segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ez 14.1-8 Ídolos do coração

Introdução:

Quando falamos de ídolos, geralmente pensamos nas figuras caricaturais de pagãos elevando suas preces a esculturas bizarras e representações de animais ou pessoas de sua devoção (Is 44.16-17). Uma definição simples de ídolo, porém, é tudo aquilo que ocupa nosso coração ao invés de Deus. Precisamos reconhecer a tendência que temos em nosso coração em não crer em Deus e criar substitutos em nossa vida.
O profeta Ezequiel fala de “Ídolos do coração”. Representações divinas que construímos na nossa alma e que se tornam substitutos de Deus.
 “Um ídolo é algo dentro da criação que é colocado de forma inflacionada a assumir o lugar de Deus. Todas as coisas podem se tornar potencialmente em ídolos. Um ídolo pode ser um objeto físico, uma propriedade ou uma pessoa, uma atividade, uma regra, uma instituição, uma esperança, um prazer, um herói…Sendo isto verdade, como poderemos determinar quando alguma coisa é …um ídolo?” Richard Keyes
A Questão essencial: "Há alguma coisa ou alguém, além de Jesus Cristo que tem assumido no nosso coração uma função de confiança, preocupação, lealdade, serviço, medo ou prazer?” Existe alguém ou algo que temo, amo, confio ou desejo - Mais que a Deus?
Em Êxodo 32.1-4,19-24 lemos que o povo abandona o Senhor e constrói para si uma representação de um Deus, em formato de bezerro de ouro, e passa a adorá-lo. Tão logo Moisés desapareceu por 40 dias, seu irmão Arão, resolve fazer um deus, um ídolo. (Ex. 32) Arão dá uma desculpa esfarrapada e joga a culpa no povo. “Tu sabes que o povo é propenso para o mal” (vs.22) e justifica-se: “eu o lancei no fogo, e saiu este bezerro” (Vs. 24).
Há uma tendência em nosso coração em não crer em Deus e em criar substitutos para Deus: Invocamos mortos, deidades, nos dirigimos aos ídolos, criamos mitos e representações simbólicas, idolatramos objetos, mas não oramos a Deus. São distrações...
Para Lutero, idolatria é o pecado detrás de todos os pecados.
O Profeta Ezequiel fala que o problema está no coração do homem.
Considere, por exemplo, a ansiedade, que pode se tornar obsessiva e controlar todo nosso estilo de vida. Para Jesus, a ansiedade demonstra que não estamos firmados em Deus. “Os gentios é que se preocupam com estas coisas” (Mt 6.25-34). Considere o fato de que, diante de uma situação na qual temos controle, ou nos impressionamos com as circunstâncias ou com o Deus que controla as circunstâncias. A fé nos convida a re-significar a experiência, isto é, olhar o fato com a perspectiva de Deus. Quem confia em ídolos, fica apavorado diante das circunstâncias adversas – quem confia em Deus, pode até saber que os fatos não são nada animadores. Mas ainda assim, se alegra no Deus de sua salvação.

Por que os povos do antigo Testamento são atraídos aos ídolos?1. O grande problema da nossa vida é a dificuldade que temos de dar a Deus a centralidade de tudo que fazemos (Rm 1.18-23). Num nível motivacional nós não queremos dar a honra que Deus é merecedor, por isso criamos ídolos, ou melhor, estabelecemos coisas como deuses para nossas vidas. Para negarmos o controle de Deus sobre nossas vidas, nós escolhemos outras coisas que possam ser substitutos de Deus. “Eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do criador” (Rm 1.25). Por isso, distorcemos a vida e seguimos a mentira.
Tim Keller. “Na base de nossas escolhas, nossa estrutura emocional, nossa personalidade é um falso sistema de fé centralizado em um ídolo". Os homens “mudaram a glória de Deus” (Rm 1.23). Por esta razão, todo ser humano torna-se escravo. Ninguém de fato é livre porque para quem damos a vida, somos obrigados a servir. Os homens “Adoraram e serviram a criatura em lugar do criador” (Rm 1.25), isto é, quando passaram a adorar, passaram também a servir.
Mesmo após nossa conversão, facilmente somos distraídos pelos “ídolos de nosso coração”. Os homens “Levantaram ídolos dentro do seu coração” (Ez 14.3). Ídolo tem a ver com nosso coração. Deus revela aqui não que estas pessoas adoravam determinados ídolos feitos em barro, mas que os ídolos estavam arraigados nos seus corações.

2. O ídolo controla o coração. Ídolos afetam o coração, tomam o espaço da alma. Ídolos são forjados dentro dos corações (Ez 14.4).
Rm 1.18-23 afirma que os homens trocaram a mudaram a verdade de Deus em mentira e passaram a adorar e servir a criatura em lugar do criador.
Veja como é o processo da degradação.
Mudam a verdade
Passam a adorar
Passam a servir
(Rm 1.25).
Toda problemática começa com a conceituação. O problema, antes de tudo é filosófico, ou se preferir, teológico. Os homens mudaram a verdade de Deus em mentira. Os deuses, porém, que eles mesmos criam, passam a ser objeto de sua adoração, e posteriormente os escravizam, já que passam a servi-lo.
“Estes homens levantaram ídolos dentro de seu coração” (Ez 14.3). Ídolos tem a ver com o coração.

3. O ídolo, também, nos faz pensar que é impossível ser feliz sem sua presença– Qualquer que seja a sua idealização da divindade, ela cria falsa sensação de segurança, mas ameaça também seu criador, levando-o a crer que é impossível viver sem este Deus.
Existem várias formas idolátricas bem conhecidas.
 Glotunaria - transforma a comida em sua obsessão. No Império Romano, as pessoas tinham pias vomitórias, passavam pena na garganta, vomitavam e voltavam a comer.
 Ambição - Torna-nos escravos do sucesso. A fama não tem limites dentro do coração humano. Perguntaram certa vez a Rockefeller, o homem que foi considerado o mais rico do mundo, quanto a mais de dinheiro ele queria, e ele respondeu: “Só um pouquinho a mais”.
 A luxúria - Nos faz depender de sexo e pornografia. Pornografia é viciante, e as pessoas passam a querer doses cada vez mais fortes.
 Ganância do dinheiro – nos faz viver em torno do lucro. Vendemos nossa alma, nossa saúde, nossa espiritualidade, por um bocado de dinheiro, para termos uma vida mais glamorousa, um carro mais esportivo, uma casa num bairro melhor.
 Vaidade – nos torna prisioneiro de nossa estética. Mulheres escravizadas pela beleza, que não conseguem mais encontrar prazer em se alimentar.
 Trabalho – vivemos embriagados pelo nosso serviço, nos viciamos em produtividade.
Os ídolos nos fazem crer que se não tivermos estas coisas não podemos ser felizes. Karl Meninger, no livro Pecados de nossa época, fala de um paciente que estava adoecido, porque, apesar de muito rico, era demasiadamente apegado aos seus bens. Num encontro, aquele homem percebeu isto, e o terapeuta o desafiou então a superar esta relação de apego com seus bens, doando parte deles para entidades que pudessem investir em vida. Aquele homem respondeu: “Eu sei que é necessari0o fazer isto, mas não posso imaginar tocando nos meus bens, eu morreria se desse mesmo uma pequena parte”.

4. Ídolo é um sempre um substituto de Deus - O pecado nos predispõe a querer viver de forma independente de Deus. “Adoraram a criatura em lugar do criador” (Rm 1.25).
 Trabalho - pode se tornar um ídolo se o perseguimos de uma forma que ignoramos as responsabilidades espirituais;
 Família – Mesmo sendo uma instituição divina, pode se tornar um ídolo;
 Bem-estar - um desejo legítimo torna-se um ídolo quando não nos desestabilizarmos por causa de nosso conforto.

O que tem ocupado o meu coração? Alguma coisa ou alguém está tomando o lugar de Deus em minha vida? O que tem ocupado minha mente?

5. Ídolos do coração nos dão uma falsa sensação de controle, temos a impressão de que temos poder, mas na verdade, é ele que nos controla.
Certo estudante de psicologia estava estudando a teoria comportamental e trabahando num laboratório com seu ratinho. Dias depois, o ratinho comentou com o outro rato que estava do seu lado: “acho que aquele rapaz está condicionado, porque todas as vezes que eu aperto esta barra ele me dá comida e água...”
 Os ídolos criam falsas leis, falsas definições de sucesso e fracasso, de valor e significado. Fazem promessas de benção e maldição para aqueles que seguem suas leis ou a desobedecem. Por exemplo: “Se fizer bastante dinheiro, estarei seguro”, ou, "Minha vida será bem sucedida se"…ou, "as pessoas me respeitarão e vão gostar de mim, se"…

O resultado, segundo Oden, é que nos tornamos escravos destes ídolos.
 Torno-me ansioso na medida em que idolatro valores finitos.
o E.g Idolatria do corpo - Torno-me frágil e ansioso quando percebo que ele não tem mais aquela estrutura bonita.
o Idolatria do sucesso - Me desespero quando não estou em evidência.
o Idolatria do dinheiro - Não consigo pensar na idéia de viver sem ele;
 Sinto-me culpado quando tais ídolos, por alguma razão, não mais exercem influencia sobre minha vida.
 Experimento vazio e falta de sentido. Alguns chamam isto de desespero, e as formas mais brandas são o desapontamento, desilusão e cinismo.

Conclusão:Para lutar contra um inimigo tão astuto, precisamos construir uma liturgia dos nossos afetos para Deus, o único merecedor de nossa adoração.

1. Desmascarando os ídolos – Este é o primeiro caminho. Quando Moisés chegou ao arraial, ele quebrou os ídolos. Mostra a fragilidade daquele bezerro de ouro (Ex 32). O ídolo precisa ser denunciado, desmascarado. Ídolos criam um campo de ilusão acerca deles.
Scott Peck, no seu livro: “O Povo da Mentira” afirma que o mal é como fungo e mofo, cresce melhor na penumbra. Por isto Jesus afirmou: “Eu sou a luz do mundo, aquele que me segue, não andará em trevas”. Precisamos convidar Jesus para iluminar os segredos e desvarios de nosso coração.

2. Regozijando na graça e na obra de Jesus – Precisamos admitir que temos buscado segurança em nossos esquemas, e na nossa justiça própria, mas a grande mensagem do Evangelho é que nós somos aceitos em Cristo. Todos os nossos problemas surgem porque nos esquecemos quão amados nós somos por meio de Jesus, quão honrados, quão bonitos, quão seguros, quão ricos, quão respeitados e livres somos em Jesus. Todas as outras formas de encontrar sentido e prestígio são vãs. Precisamos confiar somente em Jesus.

3. Guardando-se dos ídolos – Nosso coração precisa estar atento às sofisticadas formas de se revelar em nossas vidas. “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (I Jo 5.21). Walsh e Middleton desafiam nos desafia a uma obediência que requer de nós, quatro condições:
"Precisamos abandonar nossos ídolos,
Reconhecer a multidimensionalidade da vida
Responder em obediência as normas de deus para suas criaturas,
E vivermos em comunidade com outros num caminho renovado de vida”.

Bibliografia:Richard Keyes, “The Idol Factory” in No God But God (Chicago: Moody Press, 1992)
Oden, Thomas C., Two worlds: Notes on the death of modernity in America and Russia
Peck, Scott M., People of the Lie - The Hope for Healing Human Evil, New York, Simon and Schuster, 1983
Walsh, Brian J. / Middleton, J. Richard - Visão transformadora - Moldando uma cosmovisão cristã – São Paulo, Casa de Cultura Cristã, 2010.

Nenhum comentário:

Postar um comentário