguagem é rica e forte. Em Ct 4.16, logo após a declaração de exclusividade, intimidade e paixão que o amado e amante faz à Sulamita, podemos ver como ela reage: “Acorde, vento norte! Venha, vento sul! Soprem em meu jardim, para que a sua fragrância se espalhe ao seu redor. Que o meu amado entre em seu jardim e saboreie os seus deliciosos frutos” (Ct 4.16). Ela convida o amado para vir, e desfrutar dos frutos saborosos que “seu jardim” tem para lhe oferecer. Esta é uma linguagem sensual. Muitos lares padecem por causa de uma sexualidade pobre, e isto sempre abre portas para a desconfiança e a infidelidade.
A resposta do Amado, segue a mesma linha de desejo: “Entrei em meu jardim, minha irmã, minha noiva; ajuntei a minha mirra com as minhas especiarias. Comi o meu favo e o meu mel; Bebi o meu vinho e o meu leite. Comam, amigos, bebam e embriaguem-se, ó amados” (Ct 5.1). Ele não apenas afirma que aceitou o convite de sua amada, mas que não hesitou em “comer o favo com o mel”. Definitivamente uma linguagem sensual e erótica.
Em muitos lares, cristãos e não cristãos, falta esta celebração do encontro do homem com sua mulher. Sensualidade pobre é uma grande ameaça!
Veja a exortação da Palavra de Deus no livro de Provérbios: Seja bendita a sua fonte! “Alegre-se com a esposa da sua juventude. Gazela amorosa, corça graciosa; que os seios de sua esposa sempre o fartem de prazer, e sempre o embriaguem os carinhos dela” (Pv 5.18,19).Uma casa onde marido e mulher fazem sexo com alegria e prazer, tem muito pouco espaço para a infidelidade e a monotonia.
Quando há riqueza sexual dentro do casamento, como vemos em Cantares (Ct 8.3), não há necessidade de buscar fora (Pv 5.15-21).

Conclusão:

Neste livro o nome de Deus não aparece. Certamente existe alguma coisa intencional nisto. O que está acontecendo?
A presença de Deus é percebida da forma sensível como a ternura, o cuidado, os valores estão presentes. Deus é percebido não com discurso, mas com a prática de amor. Quando trazemos Deus para nossos relacionamentos interpessoais a sua fragância se revela em nosso viver.
Alguém levantou a idéia de que para que uma pessoa fosse batizada na igreja, nossa preocupação não deveria ser tanto teológica, mas ligadas aos afetos. Muitos aprendem muita coisa sobre Deus, mas não sobre a vida e sobre a família.

Gostaria de concluir fazendo dois apelos:

1. Para aqueles que ainda não receberam a Jesus em suas vidas- Abra o seu coração para que ele entre, a vida cristã começa com a presença de Deus em nossas vidas, quando o recebemos em nossa história.

2. Perdão, enternuramento, celebração, sexualidade e alegria, para aqueles que receberam Jesus mas ainda vivem uma vida pela metade. Deus tem um propósito maior para sua vida, e gostaria de sugerir que sua vida e alegria se revelasse em sua casa, numa vida de paixão, celebração e amizade.



Palestra preparada no El Rancho

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Comunicação na família




Recentemente fui convidado a ministrar palestras sobre comunicação no lar. Honestamente estou numa fase da vida em que, quando me dão temas para ministrar nunca me preocupo, essencialmente, em falar sobre o assunto solicitado. Apenas incluo uma “agenda” na palestra, que se conecte ao tema, e sigo adiante para ministrar aquilo que estou vivenciando. Então, quando me deram o tema, eu tinha algo na mente e fiz exatamente isto. Minhas razões eram lógicas demais para tomar tal decisão, como vocês verão a seguir.
Iniciei o tema “comunicação no lar”, falando ironicamente, que aquelas pessoas estavam diante de um expert em comunicação, e que elas poderiam estar seguras de que iriam “aprender demais com minha experiência”. A seguir relatei uma experiência que tive com minha esposa.

Um dia cheguei em casa e encontrei minha esposa mau humorada. Vocês já devem ter visto isto de alguma forma e em algum nível. Perguntei o que estava acontecendo e ela desabafou: “Nossa casamento está uma porcaria!”.

Usei toda minha capacidade de argumentação para destruir sua afirmação:
ü       O que você quer dizer com isto?
ü       Nossa vida pessoal em casa é desrespeitosa?
ü       Você já sofreu alguma violência física na convivência comigo?
ü       Nossa sexualidade está ruim?
ü       Nossa vida financeira é desorganizada?
ü       Nossos filhos estão confusos e desorientados?

E antes que continuasse na minha defesa ela afirmou: “Eh, mas a nossa comunicação está uma porcaria...”
Então, disse que deveríamos dizer que a comunicação, e apenas a comunicação estava ruim e não que nosso casamento estava uma porcaria. E ela replicou de forma categórica: “É... mas comunicação é tudo!”
Estão entendendo como sou bom em comunicação?

Se existe uma área na qual eu tenho fracassado tem sido na capacidade de me comunicar: Eu nunca consigo me fazer entender, eu sempre digo as coisas pela metade, eu nunca digo as coisas, eu tenho dificuldades de falar de meus sentimentos, de expressar medos, de relatar o que está acontecendo comigo. Minha esposa adoraria que eu fizesse isto, mas simplesmente não faço...
Diante disto, vocês já devem estar entendendo meus motivos e a hesitação em falar de comunicação no lar: Eu sou simplesmente um fracasso nesta área. Certa vez, achei que meu casamento iria acabar num divórcio, porque tomei uma decisão importante na nossa vida, sem sequer perguntar minha esposa o que ela achava, e para culminar, ela foi saber de minha decisão, através da pessoa mais improvável e inoportuna para esta comunicação. Minha mãe, que por acaso é sogra de minha esposa. Preciso dizer mais alguma coisa?
Por que comunicação é algo tão difícil entre um homem e mulher?
Primeiramente acho que existe um elemento ligado ao gênero: Masculino e feminino. Qual é reclamação mais comum das mulheres em relação aos seus maridos? Eles não falam de seus problemas, eles não compartilham suas dificuldades, eles se comunicam mal. Já ouviram estas reclamações antes?
Em segundo lugar, acho que tem a ver com a cultura latino americana. Por alguma razão, existe no inconsciente masculino esta “suspeita” de que é perigoso se abrir com uma mulher. Por mais que elas insistam, parece um tanto quanto ameaçador este negócio de dizer o que pensa. Não sei se faz sentido isto que estou falando, mas apenas estou considerando hipoteticamente esta possibilidade.

Duas importantes linhas na comunicação:
Existem dois elementos perdidos na comunicação familiar que precisam ser resgatados, se queremos ser entendidos, ainda que num nível muito primária: Respeito e afirmação.

Quanto ao respeito.  Uma das formas mais destrutivas da comunicação e tão presentes em nossos lares tem a ver como tratamos desrespeitosamente maridos, esposas, filhos e pais. Fala-se em um tom agressivo, com conteúdos destrutivos, num volume desnecessário. Muitos lares, infelizmente até mesmo julgados cristãos, usam palavrões, ameaças, autoritarismo. É um falar descaridoso e intimidador. Eventualmente baixo e ferino.

Quanto à afirmação. Nossa linguagem é amaldiçoadora ao invés de abençoadora. Falamos desconstruindo auto imagem, negando identidade, rejeitando a benção. Cresci num lar onde os filhos pediam benção aos mais velhos, mas não sei se quem pedia benção entendia seu sentido, e sem quem proferia benção sabe o significado desta palavra. Abençoar vem do latim benedicte ou benedicere, que significa afirmar o outro.
A linguagem dos lares é muito depreciativa, ao invés de ser afirmativa. Precisamos afirmar o quanto o outro é importante. Filhos (garotos e homens), anseiam desesperadamente por uma palavra de afirmação de seus pais que encontram enorme dificuldade em expressar seu amor e admiração, mas são rápidos em acusar, intimidar, demonstrar que o outro só lhe causa problema e traz dificuldades. Será que nossos filhos já ouviram sinceramente de nós, que eles são uma benção. Será que vemos nossas esposas desta forma?

Aplicações:

Um dos textos que mais nos ensina sobre contradições na comunicação encontra-se em Gn 27, quando vemos as dificuldades na comunicação entre Isaque e Rebeca.

  1. A dificuldade em comunicar adequadamente traz muita dor e desconfiança  - Vemos isto na vida de Isaque e Rebeca. Ele decidiu abençoar seu filho Esaú, seu procedimento era correto, mas ele preferiu ocultar, talvez porque soubesse que Rebeca tinha outras predileções, e ele não queria altercação na sua casa. Mas seu silêncio transformou Rebeca numa opositora. (Gn 27.5).

  1. A não comunicação gera bisbilhotice – é o que vemos Rebeca fazendo. Em Gn 27.5 vemos Rebeca se escondendo detrás da tenda para ouvir os secretos do marido. Isto nos pode levar à conclusão de que esta prática era mais ou menos freqüente na sua vida. Sua origem pode remontar à atitude que Isaque teve, quando sentindo-se ameaçado, mentiu afirmando que ela era sua irmã e não sua esposa, para o rei do Egito, conforme vemos registrado em Gn 26.

  1. Comunicação truncada traz reações prejudiciais. Rebeca chama Jacó e lhe ordena enganar seu pai. O filho fica assustado e se recusa, argumentando que não era correto fazer isto. Ao invés de reconsiderar sua atitude autoritária, ela o obrigou a se silenciar e o obrigou à obediência. Jacó encontrará muita dificuldade na sua vida para discernir Deus na sua história. Mesmo a experiência carismática em Maanaim foi capaz de mudar seu caráter, que se dará apenas em Gn 32, no Vale de Jaboque, quando o Senhor o encontra e ele fica cara a cara com o Deus que transforma seu nome e sua história.

  1. Comunicação transmite maldição ou benção. Rebeca esvazia a autoridade espiritual da vida de seu filho. Quando ele afirma que estas coisas eram espirituais demais para se brincar com elas, já que poderia trazer maldição, ela esvazia o sentido das coisas eternas e diz: “Caia sobre mim esta maldição!” O que ela transmite a Jacó, é que o materialismo e o os ganhos materiais eram mais importantes que a benção de Deus. Podemos implicitamente, sem perceber, comunicar estas coisas aos nossos filhos.

Conclusão:

  1. Comunicação não é o que você diz, mas o que o outro entende – Muitas vezes falamos algo, mas o receptor entende outra. O que você comunicou? Aquilo que o outro entendeu. Considere a questão semântica. Quando usamos determinados termos, que são entendidos de forma completamente diferentes pelo outro;

  1. Em Eclesiastes 8.6 lemos: “Para todo propósito há tempo e modo”. Isto nos ensina que podemos dizer de forma certa na hora errada, ou da forma errada na hora certa. Temos que alinhar as duas coisas: tempo e modo. Quando nos encontramos no meio de uma discussão, esta não é a hora mais apropriada para grandes confusões e acusações. O outro se encontra indisposto em ouvir.

  1. Comunicação não é o que você diz, mas o que as pessoas vêem – Rebeca provavelmente deve ter ensinado princípios de verdade, integridade e honestidade ao seu filho Jacó. No entanto, ele percebe que estas coisas podem ser relativizadas, dependendo da situação em que você se encontra. Aprende-se mais pela imitação que pelo ensino verbal.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Apocalipse: Procurando a estrutura do texto






Introdução:

Jacques Ellul diz que em Apocalipse temos que encontrar os “eixos de uma dinâmica”, eu prefiro chamar de “pista hermenêutica”. Todos os textos possuem esta rota que nos ajuda a entender o pensamento central do texto.

O livro de Apocalipse consta de sete seções. Cada uma descreve a dispensação inteira, indo da 1ª até a 2ª vinda de Cristo.

O Número 7 aparece 54 vezes, significa inteireza e plenitude. Satanás é 666 (Ap 13.18).

1-3 - Sete igrejas
Representa toda a igreja até o fim do mundo.

4-7 - O Cordeiro e seu papel na história: Cristo imolado e reinando – (Ap 5.5-6; 6.12-17 e 7.9-17: Juízo final; Mais uma vez descreve a dispensação inteira.

8-11 - As sete trombetas que afetam e comovem o mundo. Os caps 10 e 11 descrevem o que sucede à igreja e termina com o juízo final (11.15,18), chegando o fim da dispensação, termina a visão.

12-14 - Nascimento do Messias – As 2 bestas. Também cobrem toda dispensação. Começa no nascimento de Jesus (Ap 12) e descreve o dragão e seus agentes:
Þ      Besta que emerge do mar - 13.1 - Hendricksen: Perseguição anti-cristã (governos).
Þ      Besta que emerge da terra – 13.11,12- Hendricksen: Religião anti-crista (religiões). Ellul fala de propaganda e Marketing.
Termina com a descrição da 2ª vinda de Cristo, para juízo (Ap 14.14-20)

15-16 - Os sete flagelos e a manifestação da ira do Senhor. Termina com uma batalha.

17-19 Queda da Babilônia: Julgamento: Besta e falso profeta. Esta seção termina com a descrição da 2ª vinda de Cristo, para juízo (Ap 19.11-21)

20-22 Seção final: Julgamento do diabo, volta de Cristo e nova dispensação.

Observações:
  1. Estas seções são paralelas: em cada uma delas vemos uma dispensação inteira.
  2. Várias destas seções atribuem ao período a mesma duração
    1. 42 meses – 11.2
    2. 1260 dias – 11.3
    3. 1260 dias – 12.6
    4. 1 tempo; dois tempos, ½ tempo – 12.14
Isto mostra paralelismo entre uma seção e outra.

  1. O tema: Vitória de Cristo e sua igreja sobre Satanás e seus agentes
    1. O Conflito na terra: Cap 1-11 A igreja sendo perseguida e saindo vitoriosa:
                                                               i.      Cristo no meio dos 7 candeeiros 1-3
                                                              ii.      O livro selado com 7 selos – 4-7
                                                            iii.      As 7 trombetas do juízo – 8-11

  1. O significado espiritual mais profundo – 12-22 Cristo e sua igreja, perseguidos pelo dragão: A Igreja sai vitoriosa.
                                                               i.      A mulher perseguida – 12-14
                                                              ii.      As sete taças com a ira de Deus – 15-16
                                                            iii.      A queda da grande prostituta e das bestas – 17-19
                                                            iv.      O juízo do dragão – 20-22 Nova dispensação.

Temas presentes:

  1. Ilimitada soberania de Deus – Senhor da igreja e da história.

  1. O livro da esperança cristã.

  1. Uma revelação permanente e fundamental – movimento.

  1. O acontecimento celeste: incluindo as orações.

  1. A centralidade de Deus no eixo da história: Este Jesus anda no meio de sua igreja;

  1. A vitória definitiva de Cristo. Não há espaço para maniqueísmo e dubiedade. Ellul afirma que Apocalipse é um texto de provocação.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Jo 21 O DEUS QUE NÃO DESISTE DE AMAR




 "Tu me amas? Segue-me"  (Jo 21.15,19)

Introdução:

Em geral identificamos vida com Deus com compromissos externos, religiosidade e rituais, no entanto, o foco de Deus sempre foi o coração: "Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deu, é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força" (Dt 6.4-6). Ao olharmos para nossas fraquezas, frequentemente perguntamos: Será que Deus pode amar alguém como eu? Incoerente, desobediente, com fraqueza de caráter?

Este texto nos relata a relação de Jesus com Pedro.

1. Seu temperamento inconstante. Pedro era ambíguo: "Retira-te de mim que sou homem pecador" (Mc 5.8), auto confiante: "Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas" (Mt 14.28). Faz confissões impressionantes: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo"(Mt 16.16); faz declarações de fidelidade: "Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim" (Mt 26.33), e naquela  mesma noite o trai (Mt 26.69-75). Suas fraquezas são muito evidentes.

2. Sua fragilidade de caráter - Além de seu temperamento inconstante, tinha uma personalidade dúbia. Diante da pressão na casa de Caifás ele nega, jura e pragueja...Reputação tem a ver com aquilo que os outros pensam que você é, Caráter é aquilo que você é realmente. 

3. Seus conflitos psicológicos - Suas contradições e negação: "Não conheço tal homem" (Mt 26.72). Pedro nega a amizade, vocação e história. Negou o amigo pessoal, o Deus que estava em Cristo.

Como Deus lida com gente assim?
Após a ressurreição, há uma nota interessante em Marcos: "Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro" (Mc 16.7). Por que destacar o nome de Pedro?
O que Jesus faz?
  1. Pergunta como vai o seu amor ? “Tu me amas?” Jesus quer que Pedro vença a negação, por isto o faz afirmar tantas vezes quantas negou. Três vezes negou, três vezes afirma seu amor.
  2. Cura suas memórias - A idéia de "braseiro" só aparece duas vezes na Bíblia: Aqui em Jo 21.9, e em Caifás (Jo 18.18). A primeira vez no meio do fracasso e da mentira, a segunda no contexto do perdão e da graça. Não é isto um fato interessante?
Alguns precisam ser curados na memória, pessoas que nunca enfrentaram seus traumas e dores continuam presas num certo estágio de seu desenvolvimento emocional. Essas memórias negativas são pesos amarrados ao corpo de um nadador.

Conclusão
Como Jesus age para trazer cura para Pedro?
  1. Jesus aproxima as imagens – Leva-o para perto do braseiro. Lugar de negação e de graça. Revive sua experiência de negação, faze-o sofrer esta dor da traição, leva-o ao encontro nevrálgico. Jesus não encobre seu pecado, mas fá-lo entender o perdão.
  1. Jesus toca na sua dor - Testa seu amor. Pedro entristeceu-se pela insistência de Jesus em perguntar pelo seu amor (Jo 21.17). Não foi uma experiência fácil, mas foi libertadora.
3.        Jesus reafirma sua vocação - Tira dele o peso que tal lembrança trazia e o coloca na rota da vocação e da fé. “Apascenta minhas ovelhas” (21.15,16,17).

  1. Jesus reafirma seu lugar no Reino - “segue-me” (Jo 21.19). Encoraja-o a não deixar de seguir a carreira cristã apesar de todo o seu fracasso, fazendo-o entender que, apesar de sua fraqueza, não deveria deixar de segui-lo.

Pedro se vê tão confrontado e impactado que busca tirar de si a atenção e volta-se para o problema de João: “e quanto a este?” (Jo 21.21). Jesus responde de forma direta e breve, mas volta à questão nevrálgica do seu problema: “Quanto a ti, segue-me” (Jo 21.22). Jesus trabalha assim na questão fundamental que é a formula de Deus lidar conosco: "Tu me amas? segue-me!”

Jo 18 O DRAMA DE PILATOS



 "Que farei de Jesus chamado Cristo?  (Jo 17.7)

A vida de Pilatos é sempre um ponto de intercecção na narrativa dos Evangelhos. Personagem, ambíguo, encurralado, com dificuldade de assumir determinadas posições que não poderiam ser desconsideradas, mostra-se fraco e frágil nas suas conjecturas.

No livro de João ele levanta quatro perguntas para Jesus:
1.       "És tu o rei dos judeus?" (18.33) – Está relacionada à missão de Jesus.

2.       "Que fizeste?" (18.35) – Está relacionado aos atos de Jesus.

3.       "Que é a verdade?" (18.38) Está relacionada ao fim último de todas as coisas.

4.       "Donde és tu?" (19.9) Relacionada à sua identidade.

Problemas básicos na personalidade de Pilatos:
1.       Manter-se neutro em relação a situações que exigiam posicionamentos –
ü       O principio da não-posição – É sempre perigoso a falta de posição. Ela pode ser fatal nas questões relacionadas à vida eterna.

ü       O principio da neutralidade – Jesus afirmou “Quem comigo não ajunta, espalha”

ü       O principio da tolerância – Não dá para ser tolerante com todas as coisas. Por exemplo: a injustiça, a perversidade, a desonestidade, o mal, etc.

ü       O contraste da fé – "Todo aquele que comigo não ajunta, espalha"
"Todo que me confessar diante dos homens eu o confessarei diante do Pai".

2.       Negar as evidências por comodidade –
ü       Temi o povo – 1 Sm 15.24
ü       Temendo as circunstancias – 1 Sm 13.12

3.       Procurar sempre questionar intelectualmente, sem desejo de que as verdades de Deus possam transformar sua história e natureza – Jo 18.38 Ao perguntar, "O que é a verdade?"  Infere-se que esta questão seja seria o suficiente para que ele de ouvidos. No entanto, não ouve aquilo que Jesus deseja falar. Não tem interesse na verdade, apenas especula sobre ela.

Jo 16 A OBRA DO ESPIRITO SANTO





 "Quando o Espírito vier, convencerá o mundo"  (Jo 16.8) 

Nos capítulos 14-16 de João, existe uma forte ênfase sobre o Papel do Espírito Santo. Sua atividade é declarada nestes textos. Eis algumas das funções dele sobre o povo de Deus.

1.       Ele é descrito como Consolador. Um termo que provem do grego parakaleo,  e que significa literalmente, "aquele que está ao lado". E um das traduções desta palavra é advogado. Na verdade, a Bíblia demonstra que, diante do Pai , temos dois advogados.
§         Um advogado Judicial – (Jesus) - 1 Jo 2.1
§         Um advogado existencial – (O Espírito) - Rm 8.26
Estas duas idéias sobre a ação de Jesus e do Espírito diante do Pai, revela que não estamos sós. Temos alguém do nosso lado. Esta é a idéia do Consolador (Jo 14.17-18).

2.       O Espírito Santo é aquele que vai nos ensinar – Este conceito é importante, porque o nosso aprendizado aqui é diferenciado do ensino que recebemos nas Universidades. "Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade" (Jo 16.13). Existe um saber que é ministrado pelo Espírito.

3.       O Espírito Santo traz convencimento em três aspectos fundamentais.
ü      Do pecado - Isto nos liberta do pressuposto equivocado de que não existem absolutos. Se existe pecado (um termo espiritual que aponta para o erro moral) é porque existe o certo. O Espírito denuncia nossa inadequação espiritual diante do Pai, nossa distancia do criador. Só quem reconhece seu pecado sente necessidade de um salvador e compreende o significado da morte de Cristo.

ü      Da justiça-  Se é necessário compreender o sentido do pecado, é necessário saber como a justiça de Deus é estabelecida. A Bíblia nos diz que Deus propôs, por meio do sangue de Jesus, que a justiça dele fosse imputada a nós. Uma vez que ninguém será justificado diante de Deus por obras humanas (Rm 3.20), A justiça de Deus nos é imputada pela obra perfeita de Cristo (Rm 3.21-28). Sua justiça, perfeição e beleza nos foi atribuída pelo seu sacrifício perfeito. Agora, somente o Espírito Santo pode aplicar isto aos nossos corações. Ele precisa nos convencer da obra de Cristo a nosso favor. O pregador pode anunciar esta verdade, mas so o Espírito Santo pode aplicar esta verdade.

ü      Do juízo  - Nos livra do pressuposto que não existe juízo moral. Que afirma que o universo é moralmente cego, que não existe um fator moral. A Justiça precisa se firmar diante da injustiça. Existe algo a ser avaliado do ponto de vista da ética. Nos livra ainda da idéia de que não existe uma mente moral por detrás da natureza, que afirma que não haverá juízo final, nem julgamento. Esta foi a insinuação da serpente do no Éden ao dizer: "É certo que não morrereis". Esta afirmação levou Eva a crer que podia pecar que não haveria juízo.

Conclusão:  O resultado da Obra do Espírito Santo em nós, desemboca em cinco conseqüências descritas neste texto:
a)      Somos libertos da confusão intelectual e espiritual– Jo 16.13

b)      Transforma nossa pranto em alegria – Jo 16.20

c)      Nos capacita a descobrir as imensas possibilidades do nome de Jesus – Jo 16.24

d)      Nos capacita a crer naquilo que é fundamental – Jo 16.31

e)      Traz graça e alivio nas tribulações – Jo 16.33

Jo 10 Eu sou o Bom Pastor





Uma das imagens mais conhecidas daqueles dias era a do pastor cuidando de suas ovelhas. Ao utilizar esta alegoria, Jesus estava falando de uma linguagem comum e acessível a todos que o ouviam. Os seis primeiros versículos são uma fotografia do relacionamento entre o pastor e seu rebanho. As pessoas entendiam esta linguagem. O que ele faz é uma adequação desta figura comum a uma verdade celestial.

Como distinguir entre o pastor e o mercenário?
1.        O mercenário entra de forma diferente do pastor – O salteador usa artifícios. Já que o pastor encontra-se na porta, ele tem que evitar um confronto com aquele que guarda as ovelhas. Satanás é um ser da penumbra.

2.        O pastor é discernido pela voz – Não adianta usar roupa diferente, as ovelhas distinguem a voz do que é verdadeiro. Agostinho disse: "algumas vezes as ovelhas não se conhecem, brigam, reclamam, mas o pastor sempre as conhece".

3.        Pela intimidade – "chama pelo nome". Conhece cada uma individualmente. Trata-as confidencialmente. "Eu as conheço e elas me seguem" (Jo 10.14,15

O que este pastor faz pelas suas ovelhas?
1.        Ele protege contra as ameaças – Para que alguém entrasse ou saísse, precisava passar por cima do pastor. Ele as protege contra o estranho (Jo 10.5) Por isto ele usa a idéia da porta (Jo 10.7). O ladrão vem"matar, roubar e destruir". Satanás nunca deixou de ter isto em mente. Mas das suas mãos, ninguém poderá arrebatá-las (Jo 10.28-29).

2.        Ele as guia – "vai adiante delas" (Jo 10.4) Embora algumas ovelhas queiram seguir na frente, ou mesmo de forma atravessada, a sua vara e seu cajado conduzem a ovelha. Cajado é para conforto e livramento. Vara é para disciplina. Ser guiado pelo pastor significa obedecer a sua voz.

3.        Ele as sustenta e conforta – "entrará, sairá e achará pastagem" (Jo 10.9). Quem segue o bom pastor, vai encontrar descanso (Sl 23.1-3).

4.        O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas – (Jo 10.11). Existe aqui um contraste deliberado. Enquanto o ladrão vem para matar, o pastor vem para dar vida. O vs 28,29 fala desta qualidade Eterna da vida que ele quer dar.

5.        O pastor tem intimidade com suas ovelhas – (Jo 10.14) Não apenas as ovelhas o conhecem, mas ele também as conhece e as chama pelo seus nomes.

6.        O bom pastor está buscando as outras ovelhas perdidas – (Jo 10.16) Ovelhas que ouvirão sua voz e atenderão seu chamado. Estas ovelhas vão "identificar" a voz do pastor (Jo 10.26-27). Muitos falsos pastores tentarão engana-las, mas elas não o seguirão.

Conclusão:

Ovelhas são uma boa ilustração do povo de Deus:

a)       São animais indefesos. Não podem viver sozinhos sem pastor.

b)       São animais sem muito senso de direção, facilmente se perdem.

c)       Precisam de proteção, direção e alimento. Assim como precisamos de proteção, direção diária e nutrição espiritual.

d)       Ovelhas são animais gregários. Gostam de viver em bando.

e)       Ovelhas são cabeça dura. Muitas vezes precisam ser repreendidas pelo pastor, para que sejam protegidas dos perigos.

Francis Schaeffer: 
"Ser cristão não é se tornar um simples cartão de computador, porque ele é infinito e pode conhecer a cada um pessoalmente como se ninguém mais existisse no mundo. Agora posso dizer Abba Pai. Aba é a transliteração do aramaico. Pai é o grego. No grego pai quer dizer tanto um pai gentil como austero, mas Abba é uma palavra que não tem duplo sentido. Abba é papai, paizinho. Temos com o pai uma extraordinária comunhão. Agora o universo não é mais silencioso e impessoal. Há alguém que me ama e esse alguém me ouve; e ele não sendo parte de uma maquina, pode trabalhar no espaço e no tempo, através da história, com base na nossa oração. Assim, a síndrome do vazio do séc. XX é destruída. Vivo agora num universo diferente, num mundo diferente. O homem é importante. Deus tem estado separado do homem não pela sua criação, mas pela nossa rebelião".