sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Missão Transcultural e compreensão da cultura


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Missão Transcultural e cultura
Disciplina: Missão Transcultural

“O Evangelho é supracultural, pois define e explica a cultura, não o contrário; cultural, por ter sido revelado à humanidade em seu próprio contexto e história; intercultural, por juntar ao redor de Jesus pessoas de todos os povos; multicultural, ao ser destinado a todos os povos e línguas; transcultural, quando transmitido de uma cultura a outra; e contracultural, pois sempre confronta o homem em sua própria cultura.” Ronaldo Lidório. 19 de agosto de 2014

Toda vez que pensamos teologicamente a cultura, precisamos partir da visão bíblica sobre o tema.
Existem duas dimensões paradoxais na cultura:

A Beleza da Cultura

Isto pode ser entendido com o fato de que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, então, na essência do ser humano vemos racionalidade, sociabilidade, moralidade, criatividade e espiritualidade. Isto faz parte essencial da antropologia judaico-cristã.

O conceito da Total Depravação, doutrina fundante das Escrituras Sagradas e que surge como o primeiro ponto da TULIP, os cinco pontos centrais do Calvinismo, pode subliminarmente dar ideia de que toda produção humana é maligna em si mesmo, entretanto entendemos, que mesmo o ser humano caído, pode manifestar lampejos do Imago Dei e assim revelar estes aspectos essenciais que revelam ter sido ele criado por Deus, para sua glória, ainda que a imagem de Deus no homem pecador, esteja obnubilada pelo pecado.

Talvez seja neste sentido que o grande reformador Lutero, que era também um músico, que ao ver como homens sem Deus, ainda podem produzir obras musicais tão profundas e sensíveis, teria feito a seguinte afirmação: “Por que o diabo pode ter todos os bons tons?

A verdade é que veremos na arte, ainda que produzida por homens distanciados de Deus, certa beleza, espanto, encantamento. Isto é percebido na literatura, na música, culinária e em tantas outras expressões artísticas.

Tentando desfazer a falsa ideia de que o homem é totalmente depravado, R. C. Sproul sugeriu outra conceituação: Corrupção Radical. Para ele o homem não é totalmente depravado, a não ser naquilo que tangencia sua relação com Deus e sua incapacidade de se voltar a Deus por ele mesmo como sugere o pensamento arminiano, mas o problema do ser humano é que na sua raiz, na sua motivação, sem a obra do Espírito Santo, tudo o que ele fizer será para auto glorificação, auto promoção, narcisismo e para se tornar o centro. Sua corrupção surge na raiz de seu EU, distanciado de Deus.
Por esta razão, podemos afirmar que, apesar da queda da raça humana, todas as culturas possuem certas expressões artísticas que são belas em muitos aspectos, ainda que marcadas pela força do pecado.

A perversão da cultura

Por causa do afastamento de Deus, o homem perverte e contamina tudo aquilo que ele toca. Francis Schaeffer nos seus livros “A morte da razão”, e “O Deus que intervém”, faz questão de frisar este aspecto, quando afirma que a queda afetou, não apenas a relação do homem com Deus, mas todas as expressões artísticas. Desta forma, onde olharmos as expressões artísticas, por mais belas que sejam, trazem a marca do pecado.

Um exemplo na música brasileira pode ser citado para exemplificar esta situação. Vinicius de Morais e Baden Powel, são dois excepcionais músicos e com competência musical escreveram um texto musical que é uma das poesias mais refinadas, e diz o seguinte:

O homem que diz dou
Não dá
Porque quem dá mesmo
Não diz
O homem que diz vou
Não vai
Porque quando foi
Já não quis
O homem que diz sou
Não é
Porque quem é mesmo é
Não sou
O homem que diz tou
Não tá
Porque ninguém tá
Quando quer

Veja como a estrutura poética é refinada. A melodia da música não fica muito distante. Entretanto, se você vai além vai perceber que a música é uma glorificação de uma das entidades do candomblé, por isto o nome desta música é assustadoramente nomeada como “O Canto de Ossanha”.  
Desta forma percebemos a mancha do pecado e da idolatria presente em tantas outras dimensões artísticas.
A cultura, portanto, se presta nas suas expressões artísticas, e na sua cosmovisão, para promoção do homem e para distanciamento de Deus.
A Bíblia demonstra como isto é verdade logo nas suas primeiras páginas. Em Gn 4.27, Caim edifica a primeira cidade da Bíblia: “Caim edificou uma cidade e lhe  chamou Enoque, o nome de seu filho”. A cidade, uma expressão artística com suas primeiras manifestações artísticas da arquitetura, torna-se então, uma forma de promoção da família e do nome de Caim e de seus descendentes.
O mesmo veremos quanto a Babel: “Disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos celebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra”  (Gn 11.4). A cidade foi construída para competir com a glória de Deus e para expressão do orgulho humano. Assim tem sido desde a criação.

Os fundamentos da cultura

É possível afirmar que a cultura se molda sobre dois aspectos:

Primeiro, o controle da natureza – Isto vai se manifestar na forma como o homem usa as ferramentas, constrói casas, estrutura aldeias e cidades, constrói palácios, manipula e interage com a natureza.

Segundo, no desenvolvimento das formas de organização social. Como ele fundamenta seus padrões sociais que podem ser divididos em quatro áreas:

ü  Criação de instituições – que expressam as crenças, valores e costumes. Estruturação das leis, governo, tribunais, famílias, costumes
ü  Crenças – como as pessoas concebem o pensamento mágico e sagrado: Deus, realidade, significados, mitos, ritos, simbologia.
ü  Valores – O que se torna verdadeiro, normativo, regras, conceitos estéticos, etc
ü  Costumes – comportamento, relacionamentos, trabalho e alimentação.

Pode-se afirmar que cultura pode ser definida como “padrões seguidos por determinados grupos e seus sistemas integrados de instituições, crenças, valores e costumes.
Toda cultura implica em certa homogeneidade. Uma cultura possui um conjunto de padrões aceitos e normativos, sejam eles escritos ou não; sejam eles abertamente declarados ou subentendidos.
Apesar desta homogeneidade, dois contrapontos surgem no estabelecimento de uma determinada cultura:
§  Subcultura
§  Contracultura

Uma subcultura, é uma expressão cultural que se manifesta, com variações completamente distintas ou parcialmente diferenciadas. Normalmente estes grupos formam minorias, pela sua forma de pensar e nem sempre são aceitos no grupo social.

A contracultura é a oposição à cultura vigente. Ela se torna agressiva e se opõe ao status quo, questionando toda a cosmovisão e lutando contra valores estabelecidos por uma cultura até mesmo secular. A contracultura foge da forma comum da leitura, e torna-se subversiva na sua essência. Em geral ela forma os vilões e os heróis, pois pode trazer reformas duradouras, ou conflitos permanentes.

Uma cultura une, ou divide, gerações. Ela une porque se comunica através de ritos de iniciação ou, em povos anímicos ou tribais, na transmissão oral, ou mitos. Quando esta cultura é colocada em cheque, transforma-se num ponto de luta e dissensão, trazendo separação, luta pelo poder, rupturas e até mesmo morte. O novo é sempre ameaçador.

Julgando a cultura

Em geral, temos muito dificuldade de julgar a própria cultura, porque o conhecimento cultural de uma sociedade não se estrutura nem se apreende através de ensino, nem é pedagógico e filosófico como pensamos, mas é bem mais visceral do que se pode conceber.

Silas de Lima, missionário transcultural da Missão Novas tribos do Brasil e da APMT, é tradutor para o idioma Oiampi do Amapá e chama a atenção dos leitores no texto contextualização entre os indígenas[1]. Para ele, um dos grandes problemas que enfrentamos ao tentar contextualizar a mensagem aos povos indígenas é que acreditamos que eles concordarão com determinadas verdades, quando transmitimos conceitos abstratos de teologia sistemática (sincrônica), quando na verdade, eles apreendem melhor quando a verdade do evangelho é comunicada em outro nível, mais experimental e vivencial.

Então, ao lidarmos com culturas diferentes, enfrentamos dois problemas: primeiro, não conseguimos ver as falhas da nossa própria cultura, porque julgamos que estamos certos na forma de perceber e interagir com os desafios da vida; segundo, porque tendemos a nos assustar, e até mesmo escandalizar, quando procedimentos incomuns da cultura são adotados.

Não é fácil ver a nossa cultura de fora, mas é fácil julgar costumes de outros povos. Desta forma, encontramos dificuldade em comunicar de forma eficiente o evangelho a povos de cultura diferente, porque levamos a mensagem com seus pressupostos.

Como a cultura se expressa?

Uma cultura se expressa e se estrutura através de vários elementos:
·      Provérbios: muito do nível cultura mais profundo de um povo pode ser entendido através dos ditos que foram construídos e tem sido repassados entre as conversas e gerações.
·      Mitos: Povos criam símbolos, magias e mitos. Há assuntos que são tabus, e revelam muito da cosmovisão e religiosidade de um povo. Mitos, não são, na sua essência, histórias reais, embora sejam narradas como verdadeiras, mas são formas de se transmitir conteúdos subjacentes da cultura e seus símbolos.
·      Contos populares: Estes contos servem para estruturar o pensamento e comportamentos. Eles trazem lições éticas, julgamentos e apontam para a forma de julgar e pensar.
·      Arte: seguramente a arte é a forma mais profunda de arraigar a cosmovisão de um povo, e também para realizar mudanças duradouras e revolucionárias. A música, por exemplo, tem o poder de fixar valores e crenças com muita eficiência na compreensão de mundo que se constrói.

A cultura tem ainda o poder de governar as ações comunitárias como o sistema judiciário, que vai tentar regular e moldar atitudes dos cidadãos; bem estar geral, onde se respeita os princípios da coletividade e da individualidade e as atividades sociais, como danças, jogos e lazer. Que refletem também o estilo de vida de uma determinada raça. Alguns povos primam por esportes agressivos, que é uma maneira de demonstrar força, coragem, intrepidez, e até mesmo impressionar o sexo oposto.

Apesar de toda solidez para se construir uma cultura especifica de um povo, levando eventualmente séculos ou mesmo milênios para se estabelecer, um aspecto precisa ser mencionado: culturas jamais são estáticas. Por esta razão surgem as subculturas e as contraculturas, questionando e ameaçando a ordem e o status quo, e eventualmente trazendo uma nova compreensão do construto cultural anteriormente estabelecido.

A importância da cultura

Mesmo sabendo que todas as culturas, trazem os fragmentos da queda, e que são falhas, eventualmente desumanas e demoníacas, a cultura possui aspectos muito importantes para a vida humana.

Primeiro, cultura constrói identidade – traz um sentido de pertencimento. Quebrar as regras de uma cultura é ameaçador, ou ser marginal nesta cultura pode ser extremamente ameaçador. Um personagem bíblico, Jefté, era filho de uma prostituta, e por isto foi hostilizado e banido da casa de seu pai. Ele não conseguia encontrar sua identidade, e isto o tornou truculento e reativo.

Segundo, cultura traz segurança – Mesmo com todas as incoerências de toda cultura, seja ela moderna ou primitiva, viver num ambiente onde as pessoas emitem respostas esperadas, traz conforto. Por isto, viver em outra cultura é tão complexo. As reações que esperamos, não surgem e isto traz ressentimento, amargura, oposição e eventualmente grande ira.

Terceiro, Cultura traz dignidade – Entendendo que tal dignidade é concedida, a partir do momento em que o comportamento desejado é emitido. Infelizmente esta dignidade pode ser reconhecida pelo grupo e sociedade, não porque se coaduna com as verdades do evangelho, mas porque é aceita socialmente. Uma cultura em queda, certamente valorizará desvios éticos eventualmente censurados na bíblia como o adultério e a fornicação.

Conclusão:  

Bultmann afirma que “todo intérprete da Bíblia se aproxima dela com pressuposições”. Apesar de sua afirmação ser verdadeira em muitos sentidos, ela é também perigosa porque nos transmite a ideia de que a interpretação da bíblia não possui critérios e seu sentido depende do próprio intérprete ou exegeta. A teologia liberal ou a hermenêutica psicológica da Bíblia traz graves distorções e se torna o pano de fundo de grandes heresias.

O objetivo da Bíblia não é se adequar a cultura de um povo. Por esta razão, na sua essência ela é contracultural, pois coloca nossos costumes e éticas sob averiguação. A cultura precisa ser subordinada à revelação, e não o contrário.

Por esta razão, toda cultura precisa passar pelo crivo das Escrituras. A adequação cultural, sem crítica ou avaliação bíblica desemboca no sincretismo. Por outro lado, quando elementos da cultura do missionário e não os valores bíblicos se tornam critérios de avaliação e julgamento da outra cultura, isto gera elitismo e distanciamento. As duas distorções precisam ser confrontadas.


[1] Campos, Silas – em “Perspectivas no movimento Cristão mundial”, Sao Paulo, Ed. Vida Nova, 2009, pgs 408-417

quinta-feira, 25 de julho de 2019

A Relevância da Obra missionária


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Introdução:

O livro de Jonas é eminentemente missionário. Fala como poucos livros do Antigo Testamento sobre o projeto de Deus em alcançar outros povos e da necessidade do povo de Deus olhar com amor os pagãos. Isto parece estranho porque à primeira vista, pode-se ter a impressão de que não existe conceito missiológico no Antigo Testamento[1]. No entanto, o Deus das Escrituras, apresenta-se sempre como um Deus missionário. Estas verdades são primeiramente anunciadas em Abraão quando este é escolhido e enviado com a missão declarada: “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3) e “Pai de numerosas nações” (Gn 17.4,5). Deus estava preparando um povo para exercer um sacerdócio universal, para abençoar todas as nações. “Já em 1936, K. Hartenstein assinalava (embora noutra conexão) que os primeiros capítulos de Gênesis são de significado especial para a teologia da missão”[2]

Carriker afirma: “todas as nações são o alvo da preocupação e propósito divinos. As nações fazem parte integral do drama e atividade de Deus. Não são meros enfeites incidentais no cenário da criação. Os atos de Deus são dirigidos por toda humanidade no relato do início da história como também o relato comovente de seu fim, o livro de Apocalipse”[3] p. 16

Queiroz segue a mesma linha de pensamento, segundo ele, Deus chama Abraão “para, através dele, formar a sua nação especial, com o fim de usá-la para abençoar os outros povos da terra. Deus organizou a nação de Israel com propósitos missionários[4]. Ele queria abençoar todas as nações e tomou o povo de Israel para ser “sua testemunha”, mas infelizmente esta nação foi rebelde e se distanciou de Deus, e se olharmos para as páginas da Bíblia que relatam a história desta nação verificaremos claramente a sua falha em não cumprir os propósitos de Deus”[5].

Blaw,[6] faz uma distinção entre o que ele chama de mensagem missionária do Antigo Testamento e mensagem universal. Para ele, o povo de Israel  não estava olhando de forma expansionista e missionária. Entretanto, ao olharmos toda a história de Israel  veremos a mesma mensagem sendo repetida de tempos em tempos, demonstrando o contínuo propósito de Deus em tornar conhecido seu nome entre todas as nações, como percebemos no Salmo 67. A base da eleição de Israel  como povo peculiar de Iavé era uma compreensão de que sua eleição fora dada para o serviço. O povo deveria entender isto como comissão. Deus pensava numa nação sacerdotal. O que os sacerdotes são para o povo, Israel  deveria ser para o mundo.

Ao fazer esta distinção, Blauw afirma que “embora o ponto de partida do Antigo Testamento seja universalista, a ideia de missão ocorre apenas esporadicamente ou está totalmente ausente.”[7]

Não é fácil concordar com Blauw neste aspecto. Apesar de vermos este universalismo explícito no Antigo Testamento, por outro lado, vemos uma disposição na mensagem dos profetas de que a mensagem dada a Israel pudesse se tornar conhecida de todas as nações.

Esta compreensão se torna clara no ministério de Jesus, que queria resgatar o propósito original de Deus para as nações, e à missão que havia sido dada a Israel. Quando expulsa os mercadores do templo, Marcos afirma: “também os ensinava e dizia: Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações?” (Mc 11.17).

O livro de Isaías, de forma muito particular, tenta por diversas vezes demonstrar a universalidade da mensagem através do seu profeta. Fala de um povo que não conhecia a Deus, mas que seria chamado povo de Deus; afirma que a casa de oração (Templo de Jerusalém), deveria ser casa de oração “para todos os povos”. As profecias missionárias de Isaías são ainda mais específicas nas duas Canções do Servo de Iavé, em Is 42.1-7 e 49.1-7, quando explicitamente o Servo tem a missão de revelar a justiça de Deus às nações (42.1) e para ser “luz das nações” (42.6 e 49.6).

O Salmo 67 também possui um conteúdo claramente missiológico.
“Seja Deus gracioso para conosco e nos abençoe, e faca resplandecer sobre nós o rosto; para que se conheça na terra o teu caminho e, em todas as nações, a tua salvação” (Sl 67.1-2). Quando o Salmista ora para que Deus os abençoe como nação, estava pensando no chamado e na vocação de tornar conhecido, entre todas as nações, a salvação que vinha de Sião.

Apesar de inúmeros textos, o povo judeu não se tornou um povo missionário, antes perdeu o senso do chamado de Deus para suas vidas. Voltaram para si mesmos, tornaram-se cada vez mais introvertidos. “O maior escândalo do Antigo Testamento é que Israel tentou ser abençoado sem tentar se esforçar para ser uma benção”[8]

Esta visão judaizante é tão forte que mesmo entre os discípulos de Cristo, que foram chamados para “pregar o Evangelho a toda criatura” e serem “testemunhas até os confins da terra”, eles encontraram grande dificuldade para iniciar o projeto missionário planejado por Jesus. E quando, afinal saíram para pregar, tiveram que se explicar no Concílio de Jerusalém. A Igreja teve uma reunião histórica para “definir” aquilo que Jesus já lhes havia ordenado. A narrativa se encontra em Atos 15.

No livro de Jonas percebemos alguns princípios extremamente importantes sobre missão:

1.     Missão é obra que sai do coração de Deus - Missão não é um projeto do povo de Deus, mas é um projeto de Deus para o seu povo. Aliás, o povo de Deus muitas vezes teve dificuldades para realizar o projeto missionário.

A Igreja de Atos só começa a fazer missões depois de uma violenta perseguição. Mesmo vivendo dias de avivamento, a igreja não estava realizando seu projeto missionário, e Deus, para que seu alvo se concretizasse, moveu contra ela uma oposição política, utilizando para isto o seu primeiro agente missionário que foi Herodes (At 8.1).

O cerne da grande estratégia de Deus para o mundo é o chamado missionário. A igreja só realiza seu alvo quando se torna missionária na sua prática. A missão da igreja é fazer missão. Ela não existe para si mesma e é o único grupo de fraternidade que não tem objetivo apenas de auto-sustentação e cuidado com seus membros. Ela existe para exercer seu sacerdócio, sendo chamada para sair de si mesma e ir ao encontro daqueles que não têm nenhuma relação com ela e eventualmente são até seus perseguidores.

O conceito de um Deus missionário permeia as Escrituras, e porque missões é algo que sai do seu coração, Ele envia seu Filho amado, para ser missionário entre nós; “A Bíblia na verdade começa com missões, e missões é um tema central por toda a Bíblia, e conclui em Apocalipse com espontâneo júbilo de alegria, porque o mandato missionário foi concluído”.[9]

A obra missionária não sai do coração da igreja, mas sai do coração de Deus.

É assim em Atos 8, quando sob perseguição a igreja sai anunciando a palavra aos gentios, pela primeira vez. É Deus quem inicia o processo. O mesmo se dá em At 13.1ss. quando a igreja está passando por um avivamento, com muitas pessoas se convertendo a Jesus, e durante um período de consagração e entrega o Espírito Santo diz: “Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2). Os discípulos estão fazendo suas atividades naquela igreja local, e Deus os incomoda para fazerem missões em outros lugares, separando seus melhores líderes para o projeto que Ele mesmo tinha em seu coração. A obra vem do coração de Deus.

Por esta razão missiólogos falam hoje sobre a “semente do verbo”, ou “bússola cultural” (Don Richardson), afirmando que antes dos missionários chegarem ao campo, Deus já visitou aquele povo deixando sinais de sua presença e criando símbolos e conceitos que facilitam a proclamação do Evangelho. Pensando neste conceito, Don Richardson começou a estudar diferentes povos para encontrar estes sinais da presença de Deus.

Um dos exemplos citados vem do Hinduísmo que tem como livro sagrado o sâncristo (Vedas), do tempo de Abraão. Neste livro existem várias profecias. Uma delas fala de uma árvore de cabeça para baixa. O que faz a árvore ficar assim? Um tornado ou um trator? Não! Suas raízes vêm do céu, e seus galhos foram espalhados na terra para a humanidade. Esta profecia afirma que o tronco desta árvore seria cortado, e que sairia de dentro dela, cura para a humanidade. Esta é uma referência clara sobre a obra de Jesus, que está presente num  livro pagão.

Panya Baba, diretor da Evangelical Missionary Society da Nigéria está convencido de que os primeiros missionários teriam sido mais eficazes se tivessem tomado conhecimento dos costumes locais, fazendo uso deles como uma ponte para comunicação eficiente do Evangelho.[10]

Deus não apenas preparou mensageiros, mas prepara também o coração das pessoas para aceitarem a mensagem. Deus antecede o missionário quando ele chega ao local para o qual se sente chamado. O Deus da Bíblia é um Deus missionário. Missões saem do seu coração. Quando a igreja faz missões ela está se identificando com o propósito essencial de toda missão bíblica, que fala deste Deus, que amou tanto o mundo que fez do seu único Filho um missionário.

2.     Missão é um chamado de Deus para participarmos da construção de seu reino – Este é outro princípio que podemos encontrar no livro de Jonas.

Deus poderia realizar aquele projeto sozinho ou poderia ter enviado outro profeta, mas na verdade quis fazer a obra através de seu servo.

Muitos perguntam por que Deus insistiu em chamar um homem tão complicado como Jonas? A resposta para mim é clara: Jonas é o nosso paradigma! Ele é o nosso espelho! Ele demonstra as fragilidades dos homens de Deus em todas as épocas e revela de forma clara que Deus quer fazer sua missão, não por causa de nossa operosidade e competência, mas que fará sua obra em nós, através de nós, e muitas vezes a despeito de nós.

Jonas é um livro permeado da graça de Deus.

O critério da escolha aqui não é o da competência, nem das qualidades pessoais do obreiro, mas da competência do Deus que se encontra por detrás do cenário. O texto mostra que Deus conta conosco, porque este é o seu projeto para que seus decretos sejam executados. Deus, na sua onipotência, quis que fosse assim. Ele deseja usar vasos de barro, gente quebrada, complicada, para que a excelência do poder seja dEle, e não nossa.

Paulo parece entender esta questão de forma muito clara.
Em 2 Co 2.16 ao falar do ministério cristão pergunta: “Quem, porém, é suficiente para estas coisas?”. Esta é uma pergunta retórica, que nos obriga a dizer “ninguém”! Adiante, porém, ele explica: “Não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus, o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Co 3.5-6). 

O fato de Deus contar conosco na sua obra missionária é porque este é o seu projeto para o mundo. Deus quer usar o seu povo, a sua Igreja e para isto nos colocou num corpo dando-nos dons e talentos. Ele deseja fazer sua obra no mundo através dos seus filhos. Para isto Ele usa o corpo de Cristo.

A missão só acontece quando a igreja atravessa fronteiras e abandona  o ensimesmamento. Missão é a igreja em movimento procurando viver de forma sacerdotal, entendendo ter o chamado de Deus para o mundo. “Missão descreve tudo o que a igreja é enviada ao mundo para fazer. Missão abrange a vocação dupla de serviço da igreja para ser o sal da terra e a luz do mundo” [11].

Quando Jesus envia seus discípulos para o campo missionário Ele faz uma afirmação assustadora. “Ide! Eis que eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos” (Lc 10.3).

Esta frase me inquieta visto que Deus nos coloca numa posição altamente desconfortável. Cordeiros são filhotes de ovelhas, tenros, frágeis, que, na linguagem de Jesus, seriam enviados para o meio dos lobos. Esta declaração chega a ser um desatino, a figura é grotesca! O que pode fazer uma frágil ovelha em meio a uma alcateia de lobos? Será dilacerada em poucos segundos porque a luta é muito desigual. Pessoalmente gostaria que Deus tivesse feito aqui uma inversão. “Eis que vos envio como lobos para o meio de ovelhas”. Esta posição me deixaria muito mais confortável.

No entanto, o que Jesus queria frisar aqui não era a competência da ovelha que é enviada, mas a confiança que ela deve ter no pastor que a envia. A força não está na ovelha, mas no pastor. “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós” (1 Co 4.7).

Talvez por entender que Deus era o agente missionário as missões moravianas, fundada no Século XVIII pelo Conde de Zinzedorf, recomendava que:

(a) Os missionários deveriam sustentar a si mesmos;

(b) Não deveriam aplicar a “medida de Herrnhut” (o padrão dos morávios alemães) e,

(c) Deveriam ser considerados como auxiliadores do Espírito Santo[12].

Deus chama muitos “Jonas” na história: Gente claudicante, fisicamente frágil, emocionalmente instável, cabeçuda, hipersensível, legalista e preconceituosa e vai trabalhando o coração destes inquietos missionários que muitas vezes estão debaixo de enorme crise com a vida e com o Deus que os envia.

Este livro mostra que Deus queria abençoar não apenas a obra, mas também o obreiro, por isto vem conversar com Jonas. Não é Jonas quem procura Deus no meio de sua crise ministerial antes, o próprio Deus é quem se aproxima. Deus procura os ouvidos de Jonas, tenta capacitá-lo ao diálogo já que este se encontra tão mau humorado e de mal com a vida. Deus indaga seus motivos. “É razoável esta tua ira?” (Jn 4.4,8), Explica, apresenta razões, justifica-se.

O Deus Todo-poderoso que não tem necessidade de se explicar com ninguém, vem dar seu parecer para Jonas. Sua preocupação com o coração daquele missionário é um ato de sua tremenda graça. Por muito menos eu dispensaria gente do meu quadro de obreiros com atitude semelhante. Apesar disto, Deus arrazoa com Jonas, cuida dele, explica-lhe a importância da sua obra.

Não sabemos se Jonas entendeu os motivos de Deus...Mas que Deus tentou explicar, isto Ele fez...

3.     Missão é meio de bênção para outras vidas - Este é o terceiro princípio sobre missões que podemos encontrar no livro de Jonas. Deus quer fazer missões porque ele deseja que sejamos instrumentos de alegria para muitas outras vidas.

Um dos textos mais marcantes na Bíblia sobre missão é a chegada dos discípulos na cidade de Samaria.  A presença da Igreja se deu com a manifestação de sinais miraculosos, curas e expulsão de demônios e diante de sua presença graciosa a cidade foi impactada e “Assim, houve grande alegria naquela cidade” (At 8.8).

Por que Deus deseja enviar sua Igreja?
Porque Ele conhece a necessidade dos campos missionários. Deus conhecia pormenorizadamente a cidade de Nínive. Sabia de sua violência e maldade (Jn 1.2); conhecia suas lutas políticas e seus interesses gananciosos. Sabia do seu relativismo moral expresso na afirmação de que não eram capazes de discernir entre a mão direita e a mão esquerda (Jn 4.11). Sabia da base de sua economia pois fala de seus animais (Jn 4.11). Deus olha para aquela cidade tão destruída moralmente e envia seus servos para abençoá-la.

O filme “terra selvagem” narra a experiência dramática de 4 missionários que foram mortos no Equador pelos índios waudanes, uma tribo violenta, que acreditava que para se tornarem fortes precisavam matar outras pessoas. Por esta razão, morriam muito cedo, envolvidos em múltiplos conflitos. Um destes índios matou Nate, e tempos depois, o filho de Nate, Steve, volta para a selva para continuar o projeto missionário de seu pai.

Nas filmagens de bastidores que fizeram, eles usam personagens reais que passaram por esta tragédia. Em algumas cenas mostram o índio que matara o pai de Steve e que havia se convertido. Antes de  entregar sua vida a Jesus ele não podia entender porque Steve não quis matá-lo para vingar seu pai. O próprio Steve faz uma afirmação linda sobre isto: “Meu pai morreu cedo e não pôde ver seus netos, para que os waudanes agora pudessem viver mais e apreciar sua posteridade. Meu pai não foi assassinado, mas deu sua vida por eles”.

Deus nos envia para abençoar outros povos. Milhares de pessoas têm sido libertas das mãos do diabo, da opressão maligna e do engano espiritual através da mensagem de salvação. A presença da Igreja de Cristo tem abençoado centenas de aldeias, cidades, nações através de seus obreiros. O que seria espiritualmente, das cidades modernas sem as orações do povo de Deus?

Quando entendemos isto, o sacrifício pela obra missionária torna-se válido. Estamos cumprindo a grande comissão dada por Cristo de alcançar todas as nações e fazer discípulos, e assim a benção de Deus vai iluminando o coração das pessoas, trazendo alegria para suas vidas.

4.     Missão tem alcance imprevisível -  Este é o quarto principio que podemos extrair deste livro. 

A Palavra de Deus através de Jonas alcançou 120 mil em 40 dias. Talvez não exista registro de um missionário mais bem sucedido, do ponto de vista dos resultados na história da Igreja. Jonas jamais poderia prever a dimensão de seu ministério, o alcance do projeto que Deus tinha para ele. Mesmo porque ele não abrigava nenhuma expectativa no trabalho que exercia.

Qual é o alcance do projeto em que hoje você está envolvido?

Felizmente você não tem noção da grandeza do mesmo. Hoje recebemos bênçãos de muitos missionários que deram suas vidas para a obra do Senhor, e muitos deles não viram a concretização de seus sonhos.

Em 1859, chegou ao rio de Janeiro um jovem missionário vindo de Pittisburgh, PA, depois de ter concluído com brilhantismo seu curso no Princeton Theological Seminary. Ashbel Green Simonton foi enviado pela Missão Presbiteriana dos Estados Unidos. Ele só viveu 8 anos aqui. Sua esposa morreu ainda muito jovem de febre amarela. Ele também morreria poucos anos depois, sua biografia aparentemente não é a de um homem vitorioso.

No entanto, hoje são milhares de presbiterianos no Brasil, contando as diferentes denominações calvinistas. A maior universidade particular da América Latina, o Mackenzie, foi fundada pelos missionários que vieram em seguida para apoiar seu ministério. E este é apenas um relato missionário. Outras denominações possuem casos similares. Provavelmente estes homens jamais tiveram esta noção antecipada da grandeza e expansão do reino através de suas frágeis vidas.

Apesar de falarmos de resultados, uma coisa precisa ficar clara em nossas vidas. Nós somos chamados para sermos fiéis, não para provocar resultados. Deus é quem sabe o que Ele deseja fazer através de nossas vidas, e não deveríamos nos preocupar com isto. Existem muitos obreiros hoje que estão tentando gerar resultados pela necessidade que as pessoas e até mesmo a própria denominação impõe sobre eles. Deus não nos chamou para sermos um sucesso, mas para sermos fieis. “Ora, o que se espera de cada despenseiro é que seja encontrado fiel” (1 Co 4.1). Nossa pressão não deveria ser por performance, mas fidelidade.

Ouvi um comentário sobre o ministério que me chamou muito a atenção: “A nós cumpre dar profundidade, a Deus, largueza”. Não deveríamos preocupar com o alcance da obra que Deus vai fazer através de nossas fraquezas, mas deveríamos nos preocupar em aprofundar nosso coração em direção ao Pai, e deixar os resultados com ele.

Quando os discípulos voltam do campo missionário para dar relatório de suas atividades a Jesus, eles estão empolgados com os resultados. “Senhor, até os demônios se nos submetem em teu nome” (Lc 10.17), mas Jesus lhes diz: “Alegrai-vos, não porque os demônios se submetem, mas porque vossos nomes estão arrolados no livro da vida” (Lc 10.18). De certa forma, o que Jesus faz é esfriar um pouco a empolgação dos discípulos, porque ela estava no lugar errado. Eles queriam valorizar sua posição de guerreiros do Senhor e os resultados desta batalha, mas Jesus coloca o olhar deles na necessidade de se reconhecerem amados do Pai, e de saberem que foram chamados para um relacionamento eterno de amor através de sua vida.

Missionários adoecem quando o foco torna-se o resultado e não Deus. Toda instituição cuja preocupação seja a efetividade de seus números e não a glória de Deus, deixa de ser relevante para o coração de Deus. Jonas é um homem bem sucedido ministerialmente, todo missionário gostaria de ver sua pregação sendo tão efetiva quanto a de Jonas, mas apesar de seu estrondoso sucesso, Jonas é um fracasso interior, porque ele não se aproximou do coração de seu Pai. Ele vivia em crise com o Deus das missões, que o chamara, capacitara, vocacionara e enviara em seu nome.

Conclusão:
Qual é a relevância da missão?

Observamos que missão é obra que sai do coração de Deus. Isto por si só deveria ser suficiente para que nossos olhos, recursos e projetos estivessem voltados para esta realidade.

Vimos também que missão é um chamado de Deus para participarmos  da construção de seu reino. Ele poderia fazer sozinho, mas na sua economia divina, quis nos enviar em seu nome.

Fazer missão é responder positivamente ao chamado e tarefa que Deus nos dá. Fazer missão também é uma tarefa maravilhosa, porque na medida em que vamos, não vamos no vácuo histórico, mas somos designados para abençoar outros, expressar a graça de Deus em outras vidas, e isto é maravilhoso por si só. Onde vamos chegar com tudo isto? Só o Senhor da missão sabe, porque missão tem alcance imprevisível. “Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”.

Carriker afirma que a sobrevivência e o dinamismo do povo de Deus dependem fundamentalmente da compreensão e do compromisso com a sua vocação missionária, e que nossa identidade está diretamente ligada à compreensão e compromisso com o papel missionário no mundo.”[13]

Quando Adoniram Judson se encontrava acorrentado numa prisão na Birmânia por estar pregando o Evangelho, outro preso ironicamente desdenhou a obra missionária e a remota possibilidade da conversão dos pagãos. Diante disto Judson respondeu: “As perspectivas são tão brilhantes quanto as promessas de Deus”.[14]

Pontos para reflexão:

1.      Se missões produzem efeitos tão universais e positivos, porque ainda somos tão pouco efetivos neste ministério?

2.      Por que Deus é tão apaixonado em missões? Quais seriam as razões teológicas deste Deus santo se envolver tão apaixonadamente neste projeto a ponto de entregar seu próprio filho para ser um missionário?

3.      Por que a igreja missionária sempre revela saúde espiritual? Como espiritualidade e visão missionária se interligam?

4.      Considerando todas estas verdades, como você acha que precisa responder ao Deus missionário?

Rev Samuel Vieira


[1] Blauw  é um dos que afirmam que o Antigo Testamento não tem preocupação missionária. “emobra o ponto de partida do Antigo Testamento seja universalista, a ideia de missão ocorre apenas esporadicamente ou está totalmente ausente”. Blauw, Johannes., A natureza Missionária d Igreja, São Paulo, Aste, 1966, pg 30
[2] . Op. Cit., pr 17
[3] Carriker, Timoteo, pg 16
[4] Queiroz, Edson – A Igreja local e missões, São Paulo, Ed. Vida Nova, 1987, pg 44.
[5] Senior, Donald, C.P & Stuhlmueller, Carrol, C.P., discutem a teologia da eleição e os sinais do universalismo no AT. “como, perguntamos nós, se pode descobrir política de missão dentro das linhas de veemente exclusivismo e mesmo violento repúdio ao estrangeiro?” (pg. 18). “Deus pode fazer surgir novo povo escolhido de outro povo, candidato menos provável nos dias de João Batista... ‘destas pedras (aparentemente sem vida)’ (Lc 3.8)”. (Pg 20). Esta idéia é ainda mais discutida adiante: “tudo através do Antigo Testamento fora indicador que apontava às nações para além de Israel. Essas percepções religiosas nunca chegaram a atingir síntese teológica, nem foram integradas a outras posições religiosas importantes em Israel. Somente mais tarde, haveria de realizar este trabalho o apóstolo Paulo, a grande custo para si mesmo e para a Igreja Primitiva” (Pg 148).
[6] Blaw, 1966, pg 17
[7] Blaw, 1966, pg 31
[8] Winter, Ralph & Hawthorne Steven C.,   Missões transculturais, São Paulo, Ed. Mundo cristão, 1981, pg 201

[9] . Richardson, Don - Eternity in their hearts, Ventura, CA - Regal Books, 1981. Pg. 122
[10] Baba, Panya – Preparando aquele que vai. São Paulo, Ed. Mundo cristão, 1995, pg 109
[11] Stott, J. R. W., Christian Mission in the Modern world, Downers Grove, IVP, 1975, p. 30.
[12] Beaver, R. Pierce – A história da estratégia missionária in Winter, Ralph & Hawthorne Steven C.,   Missões Transculturais, 1981 p. 238.
[13] Carriker, Timoteo – Missão integral. Uma teologia Bíblica. São Paulo, Ed. Sepal, 1992
[14] Zwemer, Samuel, A glória do impossível, em Missões Transculturais, 1981:312