segunda-feira, 20 de abril de 2015

Curso de Apologética - Lição 4 - Deus: Autor do Mal?

Rev. Héber Schaiblich
Palestra ministrada no mes de Março. curso de Apologética 

QUEM ESTÁ NO CONTROLE?
–         Deus, Diabo, Ser Humano

 QUEM É O AUTOR DO MAL?
QUAL O PROPÓSITO DO MAL?
QUEM ESTÁ NO CONTROLE?
–        Visões:
•          Ateísmo – Acaso vai governar
•          Arminianismo – Presciência de Deus
•          Teísmo aberto – Deus não conhece o futuro e não pode intervir
•          Reformados - Deus soberanamente controla todas as coisas

•          Há algo que Deus nunca pode vê.
•          Na verdade, nunca viu e nunca verá.
•          O que é?
–        Dt 6.4 - Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR.
–        Judas 1:25 - ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém!

A Bíblia revela quem é o Deus que controla todas as coisas

–        A sabedoria de Deus é a virtude (atributo) que lustra as outras virtudes (atributos)
–        Charnock: “A sabedoria é a mais eminente de todas as virtudes; todas as outras perfeições de Deus sem esta, seria como um corpo sem olho, ou como a alma sem entendimento....
–        a paciência de Deus seria uma covardia, Seu poder uma opressão, Sua justiça uma tirania, sem a sabedoria como a fonte e a santidade como uma regra. Nenhum atributo de Deus poderia brilhar com o devido lustro sem ela”

A Bíblia revela que DEUS está no Controle
–        Sl 33.11- O conselho do Senhor dura para sempre; os desígnios do seu coração, por todas as gerações.
–        Is 14.26,27 - Este é o desígnio que se formou concernente a toda a terra; e esta é a mão que está estendida sobre todas as nações.  Porque o Senhor dos Exércitos o determinou; quem, pois, o invalidará? A sua mão está estendida; quem, pois, a fará voltar atrás?
–        Is 46.9,10- Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade:  que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim;  que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade;
–        At 4.27,28 – porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes  e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel,  para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram;

–        A Vontade soberana de Deus é a Causa Última de tudo:
–        A ¨causa última¨ é aquela que determina decretivamente (soberanamente) o acontecimento de um evento.
–        Deus é a causa última de todas as coisas que acontecem no mundo, sejam elas boas ou más.
–        Nada do que acontece está fora do plano da causa última
–        Jó 42.2 ‘Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado’

–        A Vontade soberana de Deus é a Causa Última de tudo:
–        Na criação de todas as coisas: Ap 4.11
–        Nas menores coisas da vida: Mt10.29.30;
–        Na direção da vida: Tg 4.13-15;
–        Na duração de nossa vida: Jó 14.5; Sl139.16; (1Rs 22.34);
–        Na salvação e condenação: Rm 9. 11, 14,15; 2Tm 1.8,9
–        Nas orações respondidas: 1Jo 5.14

–        Fé Reformada reconhece que Deus soberanamente decretou todas as coisas:    

–        Catecismo maior – resposta à pergunta 12: O que são os decretos de Deus?
–        Os decretos de Deus são os atos sábios, livres e santos do conselho de sua vontade, pelos quais, desde toda a eternidade, Ele, para a sua própria glória, imutavelmente preordenou tudo o que acontece, especialmente com referência aos anjos e aos homens.

–        Breve Catecismo de Westminster,
–        como “o Seu eterno propósito, segundo o conselho da Sua vontade, pelo qual, para a Sua própria glória, Ele predestinou tudo o que acontece”.

–        A BÍBLIA REVELA QUE DEUS ESTÁ NO CONTROLE DE TODAS AS COISAS

•          Quem é o autor do mal?
•          A BÍBLIA REVELA QUE EXITE UM DUPLO ASPECTO NA VONTADE SOBERANA DE DEUS
•          Causa Positiva
–        Deus é a causa positiva de todos os atos bons: Jo 15.5; Ef 2.8-10; 2Tm 1.9;  
–        É Deus quem dá-nos o santo impulso para as coisas santas e nos capacita e nos energiza positivamente a fazer o que lhe agrada:  Sl 51.10; Fp 2.13;
      •          Causa Negativa
–        Deus determina não impedir o homem de pecar;
–        (At 14.16) - “o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos”;

–        Definição -  causa negativa:
–        Confissão de Fé de Westminster - III, 1:
–        ¨Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho de sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quando acontece,
–        porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou a contingência das causas secundárias, antes estabelecidas.¨

–        Berkchof   
–        o decreto faz Deus o Autor de seres morais livres, e eles próprios os autores do pecado.
–        Deus decreta sustentar a livre agência deles, regular as circunstâncias da sua vida, e permitir que a livre agência seja exercida numa multidão de atos, dos quais alguns são pecaminosos.
–        Por boas e santas razões, Ele dá certeza ao acontecimento desses atos, mas não decreta acionar efetivamente esses maus desejos ou más escolhas no homem.
–        O decreto concernente ao pecado não é um decreto efetivo mas permissivo.

  Três Considerações:
–        Deus não pode ser a causa positiva de um ato mal. Deus é a causa negativa do mal.
–        O seres humanos não precisam de ajuda para fazer o que lhes é próprio em seu estado pecaminoso.
–        Não podemos nos esquecer que a ação de Deus é pervasiva de modo que o pecador vem a praticar o mal por sua própria pecaminosidade, e a vontade de Deus venha a ser realizada de modo infalível.

–        Exemplos Bíblicos:
•          Gn 45.3-8...
–        v.4: José foi vendido pelos irmãos;
–        v.5,7,8: José foi enviado por Deus;
                               . At 2.23 – “sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos”

–        Quem matou Jesus?
»        as pessoas – religiosos, autoridades, povão.
–        Por que Jesus foi crucificado? 
»        Porque Deus determinou – 1Pe 1.19,20

•          Temos que distinguir entre o mal Moral (pecado) e o mal Natural (sofrimentos)
•          Is 6.3 - Deus é Santo, jamais é autor do mal moral.

•          A Bíblia revela quem são os autores do mal moral:
–        1Tm 3.6 – Orgulho do Diabo
–        Tg 1.13,14 – Cobiça dos seres humanos
–        Implica em um Decreto Permissivo de Deus (Causa Negativa)
»        Deus é Soberano
»        O homem é responsável

•          Quanto ao mal Natural, a causa última é Deus, entretanto, tanto Deus, Diabo e o próprio ser humano são agentes:
•          Diabo – Jo 8.44; Ap 2.10;
•          Homem – Gn 9.6; Êx 20.13;
•          Deus – Dt 32.39
•          Desde a entrada do pecado os seres humanos estão sob o juízo divino: Gn. 2.16,17; Rm 5.12
•          Exemplos:
•          Catástrofes: Gn 6.13,14,17,18; Gn 19.24; Nm 16.29.30;
•          Doenças, pragas: Nm 11.33,34; At 5.1-5; Jo 5.14;

•          Propósito de Deus no mal natural
•          Nos crentes: (Salvos)
•          disciplinar: Ap 3.19; Hb 12.4-7;
–        Is 45.7  - Este texto não está afirmando que Deus é autor do mal moral, e sim que é o autor do mal Natural (sofrimento = juízo = sobre o seu povo).
•          Santificar: Jó 42.5; Tg 1.3,4;
•          Conduzir para a glória – Sl 116.15; At 7.59; Fp 1.21

•          Propósito de Deus no mal natural
•          nos ímpios:
–         Produzir arrependimento para salvação: Lc 23.41; 
–         Juízo: Jr 25.12; 2Pe 2.9;
Oração:
 “Santo e gracioso Deus e Pai, dá-nos sabedoria que te procure conhecer. Dá-nos juízo para compreender-te, zelo para procurar-te, paciência para esperar por ti. Dá um coração que medite em ti; dá uma vida que anuncie o teu nome, no poder do Espírito Santo de nosso Senhor Jesus Cristo” (Benedito de Núrsia) 480-457.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Curso de apologética - Aula 7 A Espiritualidade gnóstica



Este estudo é uma síntese, com algumas colocações pessoais, do No livro The Protestant Gnostic, de Philipe J. Lee (New York, Oxford University Press, 1987, Lee fala de seis aspectos que apontam para a tendência de uma espiritualidade moderna, mas que na verdade, tem suas raízes na heresia gnóstica do Século IV. São elas:

Alienação: Da gratidão para o desespero
 Por não perceberem o universo como expressão do próprio Deus que se revela na história, criação e destino humano não estão sobre o controle de uma divindade, mas segue uma intrincada interação de biologia, química, psicologia, sociologia e genéticas forças que operam sem uma inteligência superior ou mesmo razão. Por crerem que o universo existe por si mesmo e não é criado, perdeu-se o senso de admiração e gratidão. As pessoas, conservadores ou liberais, encontram cada vez mais dificuldade em crer no universo como uma benção de Deus.
Por conseguinte, não são capazes de expressar gratidão.
No Thanksgiving Day (Dia Nacional de Ações de graças), que é a data americana mais comemorada que qualquer outra, as pessoas assumem uma atitude de gratidão, mas não sabem ao certo a quem agradecer.
Schaeffer afirma que o maior sofrimento do ímpio é assentar-se à mesa, saber que ele é fruto da graça de alguém superior, mas não ser capaz de agradecer aquele que faz todas as coisas e liberalmente dá todas as coisas.

Gnosticismo Protestante: Da Revelação Para a Iluminação Privada
A segunda característica tem a ver com o fato de que se perdeu o senso de revelação, de um evento santo que se manifestou na história. Deus está lá (se é que ele existe), e não dialoga com seres humanos. Lee afirma que “a diferença entre o conhecimento ortodoxo e o gnóstico é a diferença entre a revelação aberta e a revelação secreta.
O cristianismo é conhecido por ser uma fé revelativa. O que sabemos de Deus é aquilo que ele quis revelar acerca de si mesmo. “As coisas reveladas pertencem a nós e a nossos filhos, as encobertas pertencem a Deus”. (Dt 29.29). O cristianismo bíblico não é uma formulação teológica (teodiceia), fruto de especulação humano, mas possui uma fé revelada. “Tendo Deus, outrora falado, muitas vezes, de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas; ultimamente nos tem falado por meio de seu Filho” (Hb 1.1).
Esta é uma tendência moderna que encontra grande aceitação numa cosmovisão marcada pela presença budista, que afirma que a verdade não está lá fora, mas dentro de cada um de nós.  O budismo concebe Deus como uma realidade interna. Existe um “pequeno Deus” em nós, e que precisamos encontrar a verdade que se encontra dentro. A verdade não é algo que se percebe fora do individuo, mas dentro dele.
A belíssima música de Almir Sater e Paulo Simões, “o vento e o tempo” fala disto:
Por mais que tente
Não entendo
Todo mundo enlouquecendo
Quem é que está com a razão
E tanta gente ainda lendo
Velho e novo testamento
Sem compreender a lição
Verdade é voz que vem de dentro
E mata a sede dos sedentos
O pior entre os meus sentimentos
De mim foi levado enfim pelo tempo




Escapismo Moderno: Da Luta Para a Fuga

Lee afirma: “Para os puritanos primitivos, e mesmo Jonathan Edwards, seguindo o Calvinismo clássico, o mundo político, de instituições humanas, era para eles um locus essencial da obra redentiva de Deus” (pg 124). A vida plena é percebida na história, e não na eternidade
A tendência moderna da espiritualidade gnóstica é pensar que o conforto, a auto realização, a prosperidade, são as marcas do discipulado. Para os cristãos, em geral, a luta, o confronto, o martírio, são as marcas essenciais dos seguidores de Cristo. Não é sem razão que a teologia da prosperidade tenha alcançado tanto sucesso.
No entanto, as narrativas evangélicas mostram que O ministério de Jesus não se dá num vácuo político, antes deve ser entendido no contexto que seu país atravessa, ferido e subjugado pelo poder esmagador de Roma. Seus interlocutores são conhecidos por nomes e funções, não são neutros ou incolores, são nacionalistas como Simão, o Zelote; entreguistas como Mateus, o publicano; são religiosos como os fariseus; comerciantes como os saduceus. As pessoas que cruzam seus caminhos são conhecidas por nomes e cargos: intérpretes da lei, escribas, prostitutas, centuriões. "Seu discurso tinha que levar em conta o conceito atribuído aos vocábulos, as expectativas messiânicas eram inegavelmente ligadas ao desejo de libertação política. Os textos dos Evangelhos não podem ser bem entendidos se não se levar em conta o seu tempo. Os textos não são a-históricos".[1]

Narcisismo: Da Comunidade Sagrada para o seu eu interior
Por ser uma teologia revelativa, o cristianismo bíblico não é uma religião auto orientada, ou orientada pelo self. No entanto, a comunidade pós moderna, e gnóstica, sente-se atraída pela magia e pelas revelações auto inspiradas. Ao invés de reconhecer a autoridade da Palavra de Deus, e a comunidade que recebe esta palavra, sente-se atraída pelas novas experiências do seu eu-interior.
O resultado imediato é a rejeição da comunidade. Não é difícil as pessoas crerem numa igreja universal, mas tem se tornado cada vez mais difícil o reconhecimento de uma igreja tangível, concreta e histórica. Calvino insistia que sem a igreja não há verdade. Quando o calvinismo defendeu a liberdade da consciência e do livre exame das Escrituras, não atribui tal prerrogativa a indivíduos, mas à comunidade. Admite-se o livre exame, não a livre interpretação. Infelizmente o homem moderno tem abandonado o princípio da igreja local e visível, e quer servir a Deus de acordo com as convicções e ditames do seu próprio coração.

Elitismo: De muitos para poucos
Os gnósticos criam que existia um grupo de pessoas espirituais, os iniciados, os “pneumatikois”, que recebiam as mensagens diretamente de Deus. Elaine Pagels afirma que, para se tornar verdadeiramente católica (universal), a igreja rejeitou toda forma de elitismo. Isto ensejou alguns membros deste grupo elitizado a se julgarem superiores espiritualmente, afinal, eles eram os receptores das mensagens dadas por Deus.

Sincretismo: Do Específico, Para o Nebuloso

Outra trágica consequência se deu na mistificação do conteúdo espiritual. Os antigos gnósticos não achavam exequível submeter-se à autoridade apostólica. Por que precisariam dos textos sagrados, mediatizados, se eles se eles teriam acesso direto. Eles não precisavam nem da igreja nem dos textos sagrados. Para eles, a natureza é sincrética, aceitando uma interminável quantidade de ideias e imagens. Desta forma, o conceito dogmático e estruturado pela igreja, tornava-se irrelevante. Nem mesmos os textos sagrados eram referência única e absoluta. Desenvolveram também um desprezo pelos sacramentos, que de certa forma limitava novas ideias e conceitos.





[1]. CAVALCANTE., Robinson - Op. cit. pg. 52

Curso de Apologética - Lição 2 - Provas racionais da autoridade da Bíblia



Introdução:

Encontramos muitas razões bíblicas, textos que nos autorizam a afirmar que a Bíblia é verdadeiramente a Palavra de Deus, e que é verossímel em todas as suas afirmações.

2 Tm 4.16: “Toda Escritura é inspirada por Deus”...
Hb 4.12 – “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz”...
Sl 119.105 – “Lâmpada par os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos”.
Mt 22.20: “Errais, não conhecendo as escrituras nem o poder de Deus”.
2 Pe 1.19-21: "Nenhuma profecia provém de particular elucidação"

Mas se tentarmos argumentar com o descrente a partir da Palavra, ele afirmará que isto não é suficiente para ele, porque o fundamento é a própria Bíblia. Por isto, enumeramos algumas razoes clássicas que nos demonstram a autenticidade e autoridade das Escrituras.

1. Coerência entre as partes – Apesar de 40 escritores, com diferentes backgrounds e diferentes culturas, que levou cerca de 2000 anos para ser escrita, a Bíblia é absolutamente coerente em todas as suas afirmações, e não apresenta contradições entre as partes.
Apesar disto, a Bíblia tem principio – meio – fim. Um todo girando em torno de um Messias, e da expiação através do sangue. Um grande problema, o pecado; e uma grande solução, o sangue de Cristo.
A Bíblia não se contradiz, existe harmonia das partes). Se isto acontecesse, deixaria de ser Palavra de Deus, seria um livro qualquer. Apesar de ter sido escrita, neste longo espaço de tempo e por tantos escritores diferentes. Isto acontece porque seu autor é um só, embora haja muitos escritores. 

2. Cumprimento das profecias – Existem cerca de 600 profecias apenas sobre o Messias, proferidas no Antigo Testamento acerca de Cristo, que se cumpriram cabalmente. Entre elas, o local do nascimento do Messias, anunciado pelo profeta Miqueias, 600 anos antes (Mq 5.12), detalhes da morte de Cristo (Sl 22), e a natureza do seu sofrimento (Is 53). Tudo absolutamente registrado nos seus pormenores. Isto valida o texto sagrado.
Os profecias de Daniel acerca dos reinos futuros é tao profundamente declarada, que os comentaristas liberais falam de que tais textos foram escritos depois de acontecido, tamanho sua objetividade e especificidade. Jeremias predisse que Israel ficaria 70 anos no cativeiro babilônico, e exatamente assim se deu (Jr.25.11). Jesus afirmou que Jerusalém seria saqueada e arrasada, e que o templo seria destruído. 36 anos depois, suas palavras se cumprem cabalmente. As profecias são tão exatas que muitos não aceitam que Jesus tenha realmente pronunciado estas palavras, mas que trata-se de “vaticia ex eventu”. Isto é, os discípulos colocaram na boca de Jesus palavras que ele não disse, depois da ocorrência dos eventos.
.O nascimento de Jesus foi descrito em detalhes:
            -O lugar em que nasceria - Mq.5:2 (700 anos antes de nascer)
            -Que ele nasceria de uma virgem - Is.7:14 (700 anos antes )
            -Que ele viria sem nenhuma aparência  nobre. Is.53:2
.A morte de Jesus foi descrita com particularidades :
            -Afirma que suas mãos seriam traspassadas - Sl.22:16 (1000 antes) x Jo.20:27
            -Que suas vestes seriam repartidas por sorteio - Sl.22:16 x Lc.23:34
            -Que ele estaria cercado de gente perversa - Sl.22:16 x Mt.27:37-40
            -Que ele morreria pelos nossos pecados - Is.53:4,5 (600 anos antes).
Existem mais de 700 profecias cumpridas nas Escrituras. Algumas destas profecias estão apontando ainda para o fim dos tempos - Mt 25.1-51; 1 Ts 5.1-3; 2 Ts 2.1-12

3. Influência da Bíblia sobre as nações – A Bíblia marcou civilizações inteiras, e culturas especificas. Povos que seguiram a bíblia transformaram costumes, tradições e hábitos. Todo o continente europeu foi profundamente influenciado pela ética judaico-cristã. O sistema democrático, com sua representatividade foi extraído por Calvino e adotado em Genebra, a partir de sua leitura bíblica, e dali influenciou varias nações. Como seria a Europa hoje sem a influência da Palavra? Os romanos eram mais cruéis na sua abordagem de guerra que os escandalosos eventos modernos do Estado Islâmico e do Boko Haram.
Atualmente a Bíblia é o livro mais lido do mundo, com tradução em mais de 1000 línguas, sendo o livro mais impresso no mundo.

4. Seu estilo majestoso – A Bíblia gera reverencia, por causa de seu conteúdo e estilo de narrar os eventos, gerando temor e respeito. As pessoas não leem a Bíblia como se lê outros textos, ou como afirmou D. Pedro II: “Todos os livros eu leio, mas este livro me lê”. Ao ler a Biblia, somos confrontados com nossos pecados, consolados nas nossas dores mais profundas, perdoados das nossas faltas mais graves, e encontramos refrigério para nossas almas.

5. A eficácia de sua doutrina -  A Bíblia é eficaz quando colocada em prática em nossas vidas. Nunca nos arrependeremos de obedecê-la, ao contrário, sempre que a desprezarmos sofreremos consequências. Tome um texto das Escrituras e coloque-o na prática de sua vida, debaixo das condições estabelecidas, e  você verá se ela é capaz ou não de transformar sua vida.
Existem muitas pessoas experimentando o poder da palavra de Deus em suas vidas, e que sido transformadas pela sua poderosa ação. 
Se” e “quando” aplicado, a Bíblia sempre produz profundos resultados na vida das pessoas, como um remédio específico para determinada doença. A Bíblia já efetuou milagres na vida de milhares de pessoas, já libertou pessoas do obscurantismo, da mentira, já restaurou relacionamentos, provocou mudanças históricas em famílias, salvou lares.
Seu poder, ainda hoje é capaz de trazer graça para o coração que vive em trevas, alegria para pessoas entristecidas, esperança para os desanimados, mas o maior milagre e efeito que ela pode causar é na reconciliação do homem, pecador, com o Deus santo.

6. Sua historicidade – Centenas de estudiosos liberais, governos tirânicos, já envidaram esforços para demonstrar que a Bíblia é um livro supersticioso e nocivo, que seu conteúdo é mentiroso e falso, que a história que nele é narrada não tem validade diante das pesquisas mais recentes da história e da arqueologia, no entanto, cada vez mais, a ciência vem comprovando sua veracidade e autenticidade.
Bíblia e História – Durante anos, negou-se, por exemplo, a passagem do povo judeu pelo Egito, pois não havia nenhum registro da passagem deste povo por aquela terra, no entanto, textos mais recentes foram encontrados com registros demonstrando a passagem deles num determinado período da história;

Bíblia e Arqueologia -  Durante anos, questionaram a existência de Anás e Caifás, porque nenhum registro existia sobre tais personagens, ou mesmo de Pilatos. Pesquisas arqueológicas recentes mostram a veracidade e historicidade destes personagens. Em Cesaréia de Filipos, existe uma rocha com o nome deste governador da Judeia, descoberto em 1970 por pesquisas.
Schaeffer afirma: 
“O Cristianismo é uma religião de fatos”. A história cada vez mais aponta para a veracidade das Escrituras e sua historicidade.

Curso de Apologética - Lição 1- A importância da Apologética



Introdução:


O termo apologética vem do grego, e significa originalmente “defesa”. Paulo afirma que os pagãos, no último dia, serão julgados diante de Deus por serem "indesculpáveis" (Rm 1.20). O termo original é "unapologeticon", veja que na raiz da palavra, surge o termo "apologética", dando a ideia de que não terão como se defender. Durante muitos anos o cristianismo teve que lutar com as heresias. Doutrinas e pensamentos contrários à doutrina. Por isto Paulo fala da “boa doutrina”, “sã doutrina” e “doutrina pura”. Se falamos da “boa”, é porque existe a má, se existe a “sã”, existe a “má doutrina”. Se tem a “pura”, existe a adulterada, falsificada.

O apóstolo Paulo para cuidar de nós mesmos, e da doutrina (1 Tm 4.16).

É muito curiosa esta exortação. Não apenas devemos cuidar da vida: corpo, mente, emoções e alma, mas devemos cuidar também da doutrina que professamos.
Já encontrei muitas pessoas dentro da igreja que afirmam não gostar de doutrinas, porque elas trazem a ideia de dogmas, algo inflexível, inegociável. Se você pensa desta forma sugiro que você anote na sua Bíblia quantas vezes aparece a expressão doutrina, apenas nas cartas de Paulo a Timóteo e Tito. Paulo fala, por exemplo de “boa doutrina” (1 Tm 4.6) de “outras doutrinas”(1 Tm 1.3) e da “sã doutrina” (1 Tm 1.10). Vamos pensar um pouco sobre cada uma destas afirmações.

Temos que entender que existe “boa doutrina”, o que inexoravelmente nos leva a considerar que existe seu oposto, ou seja, “a má doutrina”.
Boa parte dos livros do Novo Testamento é apologética, por sua natureza. O propósito dos autores era de “defender a fé, uma vez dada aos santos” (Judas vs 3). Por que? Já nos dias apostólicos, “certos indivíduos se introduziram com dissimulação” na igreja (Judas vs. 4). Era muito comum surgirem pregadores afirmando coisas que eram contrárias à fé cristã, o conjunto de crenças aceito pelas igrejas Cristãs. Paulo cita nominalmente Himeneu e Fileto, pregadores desviados da verdade (2 Tm 2.17,18). O perigo da má doutrina é sempre constante. Muitos se apostaram da fé e passaram a obedecer a ensinos de demônios, cauterizando a consciência e que ensinavam coisas absurdas no meio das igrejas (1 Tm 4.1-3).
A grande luta dos reformadores do Século XVI foi contra as distorções da palavra de Deus. Era necessário retornar as escrituras e considerar atentamente o que Jesus e os apóstolos ensinaram à igreja. Eles desenvolveram o princípio da Sola Scriptura, isto é, apenas as Escrituras Sagradas poderiam ser o fundamento daquilo que deveriam crer e dar as normas de como deveriam viver. Nem tradição, nem novas revelações ou novos ensinamentos, poderiam substituir ou serem acrescentados à Palavra de Deus, Antigo e Novo Testamentos.

Não é muito diferente em nossos dias.

Recentemente uma irmã que se converteu nesta igreja resolveu voltar e se filiar novamente à nossa comunidade depois de vários anos afastada. Ela participou de várias igrejas e ouviu muitas opiniões de pastores e ouviu várias doutrinas e linhas teológicas. Ela me disse que nós não fazemos a mínima ideia das loucuras e desvarios que tem sido ensinado em muitas comunidades nestes dias. Ela estava certa!

A exortação paulina parece cada vez mais atual: Cuida da boa doutrina. Cuidado com a má doutrina.
A má doutrina pode destruir a simplicidade de sua fé e tornar a vida um inferno de acusação, medo e culpa. Paulo diz a Timóteo que, cuidando dele e da doutrina salvaria tanto a si mesmo como a outros. A má doutrina pode levar–nos ao inferno, ainda que dê a impressão de que ela está caminhando em direção ao céu.

Em segundo lugar, Paulo fala ainda da sã doutrina, o que nos leva a considerar que existe seu oposto, a doutrina doente. A doutrina bíblica é saudável, traz vida aos ouvintes e praticantes. A doutrina doente, neurotiza, sataniza e enlouquece seus seguidores. Não é por acaso que hospitais psiquiátricos estão repletos de pessoas seguidoras de religiões. Princípios distorcidos podem enlouquecer as pessoas.

Em terceiro lugar, Paulo fala de “outras doutrinas”(1 Tm 1.3). Ele deixou Timóteo em Éfeso para que admoestasse certas pessoas a não ensinarem “outra doutrina”, isto é, havia naquela igreja, pessoas que estavam ensinando o que Deus nunca havia dito.

Na carta aos Gálatas, que foi escrita cerca de 30 anos depois da morte de Cristo, Paulo afirma que as pessoas da igreja da Galácia, estavam pervertendo o evangelho, passando da graça de Cristo para “outro evangelho” (Gl 1.6-9). O problema crucial é que não existe outro evangelho. Nada pode substituir o evangelho, ser colocado no seu lugar ou adicionado a ele. O evangelho ou é puro ou não é evangelho. Paulo afirma que ainda que um anjo vindo do céu, pregasse outro evangelho, deveria ser considerado maldito (Gl 1.8). Ainda que um pregador eloquente, uma profetisa ou profeta místico fizesse afirmações contrárias, deveriam ser considerados como enviados pelo diabo e rejeitados.
Existe um “outro evangelho”, uma “outra doutrina”, sendo ensinado por aí, e não deveremos nunca aceitá-la. Rejeitar a verdadeira doutrina pode nos destruir espiritualmente, como afirma as Escrituras (1 Tm 4.16).

Deus nos fez seres pensantes. Eu nunca seria um bom cristão se intelectualmente a fé cristã não respondesse as minhas questões. Certa vez um jovem cineasta no Rio de Janeiro me disse que daria tudo para crer nas “bobagens” que eu cria. Respondi-lhe que jamais gostaria de crer em mentiras em nome de verdade, mesmo que parecesse a coisa mais atraente, porque, “toda verdade é verdade de Deus”(Os Guiness) e Jesus afirmou que “a verdade liberta”. Se adotamos a mentira como nosso parâmetro, certamente nos perderemos. Mentira é engano, falsidade.

O uso do termo Apologética na Bíblia
At 22.1 – “Pais e irmãos, ouvi agora a minha “defesa” (apologética)”.
At 25.16 – “...e possa defender-se (apologética) da acusação “.
1 Co 9.3- “A minha defesa (apologética) perante os que me interpelam é esta
Fp 1.7 – .”... seja na defesa (apologética) e confirmação do evangelho.
Fp 1.16 - .”... estou incumbido da defesa (apologética) do evangelho”.
2 Tm 4.16 – “Na minha primeira defesa (apologética) ninguém foi a meu favor.
1 Pe 3.15 – ...“dar razão da esperança que há em vós”.

Objetivos da Apologética
a. Fortalecer a própria fé
Schaeffer: “Obrigado por me dar mais motivos para adorar o meu Deus “

b. Fortalecer a fé dos irmãos – Cl 3.16
Schaeffer: “O cristianismo, quando levado às ultimas coerências, é sempre racional”.

c. Remover barreira intelectual dos descrentes – Não é suicídio intelectual
Schaeffer: “ Não é justo nem honesto dizer, creia somente”.

d. Apologética não substitui a oração, nem o Espírito Santo.

Curso de Apologética - Ementa




“Antes, santificai a Cristo nos vossos corações, estando preparadas para 
responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós”.
(1 Pe 3.15).
"O Cristianismo é tudo ou é nada.
Ou é a maior das certezas, ou a maior das desilusões"
Beattie



Programa do curso

Aula 1
Introdução
A necessidade de Apologética

Aula 2
Provas racionais da autoridade da Bíblia

Aula 3
O cristianismo diante das filosofias:
Darwinianismo
Existencialismo
Psicanálise
Marxismo

Aula 4
O cristianismo é coerente com a razão?

Aula 5
Provas racionais da existência de Deus

Aula 6
O problema do sofrimento
Deus é o autor do mal?

Aula 7
Gnosticismo & Pensamento cristão

Aula 8
O cristianismo e as questões éticas
Divórcio
Homossexualismo
Bioética
Sexualidade
Ecologia
Finanças e integridade

Aula 9
As exigências radicais do cristianismo bíblico
Conversão
Exclusividade
Discipulado
Generosidade
Martírio

Aula 10
Jesus é Deus?
Ele ressuscitou de fato?

Bibliografia: 
Stott, John - Crer é também pensar. São Paulo, Ed. ABU, 1977


segunda-feira, 2 de março de 2015

PLANTAR IGREJAS



Ronaldo Lidorio[1]

Meu desejo neste artigo é descrever alguns princípios teológicos e sua aplicação na Evangelização do mundo em nossos dias. Plantação de igrejas, contudo, é uma expressão com uma variedade de sentidos e conceitos. Normalmente associado com evangelismo e comunicação do Evangelho. De acordo com Van Rheenen é "iniciar comunidades reprodutoras que reflitam o Reino de Deus no mundo""[1] mas é também fazer a ligação com a igreja como a nutrição, maturidade e crescimento da igreja. Donald MacGavran desenvolvem o estudo de crescimento de igreja e posteriormente Garrison apresentou o conceito de plantação da igreja como um movimento de "rápida e exponencial crescimento de igrejas indígenas e plantação de igrejas dentro de um dado grupo ou de um segmento populacional"[2].   Em face da diversidade de termos e definições podemos antecipar determinadas limitações no estudo deste assunto.
Um dos estigmas freqüentemente relacionados ao conceito de plantação de igrejas está associado à metodologia e o processo do ponto de vista pragmático. Somos tentados a entender a plantação de igrejas com base nos seus resultados antes que na sua fundamentação teológica. Conseqüentemente o que é bíblica e teologicamente fundamentado torna-se menos importante que seu bom funcionamento e a efetividade pragmática[3]. Eu tenho a convicção de que todas as decisões missiológicas deveriam estar enraizadas na teológica bíblica para que realizemos o desejo de Deus e para cumprir o seu mandamento (At 2.42-47).
Uma segunda limitação é o fato de ligarmos a questão da plantação de igrejas a nada mais que uma rede de contactos para solucionar as necessidades das pessoas. Isto tem se tornado uma questão crescente no mundo pós moderno. Isto acontece quando a igreja toma decisão baseada puramente na compreensão antropológica das necessidades antes que na orientação teológica das Escrituras. Neste caso a cultura e as questões culturais relacionadas, antes que as Escrituras, determinam o tipo de teologia que deveria ser aplicada a determinado grupo ou sociedade. Vicedon afirma que somente uma compreensão  profunda das Escrituras e da natureza da igreja (Ef 1.23) poderiam capacitar plantadores de igrejas a tomarem decisões e agirem de forma enraizada na "Missio Dei" ao invés das demandas da cultura[4].
Uma terceira limitação é eclesiológica, que tem a ver com a compreensão da natureza intrínseca e missão da igreja. Embora concordemos com Bosch que "Não é a igreja de Cristo que tem a missão no mundo, mas o Deus das missões que tem a igreja no mundo”[5]. Precisamos clarificar o valor da igreja em termos de sua identidade. Quando Dietrich Bonhoeffer escreveu "A Igreja de Cristo é a igreja somente quando ela existe para os outros”[6], ele estava parcialmente certo. Embora a igreja tenha um grande impacto em termos de apelo missionário, seu  valor intrínseco deve ser reconhecido porque ele é o resultado do sacrifício de Jesus, e Jesus e a cruz são o centro do plano de Deus. Se a glória de Deus é o alvo final da igreja que existe, então sua comunidade santa tem valor por causa de sua identidade. Embora missões sejam uma prioridade escriturística na vida igreja, não devemos limitar sua esfera de operação apenas para este alvo, desde que missões não são um alvo final em si mesmo. Adoração, santidade, unidade e comunhão são também importantes aspectos da identidade cristã. Portanto, a igreja não é primariamente um meio de alcançar pessoas, mas antes de tudo um instrumento para glorificar a Deus (Ef 3.10). Precisamos entender que Deus pode ser glorificado, ao mesmo tempo numa cruzada missionária em Accra com um milhão de pessoas envolvidas ou num "culto doméstico", numa pequena igreja com 18 pessoas em Hayacucho. Embora evangelismo e plantação de igrejas exerçam um papel importante na "Missio Dei", a missão da igreja não deveria ser limitada apenas à sua proclamação (Rm 16.25-27).
Tendo analisado estas três limitações podemos agora concentrar em alguns importantes aspectos da plantação de igrejas relacionados à Teologia de Missões:

1. RECONCILIANDO MISSIOLOGIA E TEOLOGIA

Missiologia e teologia não deveriam ser consideradas como áreas isoladas de estudos, antes percebidas com dois lados de uma mesma moeda. A teologia não apenas ajuda a igreja a entender o significado de missões no fundamento de plantação de igrejas, mas também prove profunda motivação para evangelismo. Missiologia, por outro lado, direcione os teologia ao Planto redentivo de Deus e ajuda-nos a ler as escrituras com óculos missionários. Isto nos capacita a desenvolver o ensinamento bíblico que vai além de quatro paredes da igreja e seminários para cristãos alcançarem pessoas no seu próprio contexto e cultura porque "a igreja deve estar enraizado ao mesmo tempo no ser e na missão de Deus"[7].
Hesselgrave, percebendo a ausência de fundamentação teológica nos estudos sobre plantação de igrejas pergunta sobre "Qual é o significado duradouro no compromisso evangelístico em relação a autoridade da Bíblia se os ensinamentos bíblicos não modelam explicitamente nossa missiologia?”[8]
Van Engen vai além ao afirmar que teologia de missões precisa ser um campo multidisciplinar que a lê a Bíblia com olhos missionários e "baseado nesta leitura, reexamina continuamente, reavalia e redireciona o envolvimento da igreja na missão de Deus no mundo de Deus"[9] .
Paul Hiebert afirma "freqüentemente escolhemos poucos temas, e a partir destes temas construímos uma teologia simplista ao invés de olhar nas razões teológicas que brotam através das sagradas Escrituras", isto torna claro que o trabalho missionário sem uma teologia com sólida fundamentação está divorciado da mente de Deus.
Temos que enfrentar três perigos quando teologia e missiologia não são percebidas como parceiras:
a)      Usamos Deus como instrumentos para cumprir nossos propósitos na plantação de igrejas ao invés de o servimos para alcançar seu plano na terra[10] (1 Co 3.11).
b)      Oferecemos soluções simplistas para problemas complexos e ambíguos relacionados a comunicação do evangelho, contextualização e plantação de igrejas.
c)      Defendemos que existe apenas uma forma bíblica para realizarmos o mandamento de Jesus para fazer com que o Evangelho chegue até os confins da terra.

Quando Martin Kahler afirmou que missão é "a mãe da Teologia", ele estava demonstrando que a teologia é desenvolvida enquanto a mensagem de Cristo está sendo anunciada; isto é, ela é formada enquanto os plantadores de igreja refletem e trabalham para realizar o plano de Deus em diferentes lugares e contextos culturais (1 Co 3.6). Por outro lado, plantar igrejas não é encontra justificativa em si mesmo, antes é um instrumento usado por Deus para cumprir seu propósito final e a missão cósmica de Deus (Hb 1.1-4).

De acordo com David Bosch, teologia nos dias do Novo testamento era praticada no contexto de missões em resposta às questões missiológicas, na medida em que o Evangelho se espalhava e a igreja precisava ser nutrida. O apóstolo Paulo é um clássico exemplo visto que ele foi "o mais importante teólogo do cristianismo e seu maior missionário – citando”[11] Augustus Nicodemus Lopes. Quando analisamos os ensinos paulinos descobrimos que sua teologia bíblica é fundamental para seu ministério, e seu ministério missionário inspira nos a refletir sobre Deus e sua ação no mundo (Rm 15).  Missiologia e teologia indiscutivelmente trabalham juntos, passo a passo.


2.  ORIENTACAO TEOLOGICA PARA PLANTACAO DE IGREJAS

Lesslie Newbigin exerceu uma grande influencia no mundo missiológico ensinando que a igreja só poderia encontrar uma renovação na sua existência e testemunho através de um "encontro renovador do Evangelho com sua cultura". Portanto, para trazer respostas às questões missiológicas de hoje precisamos providenciar: a) análise sócio-cultural; b)reflexões bíblicas e teológicas, e; c) visão para a igreja e sua missão[12].
É necessário solidificar nossos valores bíblicos para plantação de igreja. Três destes valores são extremamente relevantes.

Plantação de igrejas deveria ser definido não em termos de resultados humanos, mas pela fidelidade às Sagradas Escrituras.

O fundamento da comunicação do Evangelho nunca deveria ser definido na perspectiva da funcionalidade, mas nos princípios bíblicos (1 Ts 1.5). Em Plantação de igreja o que é bíblico não necessariamente significa que será grande em termos de resultado e sucesso de tempo, dinheiro e números. Estas afirmações levam-nos de forma direta à necessidade de orientarmos nossas atividades missionárias com fundamentos bíblicos teológicos[13]. Murray afirma que "todos os plantadores de igreja operam com estruturas teológicas, mas freqüentemente elas são articuladas e adotados de forma não crítica, ao invés de serem resultantes de reflexão[14].

Se você procurar por movimentos de vanguarda de plantação de igrejas no mundo de hoje, rapidamente descobrirá movimentos não bíblicos aparecendo entre os 10 primeiros lugares em termos de número e influencia. A Igreja do Santo Espírito em Gana, por exemplo, é uma comunidade envolvida com o movimento de plantação de igrejas que está crescendo rapidamente no Sul daquele país. Alguns anos atrás eu me lembro quando o fundador escreveu uma carta a todas as instituições cristãs, convidando-as para um dia de festividades, na qual declarava ser ele mesmo a encarnação do Santo Espírito na terra. Hoje este é um movimento que cresce rapidamente, plantando igrejas e avançando em sua influencia através de diferentes partes do país e até mesmo além de suas fronteiras. Este é um tempo para definirmos nosso compromisso. Estamos comprometidos com a mente e a visão de Deus tal qual nos é revelada nas Escrituras e não através de estratégias humanas de crescimento, independente dEle.

Plantação de igrejas deveria ser definido não em termos de treinamento e habilidades, mas pelo poder de Deus e o desejo de salvar vidas.


Embora exista uma grande necessidade de treinamento para habilitar os obreiros, nós não deveríamos criar expectativas em termos de cumprir nossa missão apenas através de estratégias elaboradas e de bem treinados recursos humanos. Nada, exceto o poder de Deus e sua atividade podem capacitar a igreja para espiritualmente alcançar Seu plano e ser relevante no mundo de hoje (Ef 2.1-10). Plantar igrejas não é apenas um problema de marketing, metodologia e estratégia, mas uma questão espiritual, definida pelo pode de Deus liberado através do único e histórico sacrifício de Cristo e pela capacitação à tarefa por meio da capacitação do Espírito Santo (Jo 14.15-18) que leva a igreja a orar, crer e trabalhar.

Anderson, expondo as três fórmulas[2] centradas no homem demonstra que o projeto de comunicar o Evangelho envolve quatro áreas: a) A conversão de pessoas perdidas; b) A organização deles em igrejas locais; c) Providenciar e instituir um líder em cada comunidade e, d) Liderar a comunidade para se tornar independente.

Por ser ao mesmo tempo, uma comunidade espiritual e uma organização humana, todos cristãos precisam ter uma clara compreensão do que é a igreja de tal forma que possam ser canalizadas para servir ao Senhor. É importante ensinar que:
➢       A Igreja, enquanto comunidade de redimidos, foi gerada por Deus e pertence a Deus (1 Co 1.1-2);
➢       A Igreja não é uma sociedade alienante. Aqueles que foram redimidos por cristo são ainda homens e mulheres, pais, crianças, fazendeiros e pescadores que respiram o Evangelho onde quer que estejam (Mt.10);
➢       A Igreja não é uma comunidade em isolamento, nós fomos chamados para ser santos no mundo, e não à parte dele (1 Co 6.12-20);
➢       A igreja é a uma comunidade sem fronteiras, portanto ela é missionária na sua essência (Rm 15.18-19).
➢       A vida da igreja, acompanhada da Palavra, é um grande testemunho ao mundo perdido. É necessário que preguemos o Evangelho que faz sentido dentro de for a da construção de nossos (Jo 14.26; 16.13-15);
➢       A maior missão da Igreja é glorificar a Deus (1 Co 6.20; Rm 16.25-27);

Plantação de Igrejas deveria ser definido não em termos de conhecer o Evangelho, mas de compartilhar o Evangelho.

O ponto mais relevante em lidar com a práxis da plantação da igreja não é pensar em quanto somos capazes de pregar o Evangelho, ms quanto nós o pregamos! (Ef 1.13). A igreja nasce onde a palavra de Deus é pregada poderosamente e isto marca a importância essencial de proclamar o Evangelho no processo de plantação de igrejas como uma atividade não negociável. Van Egen and Van Gelder afirmaram que o objetivo das missões cristas é de fazer o Evangelho conhecido entre os homens em seu contexto e não gerar uma estrutura física e eclesiástica[15].
Conversando com um novo convertido no Peru, onde existe um bom time de plantadores de igrejas de diferentes missões eu perguntei porque as pessoas não estavam vindo para o Senhor, considerando que os missionários estavam trabalhando ali por um longo período de tempo, e ele disse: "Eu creio que é porque o Evangelho não está sendo pregado e as pessoas não estão ouvindo o Evangelho". Eu então entendi que, conquanto os missionários tenham uma boa liderança, comunicações de satélites, relatórios trimestrais e uma boa estrutura para exercer seus ministérios, eles simplesmente não estão pregando o Evangelho.
Antes de fazer qualquer coisa, os plantadores de igreja precisam proclamar a palavra viva. Trabalhos sociais, ministérios holísticos e compreensão da cultura nunca podem ser substitutos de uma clara comunicação[16] do Evangelho nem justificar a presença da igreja. O conteúdo do Evangelho em todo ministério de plantação de igreja deveria incluir Deus como Criador e Soberano Ser (Ef 1.3-6); o pecado da humanidade que distancia os homens da presença de Deus (Ef 2.5) e Jesus, Sua cruz e ressurreição como parte do central do plano de Deus em redimir as pessoas (Hb 1.1-4). A Base do ministério de plantação de igrejas deve ser a proclamação do Evangelho. Isto significa que somente uma igreja viva, com uma experiência renovada com o Senhor está habilitada a compartilhar a dinâmica e poderosa mensagem de Deus (Jo 16.13-15).

3. PLANTAÇÃO DE IGREJAS E CONTEXTUALIZAÇÃO

Entre os Gonja, do país de Gana, existe um ditado: Os cães de ontem não podem capturar os coelhos de hoje. Culturalmente isto significa que novos problemas numa sociedade tribal não podem ser resolvidos com velhas soluções. De um ponto de vista missiológico, isto pode nos ajudar a lembrar que em nosso rápido, globalizado e pós moderno mundo, precisamos orar por discernimento para que possamos entender como capturar novos coelhos. Isto deve se tornar um marco na grande necessidade que temos de entender e estudar a contextualização do evangelho em nossa metodologia de plantar igrejas.

David Bosch afirma que "O Evangelho semper vem em roupagens culturais. Não existe o "puro" Evangelho, isolado da cultura"[17]. Antropologia torna-se uma poderosa ferramenta para a comunicado do Evangelho, na medida em que cobre varias áreas de interesse como a Antropologia Cultural e Fenomenologia, que ajuda a igreja a entender pessoas e culturas com uma para proclamar o Evangelho. Como George Huntsburger afirmou: "Não existe nenhuma livre expressão do Evangelho livre da cultura, nem poderia existir". O objetivo de contextualizar cultural e teologicamente a compreensão do Evangelho é plantar igrejas no seu próprio ambiente que consigam responder suas questões culturais e humanas pela teologia bíblica.

A Igreja de Cristo precisa expor sua teologia de uma forma relevante, compreensível e clara para as pessoas na sua própria cultura. Se olharmos o contexto africano, por exemplo, podemos ver que a des-ocidentalização que vai possibilitar o cristianismo a se integrar plenamente entre algumas tribos nunca poderá ser feita sem que seja também des-ocidentalizada, num nível bíblico, a teologia que comunica a mente de Deus e dá sentido aos Africanos na sua própria terra[18].

A contextualizacao do Evangelho implica em traduzir o Senhorio de Jesus Cristo de uma forma tal, que não seja identificado como um mero princípio a ser aplicado num nível institucional, mas um fator determinante de vida que se expressa aos homens no seu mundo doméstico e diário. Jesus Cristo não deveria ser apresentado como resposta às questões apreentadas pelos missionários, ou como a solução para muitos dos problemas do mundo ocidental que nos cerca, mas para responder às questões do homem inserido em seu próprio contexto.

Tippett afirma que “quando os povos indígenas de uma comunidade pensam no Senhor como alguém que faz parte de sua cultura, não como um Cristo estrangeiro; quando eles fazem coisas percebendo o Senhor encontrando suas necessidades culturais em torno deles, quando adoram em paradigmas que eles podem entender; quando suas congregações funcionam em participação com um corpo que é estruturalmente da terra, então eles terão uma igreja verdadeiramente indígena".

Se um Ocidental tem uma tuberculose ele será diagnosticado e tratado de acordo com a compreensão geral da enfermidade e medicina ocidental. Num mundo animista, contudo, esta tuberculose pode ser vista como um problema específico para um individuo específico. Nenhuma atitude será tomada antes que obtenham uma resposta ao "porque"a pessoa está tendo este problema, porque conhecer a fonte do problema é mais importante que lidar com o problema em si. Embora o Evangelho traga uma resposta supra-cultural da mente de Deus para todas as culturas humanas em todos os tempos, a forma que fazemos as questões pode varia de cultura para cultura, tornando a igreja eresponsavel não apenas para entender o Evangelho, mas apresentá-lo em cada cultura de forma relevante, compreensível e aplicável.

Taylor uma vez afirmou "Jesus tem sido apresentado como resposta às questões que um homem branco deveria fazer, a solução para as necessidades que o homem ocidental poderia sentir, o Salvador do mundo na perspectiva da cosmovisão Européia, e o objeto da adoração e oração de uma cristandade histórica".

ConclusÃO


1.                  Toda plantação de igreja deveria ser baseada, de forma retumbante, em princípios bíblicos e não guiado meramente pela visão de enviar e receber cultura, desde que entendemos que a Bíblia é, ao mesmo tempo aplicada de forma que ultrapasse as culturas e deve ser definida como algo supra cultural [19].
2.                  Plantadores de igrejas tem o objetivo de construir uma igreja num novo universo cultural – indígena. A igreja deve perceber-se como a Igreja de Cristo na sua expressão local[20].
3.                  Como resultado disto, toda plantação de igreja deveria buscar o estabelecimento de comunidades indígenas locais de discípulos de Cristo, que encontrem a capacidade de funcionarem dentro de sua cosmovisão e interagindo um com o outro. Estas comunidades deveriam ter a habilidade e liberdade de determinar onde e como elas irão proclamar[21] o Evangelho.
4.                  Plantação de Igreja é uma parte da "Missio Dei", portanto seu foco deveria ser Deus e sua glória.


[1] Tradução Samuel Vieira
[2] [2] Three-Self Formula: A teoria da maturidade da Igreja promovida por Rufus Anderson and Henry Venn durante a última metade do sec XIX, advogando que "jovens igrejas nos campos missionarios deveriam obter sua independência com base em três principios: auto-propagacao, auto-suporte e auto-governo.


NOTAS FINAIS

[1] Missions Dictionary www.missiology.org/missionsdictionary.htm, Gailyn Van Rheenen

[2] Donald McGavran, Understanding Church Growth  Grand Rapids: Erdmans, 1970

[3] See John Stott, “The Living God is a Missionary God,” in Perspectives on the World Christian Movement, Ed. Ralph Winter and Steven Hawthorne,
 Pasadena: William Carey Library, 1981

[4] Vicedom, George F. 1965. The Mission of God. Trans. Gilbert A. Thiele and Dennie Hilgrendorf. St. Louis: Concordia.

[5] Moltmann, Bosch: MSC p.85

[6] in Letters and Papers from Prison. New York: Macmillan, 1953

[7] George Lings, Mission-shaped Church Theology  www.encountersontheedge.org.uk/ main/Reports/MSCreports/MSCtheology.htm

[8] Essential Elements of Church Planting and Growing in the 21st Century. David Hesselgrave. MSC Vol. 36, No. 1

[9]  Van Engen, Charles. 1999. Footprints of God: A Narrative Theology of Mission. Monrovia, CA

[10] See Hesselgrave, David. 1988. Today’s Choices for Tomorrow’s Mission: An Evangelical Perspective on Trends and Issues in Missions. Grand Rapids: Zondervan

[11] Lopes, Augustus. Article:  Paul - church planter: rethiking the biblical foundations for the missionary work. Augustus Nicodemus Lopes, CEP.  Compiled in the book A Bíblia e seus interpretes, Lopes, Augustus. CEP.

[12] Newbigin, Lesslie.  1984.  The Other Side of 1984:  The Gospel and Western Culture.  Geneva:  WCC Publications

[13] See J. Verkuyl, Contemporary Missiology: An Introduction. Trad. Dale Cooper. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1978.

[14] Stuart Murray, Church Planting: Laying Foundations, 2001.

[15] Van Engen, Charles.  2004.  Centrist View.  In Evaluating the Church Growth Movement Gary McIntosh, ed.  Grand Rapids:  Zondervan.

[16] See Hesselgrave, David. 1988. Today’s Choices for Tomorrow’s Mission: An Evangelical Perspective on Trends and Issues in Missions. Grand Rapids: Zondervan

[17] David J. Bosch. Transforming Mission: Paradigm Shifts in Theology of Mission. 1991

[18] See Hiebert, Paul. 1993. De-theologizing missiology: A response. Trinity World Forum

[19] See Garrison, David. 1999. Church Planting Movements. Richmond:  International Mission Board of the Southern Baptist Convention

[20] J. Verkuyl in Contemporary Missiology: An Introduction.

[21] Three-Self Formula: the theory of church maturation promoted by Rufus Anderson and Henry Venn during the last half of the nineteenth century advocating that "young churches on the mission field would gain their independence on the basis of the principles of self-propagation, self-support, and self-government"
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[1] Anderson, Neil Victory over the Darkness , Ventura, CA. Regal, 1990, pg 201.
[2] Edmondson Robert L., It only hurts on Monday: Why pastors quit and what churches can do about it (D. Min. diss., Talbot School of Theology, Biola University, December, 1995, pgs 111-112.
[3] Swindoll, Charles R., The grace awakening, Dallas, word, 1990, pg 129.