sexta-feira, 15 de outubro de 2021

6. A REVITALIZAÇÃO DA IGREJA N0 PENSAMENTO REFORMAD0

 


 

 

 

Introdução:

COMO A IGREJA REFORMADA CONCEBE A REVITALIZAÇÃO?

 

Texto do Valdeci Santos

https://cpaj.mackenzie.br/wp-content/uploads/2019/05/Fides_v16_n1-Revitaliza%C3%A7%C3%A3o-de-Igrejas-Uma-Reflex%C3%A3o-Teologicamente-Orientada.pdf

 

“Revitalização de igrejas” já se tornou uma expressão popular, comumente empregada na literatura missiológica, em trabalhos acadêmicos e até em

cursos específicos de graduação.

 

O uso frequente da expressão, no entanto, não descarta a necessidade de maiores esclarecimentos ou mesmo de algumas abordagens diferentes sobre sua natureza.

 

Riscos:

Abordagem pragmática:

Por exemplo, três renomados missiólogos contemporâneos defendem que a igreja precisa de mudanças e revitalização “porque ela tem demonstrado pouco ou nenhum crescimento estatístico (numérico, espiritual e outras formas) e evidencia um impacto mínimo na cultura ao redor”.

 

A proposta para recobrar a vitalidade nesses casos geralmente implica em

reestruturar igrejas “nos moldes de Willow Creeks, Saddlebacks, Mars Hills e todas as outras megaigrejas que surgiram na última década”.5

 

Até denominações reconhecidamente conservadoras partem de análises estatísticas para justificar a necessidade de se focalizar na revitalização de suas congregações. O problema é que as abordagens nesses casos são mais horizontais do que verticais, mais sociológicas do que teológicas.

 

Logo, a despeito da grande quantidade de literatura sobre o assunto, ainda há a necessidade de uma abordagem que seja teologicamente orientada sobre o processo de revitalização de igrejas.

 

Na perspectiva da reforma, como devemos analisar o pensamento reformado.

Ou, como o professor Valdeci sugeriu: Revitalização de-Igrejas-Uma Reflexão Teologicamente Orientada

 

 

O ensino bíblico-teológico sobre o assunto. princípios bíblicos aplicáveis a qualquer igreja de qualquer contexto cultural. A premissa básica para esta abordagem é que os métodos empregados no processo de revitalização podem até variar, mas os princípios e pressupostos bíblicos devem ser sempre mantidos e preservados.

 

A razão fundamental para essa análise é o fato de a igreja ser retratada nas Escrituras muito mais do que como um construto social ou como uma instituição humana. A igreja é descrita como o corpo vivo de Cristo (Ef 1.22-23), o objeto do amor de Cristo (Ef 5.25-27) e a assembleia dos primogênitos do Deus vivo (Hb 12.22-23).

 

Dessa forma, qualquer análise da igreja que não considere sua natureza teológica acaba se revelando deficiente. Antes de prosseguir neste estudo é necessário deixar claro o conceito aqui empregado em relação à revitalização. Os inúmeros tratamentos sobre esse assunto, bem como o crescente interesse sobre o tema, exigem definição clara do que se entende sobre esse termo a fim de evitar confusões futuras.

 

Nesse sentido, revitalização de igrejas é diferente de avivamento ou despertamento espiritual, visto que essas duas realidades são resultantes de visitações especiais do Espírito Santo sobre o seu povo.8

 

Por outro lado, revitalização de igreja não consiste em mera programação eclesiástica, uma vez que essa é . apenas uma atividade temporária para atender a uma necessidade específica da igreja local.

 

Revitalização é uma palavra que abriga em si a esperança da renovação do vigor, da restauração da saúde e crescimento já experimentados, do redirecionamento do propósito original e bíblico da igreja, bem como da reafirmação das doutrinas e valores bíblicos.

 

O resultado de um processo assim é, certamente, um novo refrigério do Espírito sobre a vida da igreja. A contribuição de Ross é novamente útil nesse ponto, pois ele argumenta que “revitalização é o esforço de restaurar o propósito, paixão, pureza e prioridades corretas à vida e ministério da congregação local, mas não é uma tentativa de produzir avivamento por meio de técnicas avivalistas”.9

 

Prof Valdeci divide o tema em três tópicos:

.

1.  O ciclo de vida da igreja sob a perspectiva teológica. pressupostos doutrinários fundamentais para se considerar o processo de revitalização de igrejas.

 

2. Princípios bíblicos a serem observados no processo de revitalização de igrejas. Os princípios aqui enfocados serão apenas aqueles essenciais, uma vez que essa reflexão necessita ser concisa.

 

3. Estratégias teologicamente orientadas

 

I.

fundamentos teológicos sobre o ciclo de vida da igreja local

 

Vários estudiosos dedicados ao ministério de revitalização de igrejas têm constatado que de modo semelhante ao que acontece no universo biológico é possível afirmar que uma igreja local experimenta diferentes etapas no seu ciclo de vida.10 A formação de uma congregação local é, geralmente, marcada por vigor e alegria, especialmente à medida que se observa pessoas sendo alcançadas pelo poder do evangelho. Com o passar do tempo, porém, a vitalidade inicial da congregação pode sofrer contratempos e entrar em declínio devido a variados fatores, sejam eles espirituais, culturais, doutrinários, relacionais e outros.11

 

Miller argumenta que uma igreja entra em declínio quando perde algumas características básicas:

§  uma visão egocêntrica e limitada acerca do Reino de Deus,

§  falta de clareza do papel da liderança

§  desvio do propósito de sua missão conforme revelado pelas Escrituras.

 

 

Charles Swindoll observa que “as organizações tendem a perder a vitalidade ao invés de ganhá-la à medida que o tempo passa. Elas tendem a dar maior atenção ao que ‘foram’ ao invés do que elas ‘estão’ se tornando”.

 

A própria Bíblia atesta a sua realidade.

Éfeso: a congregação que começa bem, revelando altos índices de vitalidade, nem sempre mantém essa vitalidade com o passar dos anos (cf. At 19-20; 1Tm 1 e Ap 2.1-7).  O mesmo ciclo de vida pode ser encontrado nos relatos acerca das sete igrejas da Ásia, conforme encontrados no início de Apocalipse (cf. Ap 1-3).

 

Finalmente, uma leitura das cartas paulinas ao jovem pastor Timóteo, considerando que o apóstolo enviou Timóteo a Éfeso para corrigir alguns erros naquela congregação (cf. 1Tm 1.3), deveria ser suficiente para motivar o estudo daquelas cartas como “um manual para a revitalização de igrejas”.15 Em todos esses casos, a condição de declínio das igrejas em questão exigia esforços em prol da restauração do vigor perdido.

 

Quatro doutrinas básicas

Há, no mínimo, quatro doutrinas cristãs intimamente relacionadas ao fato de uma igreja poder experimentar diferentes estágios em sua vida, podendo, inclusive, chegar ao ponto de urgente necessidade de revitalização. Embora seja possível identificar outras doutrinas conectadas a esse fenômeno, aquelas que serão listadas aqui são suficientes para uma reflexão teológica sobre o assunto.

 

A primeira doutrina a ser considerada em relação à eventual necessidade de revitalização de uma igreja local é a que diz respeito à natureza orgânica da igreja cristã.

 

As Escrituras claramente retratam a igreja de Cristo como um organismo e não apenas uma organização. Isso fica evidente por meio das metáforas bíblicas empregadas para descrever a igreja.

 

Por exemplo, o corpo de Cristo (1Co 12.12-27),

a família de Deus (Ef 3.14 e 4.19-22),

a assembleia dos santos (Hb 12.22-24),

a noiva do Cordeiro (Ef 5.32 e Ap 21.9-10),

os ramos de uma vinha (Jo 15.5), etc.

 

Cada uma dessas metáforas contém em si o conceito de vitalidade que caracteriza o organismo chamado igreja. Todavia, essa vitalidade não é autônoma, mas totalmente dependente do Senhor Jesus. Essa misteriosa união orgânica de Cristo com a igreja, como afirmou R. B. Kuiper, “significa que a igreja não tem vida à parte de Cristo e que recebe de Cristo a vida que ela tem”.16 O fato de Cristo ser a cabeça da igreja significa que toda a vida e nutrição da mesma emanam de Cristo.

 

Recentemente, Mark Dever tem exortado os cristãos a refletirem melhor sobre esse assunto enfatizando:

“A igreja é um povo, não um lugar, nem uma estatística. É um corpo, unido a Cristo, que é a cabeça. É uma família, unida por adoração por meio de Cristo”.17

 

A doutrina da natureza orgânica da igreja necessita ser reafirmada e melhor apreciada até mesmo pela tradição reformada. Segundo a tradição reformada, a igreja é caracterizada pela pregação da Palavra, a ministração dos sacramentos e a administração da disciplina.18

 

No entanto, Richard R. De Ridder faz uma observação relevante ao dizer: “Segundo esse ponto de vista a igreja se torna um lugar onde algumas coisas são realizadas, ... mas nem sempre ela é vista como um grupo que Deus trouxe à existência para realizar uma missão”.19

 

A ênfase sobre a natureza orgânica da igreja parece ser suficiente para corrigir quaisquer interpretações errôneas a esse respeito. Segundo essa perspectiva, a igreja não é apenas um lugar em que se realizam algumas coisas, mas um corpo vivo que se compromete a representar Deus no mundo. A partir da compreensão da natureza orgânica da igreja é possível perceber que sua vitalidade é dependente da comunhão dessa mesma igreja com o seu Cabeça, ou seja, Cristo.

 

As igrejas locais, podem experimentar momentos de declínio espiritual e distanciamento do Senhor Jesus. Em se tratando de um organismo, a igreja pode enfermar, entrar em decadência ou mesmo morrer. Sempre que uma congregação experimenta tais estágios de declínio, ela necessita de esforços em prol da recuperação da sua vitalidade.

 

Segunda doutrina:

A Natureza dinâmica da fé salvadora.

 

A esse respeito é importante considerar que a Bíblia afirma que o cristão é salvo pela graça mediante a fé (Ef 2.8) e é, ao mesmo tempo, identificado por meio dessa fé (1Jo 5.1). O moto central das Escrituras acerca da vida do cristão é que “o justo viverá pela fé” (cf. Hb 2.4 e Rm 1.17).

 

Diferentes tipos de fé

Ao discorrer sobre a fé salvadora os teólogos têm feito cuidadosa distinção entre a crença geral em Deus (fé geral e temporária) e a fé que se encontra enraizada no coração regenerado do crente, ou seja, a fé em Cristo como o único Senhor e Salvador.21 Essa fé ainda tem sido definida como “uma convicção segura, operada no coração mediante o Espírito Santo, a respeito da verdade do evangelho, e uma confiança sincera nas promessas de Deus em Cristo”.22 De fato, nenhum cristão em perfeito juízo ousaria questionar a necessidade da verdadeira fé em Cristo para a salvação de uma pessoa. Há, no entanto, outros aspectos da fé salvadora que precisam ser igualmente compreendidos e enfatizados. Por exemplo, a Bíblia apresenta a fé como algo dinâmico e não estático. Nesse sentido, é possível encontrar relatos nas Escrituras daqueles que apresentaram uma fé “pequena” (Mt 6.30) e outros uma “grande fé” (Mt 15.28); alguns possuíam uma fé mesclada com a dúvida (Mt 14.31) e outros uma fé admirável (Lc 7.9). Há ainda outros episódios na Bíblia em que algumas pessoas pediram que Cristo lhes aumentasse a fé (Lc 17.5-6 e Mc 9.24).

 

Consequentemente, a fé dos servos de Deus é dinâmica, podendo ser aumentada ou mesmo desfalecer.

 

A esse respeito os puritanos afirmaram:

“Esta fé é de diferentes graus, é fraca ou forte; pode ser muitas vezes e de muitos modos assaltada e enfraquecida, mas sempre alcança a vitória, atingindo em muitos a uma perfeita segurança em Cristo”. O fato é que, por ser assim dinâmica, a fé do cristão pode experimentar momentos de fraqueza e declínio e quando isso ocorre, a igreja na qual ele está inserido é sempre afetada. Dependendo do impacto e da quantidade de membros a experimentar esse declínio na fé, a vitalidade da igreja pode ficar comprometida, carecendo assim de esforços em prol da revitalização da congregação.

 

A terceira doutrina a ser considerada em relação à vitalidade de uma igreja é aquela que trata da santificação, especialmente o aspecto progressivo da mesma.

 

Santificação pode ser definida como aquele processo mediante o qual o cristão é conformado à imagem de Cristo (Rm 8.29).

 

Ao longo dos anos a teologia protestante tem sustentado que, ao contrário do que ocorre na justificação, que é um ato de Deus sem qualquer participação humana, no processo da santificação o homem tem participação ativa em harmônica cooperação com o Espírito Santo.

 

Enquanto por meio da justificação Deus declara os redimidos justos, no processo da santificação eles passam a praticar atos de justiça. Na verdade, o processo de santificação consiste tanto do “despojar-se do velho homem” como do “revestir-se do novo homem” (cf. Ef 4.22-24), ou seja, tanto da mortificação dos hábitos pecaminosos como da vivificação dos atos de justiça.

 

Como corretamente afirma Berkhof,

“com a dissolução gradual do velho, o novo se manifesta”.25 Em todo esse processo, o relacionamento diário com o Senhor é decisivo, pois “todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2Co 3.18). Somente assim o cristão será santo, como santo é o seu Pai celestial (1Pe 1.15-16).

 

Ainda que haja divergência sobre o assunto, a maioria dos protestantes confessa que “esta santificação é no homem todo, porém imperfeita nesta vida”. No entanto, esse processo é uma “obra progressiva que continua ao longo de sua vida terrena”. Por essa razão é comum se referir à santificação como sendo não apenas posicional, mas também progressiva Essa progressividade, porém, não é algo uniforme na vida dos crentes e muito menos ininterrupta. Há alguns cristãos que se mostram tardios e lentos no crescimento espiritual (Hb 5.1) e outros que até retrocedem em alguns assuntos básicos (Gl 3.1-3). Logo, há ocasiões em que o processo de santificação não se revela progressivo, mas até mesmo regressivo.

 

O grande conforto, porém, emana da promessa bíblica de que Aquele que começa boa obra na vida dos seus filhos sempre a completa (Fp 1.6). Por essa razão os puritanos afirmavam que nesta vida, embora prevaleçam por algum tempo as corrupções que ficam, contudo, pelo contínuo socorro da eficácia do santificador Espírito de Cristo, a parte regenerada do homem novo vence, e assim os santos crescem na graça, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus.

 

Este aspecto processual da santificação individual do cristão também se reflete no macrocosmo da igreja local, o que faz com que muitas igrejas declinem na santidade e necessitem de revitalização.

 

Quarta doutrina: a doutrina cristã sobre os últimos acontecimentos, também conhecida como escatologia cristã.

 

igualmente lança luz sobre a possibilidade de a igreja experimentar diferentes ciclos em sua vida sobre a terra.

 

No estudo da escatologia cristã há que se atentar para o fato de que a Bíblia se refere aos últimos dias como algo que diz respeito tanto ao aspecto inaugural do Reino como à sua aguardada consumação. tanto Pedro como João afirmam que a igreja já vive o período denominado “últimos dias” (cf. At 2.16-17 e 1Jo 2.18). Ainda assim, os cristãos são exortados a aguardar a manifestação de Cristo e a ressurreição do último dia (cf. Jo 6.39-54).

 

A igreja é triunfante, porém, ela ainda experimenta contratempos nesta vida. Também é correto sustentar que a igreja é santa, mas ao mesmo tempo ela pode ser corrompida por doutrinas errôneas e ser marcada pela impureza em sua jornada pelo mundo. Dessa forma, embora sendo a casa do Deus vivo, a igreja pode se contaminar com alguns aspectos do mundo e expressar tamanha mornidão que ela é veementemente repreendida pelo Senhor (cf. Ap 3.14-22). a igreja não obterá perfeição neste mundo e poderá sempre cair em profundo declínio ao ponto de necessitar de real revitalização.

 

Conclusão:

 

Nesta aula, quando consideramos a A REVITALIZAÇÃO DA IGREJA N0 PENSAMENTO REFORMAD0, procuramos tratar dos fundamentos teológicos sobre o ciclo de vida da igreja local.

Para que possamos aprofundar este tema, algumas doutrinas bíblicas precisam ser mencionadas:

 

A primeira doutrina a ser considerada em relação à eventual necessidade de revitalização de uma igreja local é a que diz respeito à natureza orgânica da igreja cristã. Precisamos compreender que a igreja é viva, um corpo vivo. Não é uma mera instituição humana, mas possui a vida que procede de Deus.

 

Segunda doutrina: A Natureza dinâmica da fé salvadora. Isto implica assim como a nossa fé pode se tornar frágil ou se revestir de grande força, igrejas podem sofrer impactos no seu ciclo histórico.

 

A terceira doutrina a ser considerada em relação à vitalidade de uma igreja é aquela que trata da santificação, especialmente o aspecto progressivo da mesma. A obra é de Cristo, mas ele nos convida a participar de sua construção. “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem dá o crescimento”. Apesar de ser edificada por Cristo, e de ser Deus aquele que dá crescimento, Deus convoca seu povo para plantar e regar.

 

Quarta doutrina: a doutrina cristã sobre os últimos acontecimentos, também conhecida como escatologia cristã. Apesar de todos tropeços, e de ciclos complexos, a igreja segue triunfante, ela é vitoriosa. Jesus mesmo está empenhado em sua edificação: “Eu edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (MT 16.18).

 

Que Deus nos abençoe!

 

 

 

 

 

sexta-feira, 5 de março de 2021

Cinco pistas iniciais para quem está plantando uma igreja


 Cinco pistas iniciais para quem está plantando uma igreja

 

Uma pergunta recorrente entre os plantadores de igreja é a seguinte: Quais seriam os primeiros passos para iniciar uma igreja nesta cidade/bairro, onde devo exercer meu ministério?

 

Recentemente recebi uma ligação de um plantador de igrejas me fazendo exatamente esta pergunta. Ele me disse: “Pastor, se o Senhor fosse designado para um determinado campo, quais seriam as cinco ações que tomaria imediatamente?”

 

Refletindo sobre esta questão, decidi responder à pergunta com este texto:

 

Antes de mais nada, eu criaria uma forte base de oração para o desenvolvimento deste ministério.

 

Nós precisamos saber, de fato, que plantação de igrejas é uma agressão ao inferno. Estamos lidando com coisas espirituais, não se trata de uma franquia comercial, ainda que alguns a considerem assim, mas de um projeto que tem a ver com eternidade. Portanto, espere opção. Alguém chegou a afirmar que se um plantador de igrejas ao acordar de manhã não se encontrar com o diabo, ele está seguindo em direção errada. Talvez seja bem exagerada a afirmação, mas não podemos ignorar que Satanás se opõe contra a obra missionária, com a evangelização, porque ele sabe que a pregação do evangelho é antagônica e inimiga.

 

Gostaria de sugerir três passos:

 

1.    Crie uma lista de pessoas orando por você. Quais são as pessoas com as quais você realmente pode contar? Descubra na sua comunidade, ou mesmo fora dela, pessoas que tem o ministério de intercessão, e peça para que elas orem por você.

 

É bom lembrar que, com o passar do tempo, o seu ministério possa ser esquecido, então é fundamental que você mantenha contato regular com estas pessoas, e se possível, até mesmo algo personalizado, como mandar um cartão (meio fora de uso hoje), ou um telefonema, ou alguém método apropriado que leve a pessoa a lembrar de você.

 

Não deixe que sua lista de intercessores diminua. Procure sempre descobrir outras pessoas que possam engrossar a sua lista.

 

2.    Crie uma dinâmica pessoal de oração intencional. Creio que nossas orações são muito vagas e impessoais, eventualmente não possui um foco muito claro. Intencionalidade tem a ver com agenda de oração, com alvos específicos, com pessoas a quem você deseja comunicar o evangelho. Ore para Deus abrir a porta para seu ministério avançar.

 

Oração intencional tem a ver com seu objetivo especifico. Quais lutas você tem travado? Quais portas precisam ser abertas? Onde você deve gastar seu tempo e energia?

 

3.    Reserve tempos específicos para concentrar na vida de oração. Pode ser um tempo de jejum semanal, de retiros espirituais, quando você pode focar ainda mais na compreensão do auxilio de Deus. Lembre-se: você está numa frente de batalha, então é preciso fortalecer a fé. “O Espírito é pronto, mas a carne é fraca!”

 

Em segundo lugar, considere o projeto a longo prazo. Não comece uma plantação de igrejas pensando em outro projeto. Eventualmente plantadores de igrejas não compreendem o desafio de forma clara. É possível que alguns se dirijam ao campo para ficar um ou dois anos, por esta razão a transição pastoral entre os plantadores é muito grande, o que atrasa profundamente o avanço da obra. Cada mudança significa um recomeço e um novo ponto de partida. Congregações iniciando sua trajetória sofrem tremendamente quando seus líderes são substituídos.

 

Outro perigo é que, ao enfrentar os grandes desafios do campo, o obreiro não suporte a pressão e desista do projeto. Outra possibilidade ainda mais comum e danosa, é que ele use o campo apenas como trampolim para um campo maior. Ele não tem um projeto para o campo, mas tem um projeto pessoal. Desta forma, se outro convite mais interessante surgir, ou com melhor remuneração, facilmente ele deixe sua função. Se ele fizer um bom trabalho e a igreja crescer exponencialmente, certamente outros convites surgirão.

 

Robert Linthicum afirma que quando formos para algum campo, a primeira coisa a fazer é comprar um túmulo naquele lugar. Sua afirmação demonstra quão importante é estabelecer raízes para que haja efetividade na obra. O trabalho é lento, exige resiliência e perseverança.

 

Em terceiro lugar, torne-se conhecido na cidade e torne também conhecido a igreja.

 

Participei de um projeto transcultural de plantação de igrejas em Cambridge-MA, e um dos pastores do time, um colega americano concentrava suas atividades entre os americanos, enquanto meu foco era maior entre os brasileiros. Ele decidiu comprar uma casa próximo à igreja, apesar do preço ser muito maior do que na região em que morava, e seu argumento era que ele gostaria de vir andando de sua casa até à igreja, entregando folhetos e falando da igreja às pessoas.

 

Se você tiver recursos financeiros para propaganda, eu acho que você poderia considerar até mesmo um outdoor. Mas o fato é o seguinte: as pessoas precisam saber de sua existência. Muitos ministérios são tão afastados  e distanciados, que mesmo depois de anos no lugar, as pessoas não saberão de nossa existência.

Dependendo da situação e das condições do lugar, até mesmo ser professor em escolas pode ser uma boa forma de inserção e contato com a comunidade. Muitas vezes a esposa do obreiro torna-se uma pessoa com maior penetração na cidade que o próprio obreiro, se ela exerce uma função pública. Os amigos de nossos filhos também podem se transformar em uma boa fonte de network.

 

Quais são as atividades de entretenimento e hobbies desta região na qual você estará ministrando nos próximos anos? Há alguma possibilidade de você participar de suas atividades? Se você morasse na minha cidade, ser um bom churrasqueiro, comer piqui, andar de bicicleta, ser pescador ou motoqueiro ajudaria bastante o seu network. Quais são os interesses comuns? Tudo isto se transforma em ponto de contato.

 

Em quarto lugar, eu faria uma exegese da cidade. Esta expressão é usada por Ray Bakke. Ele insiste que para conhecermos o lugar onde estamos, que analisemos a cidade. ele propõe algumas questões:

 

A.   Quando e como surgiu?

B.    O que foi aparecendo inicialmente: casas, igrejas, fabricas, lojas?

C.    Quais foram os grandes nomes que residiram e atualmente residem ali?

D.   Que problemas comunidade enfrentou?

E.    Que cultura ou culturas foram sendo formadas? Folclore, festas típicas, etc.

 

Estas são perguntas essenciais: Que cidade é esta? Qual é a cultura deste lugar? A cidade onde atualmente pastoreio é Anápolis. O próprio nome sugere algo da religiosidade popular. Trata-se da “cidade de Ana”, que na tradução católica foi a mãe de Jesus.

 

Ao entender melhor os costumes e tradições, eu que sou um “estrangeiro”, posso ser mais atento e simpático às necessidades do campo. Ló foi morar em Sodoma, mas os perversos habitantes daquela cidade o viam com estrangeiro. Mesmo depois de ter morado tanto tempo no lugar. Cidades possuem formas de aceitação, linguagem própria de simpatia e amizade. Estar atento à realidade do campo é algo primordial.

 

Em quinto lugar, eu transformaria minha casa em um ambiente de acolhimento.

 

Ao me envolver com plantação de igrejas aprendi quão importante é a casa do pastor para acolher e discipular. Um café com leite e um pedaço de pão de queijo transformam o relacionamento com as ovelhas. Certamente esta é uma área complicada por dois fatores.

 

A.   Nem sempre o casal plantador de igrejas tem facilidade com hospitalidade. Isto tem a ver com a educação e cultura familiar que herdamos. E pode ser muito complicado para determinados obreiros.

B.    O risco de não sabermos estabelecer os limites ou das pessoas não entenderem seus limites. As pessoas podem ser invasivas, exageradas, e isto pode comprometer até mesmo a família do pastor que fica sem espaço para desenvolver sua própria individualidade.

 

Por esta razão, é importante ter sabedoria e equilíbrio. Afinal, “prudência e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém”. Mas certamente, uma casa amável e acolhedora, torna-se lugar de refúgio e benção para muitas vidas.

 

Conclusão

 

Certamente outros plantadores de igreja enfatizariam alguns outros pontos e eventualmente suprimiriam alguns dos que considerei prioritários neste artigo, entretanto, decidi colocar no papel aqueles que julgo extremamente importantes para os plantadores de igreja. Estas são Cinco pistas iniciais para quem está plantando uma igreja. 

segunda-feira, 9 de março de 2020

Mc 1.7-8 Ele vos batizará com o Espírito Santo


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Introdução:

A vida cristã não se realiza por esforço humano. Não se trata apenas da guarda de determinados princípios e valores, nem de realização humana. Vida cristã é Deus fazendo em nós.

Vida cristã também não se realiza com ritos: João Batista se refere ao rito por ele praticado apenas como um sinal. “Eu vos batizo com água”, mas o rito é apenas um sinal visível de uma graça invisível. Não nos batizamos para sermos salvos, mas porque a graça de Cristo já nos alcançou. Batismo não nos transforma em um discípulo de Cristo, mas é sinal de alguém que se tornou discípulo de Cristo. Batismo é o sinal, simbólico, aponta para algo mais profundo.

Vida cristã se dá com a manifestação do próprio Deus em nossas vidas. ““Eu vos batizo com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”. Esta é uma das mais fantásticas promessas. Através do Espírito Santo, Deus vem habitar em nós. Ele é o Deus que habita em nós. O Espírito invade nosso ser e nos encharca de Jesus.

João Batista fala de uma grande promessa para o povo de Deus.
Jesus batizaria seus discípulos com o Espírito Santo.

O que é Batismo com o Espírito Santo?

É uma obra renovadora que acontece dentro de nosso coração quando aceitamos a Jesus pela fé. Aliás, só podemos confessar que Jesus é Senhor, de fato e de coração, quando o Espírito Santo nos dá esta convicção. O Espírito Santo é quem testemunha Jesus dentro de nossa vida. De acordo com Ef 1.13-14, “Depois que ouvistes a palavra da verdade, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.

O Espírito é dado, quando ouvimos e cremos na palavra da verdade.
Mas ouvir e crer nesta palavra, já é um ato do Espírito.

Quando cremos na obra regeneradora de Cristo, naquilo que ele fez a nosso favor na cruz, algo maravilhoso acontece. O Espírito Santo passa a morar dentro de nós, e a operar em nós. Isto é o batismo do Espírito Santo. Na medida em que vamos dando espaço para o Espírito, abandonando o pecado, desejando a santidade, este Espírito Santo vai operando cada vez mais em nossas vidas. Por isto a Bíblia diz: “Enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18). O Espírito nos foi dado, e agora precisamos permitir que este Espírito Santo controle nossa vida. Quando nos opomos ao Espírito, nós o entristecemos (Ef 4.30), e até mesmo o apagamos (1 Ts 5.19). Por isto a Bíblia nos adverte a não resistirmos o Espírito Santo, nem apagar ou extinguir o Espírito Santo.

Quando o Espírito Santo, este poder de Deus, passa a morar dentro de nós, Ele muda as disposições de nosso coração, cria em nós atração pelas coisas de Deus, dá à nossa vida horror ao pecado, torna atrativas as verdades do Evangelho e nos leva a querer viver uma vida de santidade com Deus.

Muito de nossa fragilidade espiritual tem a ver com o fato de que resistimos ao Espírito e damos pouco espaço para sua ação em nossas vidas. Certa pessoa me chamou a atenção ao afirmar que não devemos orar “usa-me Senhor!”, mas antes “Senhor, torna-me usável”. Se desejarmos que ele nos usa, ele nos usará, mas será que realmente estamos dispostos a deixar que ele nos use? Sem vida de oração e dedicação à leitura da Palavra, viveremos um cristianismo de fachada, apenas exterior. Precisamos de um fogo que nasça em nosso peito e que venha este poder sobrenatural e do Alto, como falamos neste texto.

Por que é necessário este batismo?

  1. Nada se realiza em nós, espiritualmente, sem a ação Espírito – “Quando ele vier, convencerá o homem do pecado, do juízo e da justiça”(Jo 16.8-10): O Espírito Santo tem uma tarefa de triplo convencimento: Pecado, Juízo, Justiça.

Pecado – Convicção de erros. Compreensão de nossa inadequação diante de Deus. Sem o toque do Espírito Santo achamos que tudo está bem quando tudo está mal. O Espírito nos faz perceber nossa inadequação diante de Deus e nos leva ao desejo de arrependimento e confissão de pecados.

Justiça – O Espírito Santo também nos convence da necessidade de uma outra justiça, aquela que vem de Deus por meio de Cristo. Todos merecemos o julgamento, mas Jesus assumiu nosso lugar. A justiça de Deus se resolve em Cristo – ele assumiu nosso lugar. Sou absolvido diante de Deus não pelos méritos pessoais, mas pelos de Cristo. Só o Espírito pode me convencer da plena suficiência que temos em Cristo.

Juízo – O Espírito Santo ainda nos faz perceber que há uma realidade de juízo último que permeia a natureza. Ao contrário da sugestão de Satanás para Eva: “É certo que não morrereis!” ou, “pode pecar que não há juízo”, o Espírito santo vem nos convencer de que todos, um dia, teremos que comparecer diante do tribunal de Deus que vai julgar nossas decisões, atos e intenções. Não podemos brincar com nossa vida.

  1. Precisamos do Espírito, porque nossos esforços pessoais são inúteis e frágeis

O Espírito de Deus é santo.
Sua santidade gera em nós duas atitudes nada humanas:

Primeiro, tristeza e horror ao pecado.
Segundo, desejo de Deus e de sua santidade.

Estas disposições não são naturais em nós. Em geral amamos o pecado: narcisismo, egoísmo, vaidade, auto suficiência, promiscuidade, avareza, gula e cobiça e desejamos pouco da presença de Deus. Por sermos auto centrados, sempre fazemos as coisas para auto glorificação e promoção do Eu. Sem o Espírito, seremos incapazes de fazer as coisas para a glória de Deus e continuaremos fazendo para nossa própria satisfação.

Alguém nos disse que para servirmos a Deus, devemos amá-lo tanto quanto amamos nosso pecado e glória pessoal. Paulo pergunta: “Quem, porém, é suficiente para estas coisas?” (2 Co 3.5). E ele mesmo responde: “De mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas segundo a carne, da lei do pecado” (Rm 7.25). “Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas se, pelo espírito , mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis” (Rm 8.13). É através do Espírito  que vencemos a carne e o mundo.

  1. Precisamos do Espírito para que, o seu fogo nos impulsione à vida. Sem o Espírito somos meros religiosos, e não experimentamos a vida de Deus. “Se alguém não tem o Espírito de Cristo, este tal não é dele”.

João Batista deixou claro sua mensagem: “Eu vos batizo com água, ele, porém, vos batizará com fogo”. O Espírito é a vida que desejamos, sem este poder e unção, “não damos conta”.

Por isto Jesus deixou claro aos seus discípulos, a necessidade deste novo poder que ele enviaria à sua igreja:

è “Ficai em Jerusalém até que sejais revestidos do alto” (Lc 24.19).
è“Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito  Santo e sereis minhas testemunhas”(At 1.8).

Este poder não está em nós, vem de fora, do Alto. É poder espiritual. Sem este poder, somos cadáveres ambulantes. Temos corpo mas não temos vida. Somente a vida de Deus pode nos retirar deste estado de letargia e apatia.

Em Mc 9.22, um homem traz seu filho possesso de um espirito maligno, mas os discípulos não foram capazes de enfrentar aquela ação maligna. Este texto demonstra a fragilidade e impotência da igreja. A afirmação desiludida daquele pai revela o fracasso da igreja: "Roguei aos teus discípulos que o expelissem, e eles não puderam" (Mc 9.18). A igreja não tinha força para confrontar o mal e vencer as trevas. Este é  retrato da igreja anêmica, sem autoridade e poder, fracassando. Fracassos comprometem a obra de Deus.

Em Jo 20.19, Logo após o grande evento da ressurreição, a Igreja se encontra de portas trancadas com medo dos judeus. É uma igreja amedrontada, acuada, entre quatro paredes, fechando as suas portas, ao invés de abri-la. Uma igreja ensimesmada e fechada, sem poder de testemunhar a grande benção da ressurreição de Cristo. Sabiam do que tinha acontecido, mas ainda assim não conseguiam superar sua timidez e medo. Nem a fantástica notícia da ressurreição os arranca da morbidez da "paralisia de análise" (Stanley Jones). A Igreja continuava com medo (Jo 20.19).

O que estava faltando àquela igreja?
O poder e o fogo do Espírito Santo.

João Batista fala de algo desconhecido: “Eu vos tenho batizado com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo” (Mc 1.8). Lucas ainda acrescenta: “ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Lc 3.16).

Não existe batismo do Espírito Santo como muitos equivocadamente afirma.
O que acontece é o Batismo com o Espírito Santo!

É Jesus, quem nos batiza. Somos batizados com o Espírito Santo, pela operação de Jesus. Jesus é o batizador. Ele sabia que íamos precisar de alguma coisa sobrenatural para cumprir a missão e por isto diz aos discípulos que o derramamento do Espírito seria a garantia de que sua obra seria completada e seu projeto missionário chegaria até o final do mundo.

“Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espirito Santo, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, Judeia, Samaria, e até os confins da terra” (At 1.8). A mensagem só seria realizada, e só alcançaria os confins da terra, porque eles receberiam o poder do Espírito Santo para testemunhar.

Stanley Jones afirma:
“O pentecoste salvou os discípulos do trivial, do marginal, do superficial. Desde então eles começaram a ver as questões de importância, ganharam o “senso do que era essencial”[1] “Não vejo nada, absolutamente nada, que possa tirar a Igreja de trás das portas trancadas senão um Pentecoste. Podeis aumentar a beleza de seu ritual; melhorar a qualidade e a quantidade de sua educação religiosa, elevar o padrão e as qualificações do seu ministério ao mais alto grau; despejar dinheiro a manchetes nos seus gazofilácios, dar-lhe, enfim, tudo, tudo menos esta única coisa que o Pentecoste dá, e estareis apenas ornamentando um cadáver. Até que este fato sagrado se dê, a pregação é simples preleção, a oração é mera repetição de fórmula, os cultos deixam de ser culto - tudo não passa de atividade terrena, circunscrita, inadequada, morta”.[2]

Não precisamos de mais estrutura eclesiástica, nem de mais publicidade, nem de mais organização, precisamos de mais poder.

Conta-se que um pastor insistia com o vizinho da igreja para que fizesse uma visita, por anos a fio, porém, este vizinho jamais adentrou o templo. Um dia, porém, o pequeno templo teve um incêndio e todos que puderam se mobilizaram para apagar o fogo, inclusive o vizinho. Quando o pastor o viu, ali dentro, empenhado e ajudando os bombeiros, surpreso olhou para ele e lhe disse: “Até você por aqui? Você nunca veio antes e vem nos ajudar agora?”. E o vizinho respondeu: “É pastor, mas também sua igreja nunca pegou fogo antes”.

Como ser batizado?
O batismo ocorre quando nos rendemos e nos dispomos a Deus. Quando aceitamos a Jesus em nosso coração. Quando oramos a Deus e nos rendemos. Desistimos de nós mesmos. O batismo se dá quando recebemos Jesus em nosso coração.

Regeneração é obra do Espírito. Ninguém pode ser regenerado se nascer do Espírito. “Se alguém não nascer de novo não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.5).  A obra do Espírito inicia o processo, o batismo com fogo é subseqüente. Não se trata de segunda benção, mas de uma entre tantas bênçãos continuadas. Enquanto o batismo com o Espírito nos salva, o batismo com fogo nos aquece, purifica e santifica.

 Conclusão:

  1. Mais que uma doutrina, um fato. Vida cristã não é um apanhado de conceitos bonitos sobre verdades transcendentais, pelo contrário, é a vida de Deus agindo em nós.

  1. Esta é a realidade mais urgente: tentamos fazer com esforço humano, mas o que importa não é o que fazemos, mas o que Deus faz em nós.

Precisamos pedir ao Espírito de Deus para que nos impulsione em direção a ele mesmo, para que sejamos libertos de nossa tendência ao e

segunda-feira, 2 de março de 2020

A Autoridade de Cristo no Evangelho de Marcos



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Relendo o Evangelho de Marcos, fiquei deslumbrado com o número de vezes que este Evangelista fala da exousia (autoridade de Cristo). Este é um tema muito comum nas cartas paulinas, mas assume uma nota marcante nos escritos de Marcos. Existe uma discussão muito clara em Marcos sobre a fonte da autoridade de Jesus, no cap. 11:27-33 Jesus não tenta responder a pergunta que os sacerdotes, escribas e anciãos lhe fizeram. Pelo contrário, força-os a refletir sobre a autoridade de João Batista, colocando-os numa situação de neutralidade condenatória. Jesus responde da mesma forma que eles, sem demonstrar interesse em discursar sobre a fonte de sua autoridade.

I.  Sua fonte de Autoridade
Marcos estabelece pelo menos cinco fontes:

1.     Sua coerência de vida
-Mc 1.22 - "Ao ensinar, não como os escribas".

            2. Sua intimidade com Deus
            -Mc 1.35 - "Alta madrugada"
            -Mc 6.30 -"Seus retiros espirituais" –Não sofria a tirania do urgente, reservava tempo para reflexão.

            3. Sua consciência vocacional
            Marcos procura revelar quão profundo era o sentimento de Jesus em relação ao seu ministério
            -Mc 1.38 - "Para isto vim..."
           
            4. Sua identidade: relação com o Pai 
            - Mc 11.15-19 - "A casa de meu Pai será chamada casa de oração..."
            - Mc 11.1-11 - "O Senhor precisa dele".          Ao ser questionado sobre sua fonte de autoridade, não se preocupa em responder. A parábola dos lavradores maus de Marcos 12, revela sua identidade e a consciência que ele mesmo tinha de herdeiro e filho legítimo da vinha.

            5. Sua humanidade, aceitação e amor
            -Mc 2.15-17 - Assenta-se com publicanos (traidores da nação), e gente de caráter reconhecidamente refutável.
            -Mc 14.3-9 - Aceita estranha adoração de uma mulher cujos convidados murmuravam  pelo simples fato de tê-la presente
            -Mc 14.17-21 - Convida para assentar à mesa um homem que  haveria de trai-lo, mesmo sabendo de antemão de suas intenções malignas

            6. Sua vitória sobre a morte
Não ficou na sepultura (Mc 16.6).

II. Áreas de autoridade
Marcos registra a autoridade de Jesus em várias áreas. Eis algumas delas:

1. Autoridade para ensinar

Jesus não era formado pelas escolas rabínicas. Ele não tinha autoridade institucional para ministrar. Entretanto, Marcos demonstra que Jesus assume esta autoridade.

-Mc 1.21-28 - "Como quem tem autoridade".
-Mc 12.28-34 - Um escriba se rende à sua sabedoria.
-Mc 12.37 - "A multidão o ouvia com prazer".

2. Autoridade para confrontar poderes demoníacos

Existe uma quantidade imensa de textos neste evangelho que demonstram esta autoridade de Jesus. Jesus está sempre dando ordens à potestades malignas sobre este assunto.
-Mc 1.23-27 - O espírito imundo em Cafarnaum
-Mc 1.34 -  Muitos demônios repreendidos
-Mc 1.39 - Pregando e expelindo demônios;
-Mc 3.11,12 - Jesus repreende espíritos imundos e os proíbe de falar
-Mc 3.13-15 - Autoriza seus discípulos a terem a mesma autoridade
-Mc. 5.1-14 - O endemoninhado gadareno

3. Autoridade para curar
Seu poder se manifestava também na sua capacidade de trazer normalidade à vida das pessoas.
-Mc 1.28-31 - A sogra de Pedro
-Mc 1.31-34 - Muitos doentes de toda sorte de enfermidades
-Mc 1.40-45 - Cura do leproso
-Mc 2.1-12 - Paralítico de Cafarnaum
-Mc 3.1-6 - Cura da mão ressequida
-Mc 5.24-34 - Mulher hemorrágica
-Mc. 5:35-43 - ressurreição da filha de Jairo.

4. Autoridade para agir sobre os fenômenos da natureza -
-Mc 4.35-41 - Acalma uma tempestade
-Mc 6.45-52 - Anda sobre o mar;
-Mc 11.12-14 – Amaldiçoando a figueira sem fruto Mc 11.20

5. Autoridade para perdoar pecados
- Mc 2.5-7 – Para espanto das pessoas presentes declarou o perdão dos pecados.

Para espanto de seus ouvintes, ele declara a libertação da culpa que estava sobre as pessoas. Curiosamente esta foi uma das mais questionadas.

III. Implicações desta autoridade

1. Sua autoridade é a-temporal
Marcos procura demonstrar o domínio eterno do Mestre.
-Mc 16.17 - “Estes sinais hão de acompanhar os que creem”. Ele é soberano eternamente.

2. Sua autoridade foi delegada à Igreja
-Mc 3.13-15 - Designou os discípulos para estarem com ele e os enviou a pregar.
-Mc 16.17-18 - Afirma que sinais e prodígios seguirão os seus discípulos.
-Mc 16.20 - Os discípulos tiveram a confirmação da delegação desta autoridade, ao ministrar sinais que se manifestavam quando pregavam o Evangelho.