segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Mt 5.4 Bem-aventurados os que choram





Perguntas introdutórias:
1.     O que você entende por “Bem aventurados os que choram porque serão consolados?”
2.     Pelo que você chora frequentemente? 

O que este texto não diz?
a.     Tristeza em si mesma não é virtude
b.     Tristeza contínua pode revelar auto piedade
c.     Tristeza pode se tornar um meio de vida: Hipocondria
d.     Jesus era uma pessoa triste ou alegre?

Diferentes tipos de choro:
A.    Lutas/dores/sofrimentos pessoais: Provérbio árabe: "Se o sol sempre brilhar, teremos um deserto." 
B.    Sofrimento e dor que há no mundo.
a.     Ex. Desolação de Sião (SI 137.1).
b.     Cristo chorou por Jerusalém (SI 126:4-6);
C.    Tristeza pelo seu próprio pecado
è Não há verdadeira alegria se não formos sinceros conosco mesmo. Tg 4.8-10
è Não há alegria verdadeira, sem arrependimento sincero. 2Co 7.9-10)
è A Bíblia convida ao choro Joel 2.12-14
“Felicidade é o produto do caráter que é realístico acerca de si mesmo e que se arrepende diante de Deus. Não existe makarios para o irrealista e não arrependido” (S. Briscoe).

Homens de Deus que choraram pelos seus pecados:
a.     Pedro (Lc 22.62).  
b.     Jó (Jó 42.6)

Aplicação:

A.    Existe alguma coisa que precisa ser mudado em sua vida? Pela qual você deveria chorar?
B.    Voce já se entristeceu pelo seu próprio pecado?
C.    Voce já experimentou a alegria do choro?

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Sinais de Vitalidade na Plantação de Igrejas



“A vida da igreja depende da condição espiritual do povo”
(A.W.Boehm )


Todo organismo vivo emite sinais vitais.

Quando uma pessoa encontra-se prostrada por enfermidade ou acidente, profissionais da área médica  procuram imediatamente os sinais que possam demonstrar que tal pessoa encontra-se viva. As medições mais frequentes são temperatura, pulso, pressão arterial, frequência respiratória e um quinto curioso elemento: A dor. Pessoas vivas em situação de risco sentem dores e agonia, e apesar do sofrimento ali presente, a dor também é um sinal vital.
A avaliação destes sinais permite identificar necessidades básicas dos pacientes,  fazer o diagnóstico e buscar a solução para o problema. Quando a pessoa não possui nenhum deste sinais, ainda é possível ver se ela tem chance de ser ressuscitada e tentar uma medida mais dramática, com os procedimentos básicos de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) pressionando o tórax repetidas vezes para reanimar a pessoa. Existem situações comprovadas de pessoas que foram ressuscitadas entre 30 e 45 minutos depois do ataque cardíaco.
Assim como o corpo humano, a igreja é um organismo vivo e demonstra se está em perigo ou se possui estes sinais de vitalidade. Um destes sinais, por exemplo é o crescimento numérico. Mas antes de nos fixarmos neste ponto específico, gostaria de fazer uma observação importante: Nem toda igreja que cresce possui vitalidade, e nem toda igreja com vitalidade, apresenta crescimento. Quando isto é possível?

Crescimento Numérico & Vitalidade

É importante fazer diferença entre crescimento numérico e vitalidade.
Quase sempre crescimento é resultado de uma igreja com saúde, e o contrário também é verdadeiro, mas apesar desta equação parecer simples, ela nem sempre é verdadeira. Existem situações nas quais a igreja pode estar decrescendo e ainda assim, apresentar vitalidade, ou, estar crescendo e não ter vitalidade. Como isto é possível?

Vitalidade sem crescimento
Algumas comunidades sofrem com mudanças demográficas. Recentemente li que a cidade de Rialma, com 21 mil habitantes no interior de Goiás, que em 10 anos perdeu três mil habitantes, tendo agora apenas 18 mil. Esta pequena diminuição pode causar transtornos para a igreja local, caso um bom número de famílias de uma mesma igreja resolva se mudar. Entretanto, existem situações ainda mais complexas, de comunidades inteiras que precisam se mudar por causa de guerras, cataclismas como vulcões e terremotos, ou guerrilhas, questões econômicas e políticas, diminuindo o número de pessoas, ou até mesmo decretando o fim de uma cidade ou vila. Se uma igreja vive neste ambiente, ela perderá muitos membros e até mesmo vai se extinguir, dependendo da extensão do problema. Se ela ainda consegue sobreviver, mesmo e talvez por causa das perdas, ela pode se tornar uma igreja poderosa, viva e dinâmica, mesmo com a diminuição no número de membros.

Certa vez ouvi o relato de um pastor na cidade de Detroit, que perdeu 90% de sua comunidade por causa do desemprego gerado pela crise na indústria automobilística. As pessoas demitidas, tiveram que se mudar de cidade em busca de oportunidades de trabalho, num curto espaço de tempo. Se você é pastor numa situação como esta vai sentir na pele o quão duro é equilibrar os projetos, orçamento, funcionários e despesas.

No Brasil é muito comum história de igrejas de zona rural, que se esvaziaram com o tempo porque os filhos tiveram que sair para grandes cidades procurando estudo e emprego. Os pais vendiam suas pequenas propriedades, e mudavam para apoiar seus filhos. Na Igreja de Anápolis, que pastoreio desde 2003, recebemos muitos jovens do interior, vindo de pequenas cidades em busca de cursos universitários. Muitos deles, valorosos crentes, bons músicos, e que abençoam nossa comunidade. Sempre que os vejo fico pensando no quanto a saída deles foi uma perda de talentos para suas comunidades de origem.

Temos acompanhado com perplexidade a situação da Igreja no Líbano e de forma ainda mais crítica, na Síria, onde os cristãos agora sob forte perseguição deixam o país para proteger suas vidas e a de seus filhos. Muitos templos encontram-se vazios, ficaram para trás com alguns poucos crentes, na sua maioria idosos, sem saúde e com recursos financeiros limitados.

Nestes casos, as igrejas se esvaziaram e perderam membros, mas sempre revelaram fidelidade a Deus, amor ao evangelho e continuaram comprometidas com o reino mantendo seus sinais vitais. Perderam membros, mas não perderam vitalidade.

Naturalmente tais situações podem equivocadamente justificar igrejas que perderam seu vigor e justificam sua falta de crescimento. Uma igreja saudável possui naturalmente, como qualquer organismo vivo, a capacidade de reprodução, adaptação ao meio ambiente, nutrição e crescimento.  Tal crescimento surge espontâneo e naturalmente, conforme a narrativa do livro de Atos dos Apóstolos:  Louvando a Deus, e contando com a simpatia de todos, enquanto isso acrescentava-se-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos”. (At 2.47). Evangelismo, surge naturalmente em igrejas cuja vida espiritual é profunda e comprometida com o Senhor Jesus.  A Igreja de Atos estava sempre registrando o crescimento numérico de seus membros.

Crescimento sem vitalidade

Em contrapartida, podemos encontrar um cenário completamente oposto. Muitas igrejas crescem sem vitalidade essencial. São igrejas infiéis. Como isto é possível?

Augustus Nicodemus faz a seguinte análise na Introdução de seu artigo Paulo, Plantador de Igrejas:
“A igreja americana "Catedral da Esperança," em Dallas, Texas, é uma das maiores igrejas da denominação Comunidade de Igrejas Metropolitanas dos Estados Unidos e está entre as que mais crescem na América, com uma média de 1600 pessoas, nos domingos pela manhã, na Escola Dominical. Isto a coloca na faixa de 1% das igrejas nacionais que têm mais de 1.000 membros. O pastor da igreja, Michael Piazza, já está se queixando de que o espaço é pequeno e deseja comprar um novo prédio. Surpreendentemente, trata-se de uma igreja que atende a população homossexual e lésbica. Piazza deseja tornar a Catedral numa "catedral psicológica," que venha servir como o centro espiritual mundial dos homossexuais e lésbicas cristãos... Estou citando este caso para exemplificar que é perfeitamente possível fazer uma igreja local crescer sem que isso tenha algo a ver com a doutrina bíblica correta. É possível provocar a expansão de um organismo eclesiástico, sem que essa expansão seja necessariamente o resultado de uma visão correta das Escrituras ou de uma perspectiva correta acerca da obra missionária da Igreja”. 
http://www.monergismo.com/textos/missoes/missoes_augustus.htm

Um grande número de igrejas no Brasil crescem usando estratégias de marketing, fortes apelos emocionais, adulterando o evangelho, fazendo falsas promessas em nome de Deus e assim por diante. “...muitas igrejas evangélicas crescem usando estratégias e metodologias questionáveis. Especialmente aquelas da teologia da prosperidade, que atraem as pessoas com promessas de bênçãos materiais e curas que não podem cumprir” (Augustus Nicodemus).

Infelizmente, muitas destas igrejas crescem, propalando mentiras e alcançando pessoas desesperadas e ansiosas por curas e respostas imediatas. Pastores com comportamentos questionáveis, com carisma mas sem caráter, enganam grande quantidade de pessoas com marketing e propaganda, uso da mídia social, forte empreendedorismo e poder de convicção, atraindo e engodando pessoas com corações inconstantes trazendo vergonha ao Evangelho e desonra para a igreja de Cristo.

Por isto a fórmula, vitalidade = crescimento, não se aplica em todas as situações.

É possível que um pastor piedoso mas tímido, encontre grande dificuldade em plantar uma igreja, enquanto um pastor com capacidade eloquente, mesmo vivendo uma vida de pecado, com motivos e estratégias espúrias, pode alcançar êxito no ministério. É bom lembrar que o profeta mais bem sucedido da história bíblica foi Jonas, embora ele seja o sucesso do fracasso. Sua vida não era nada piedosa, seus dilemas e conflitos com o Eterno eram gigantescos. Ele é o que se pode chamar de um missionário em crise com o Deus das missões. Apesar de sua atitude belicosa e rebelde, depois de três dias de mensagem, viu 120 mil pessoas se arrependendo e buscando misericórdia de Deus, mesmo com sua mensagem de juízo e condenação, e sem qualquer simpatia para aquele povo. Deus, ainda assim, pela sua graça, tornou efetiva a mensagem da salvação no coração daquela cidade.

Diante disto tudo, podemos afirmar que existe diferença entre crescimento e vigor espiritual.
Igrejas podem perder os membros por várias razões, entre elas: 
Morte, mudança para outras cidades, transferência de igrejas ou denominações, pecados e escândalos, liberalismo teológico e ético, perda da santidade. Pode deixar de crescer por causa da auto estima baixa, por seus métodos inadequados, brigas intermináveis, crítica excessiva, brigas internas pelo poder, liderança em conflito ou brigas históricas mal resolvidos, ausência de adaptação ao contexto histórico cultural, medo do novo e perda da relevância.

Por outro lado, igrejas perdem o vigor por motivos conhecidos:
Comodismo, perda do foco e da missão, indiferença espiritual e falta de vida profunda, falta de planejamento a médio e longo prazo, perda da referência teológica, ao retirar a autoridade da Palavra, falta de pregação expositiva, adaptação ao pecado e mundanismo, falta de ardor missionário. Lamentavelmente existem hoje centenas de igrejas espalhadas pelo mundo que se tornaram museus e bares, outrora igrejas fortes e vigorosas, se perderam no tempo e estão mortas, carentes do fogo de Deus e da vida que jorra do Espírito Santo.

Sinais vitais

Na Igreja Presbiteriana do Brasil, uma igreja é formalmente estabelecida quando alguns fundamentos se encontram presentes. “Uma comunidade de cristãos poderá ser organizada em igreja, somente quando oferecer garantias de estabilidade, não só quanto ao número de crentes professos, mas também quanto aos recursos pecuniários indispensáveis à manutenção regular de seus encargos, inclusive as causas gerais, e disponha de pessoas aptas para os cargos eletivos” Portanto, uma comunidade será declarada “igreja” quando conseguir se firmar nestes princípios constitucionais:

(a)- Estabilidade no número de membros;
(b) - Condições financeiras que permitam sua independência;
(c)- Liderança autóctone e sólida

Apesar destes serem os requisitos constitucionais para o estabelecimento de uma igreja autóctone, eles não são necessariamente sinais vitais, mas apontam para as condições estabelecidas institucionalmente para que possam ter condições de constituir uma liderança local independente, constituir um CNPJ, e eleger suas sociedades internas e departamentos, sem a supervisão da igreja mãe, ou, em alguns casos, da missão responsável pelo projeto.  

Alguns sinais, porém, tornam-se essenciais e servem com termômetro para se avaliar a vitalidade da igreja.

Primeiro sinal - Em movimento: A Igreja não se encontra estacionada

Muitas igrejas tiveram períodos de grande entusiasmo e demostraram grande  alegria na obra missionária, mas com o tempo perderam o senso do chamado e se acomodaram num nível de auto satisfação. Em geral cerca de 80% das igrejas se encaixam dentro de uma faixa comum entre 80 a 150 membros, e na sua maioria  possuem sede própria, e os ministérios estão em satisfatório funcionamento, não enfrentam grandes desafios financeiros e são estáveis. É exatamente nesta fase que surgem grandes perigos. Elas se encontram no platô ou no declínio. O temente rei Davi, se envolveu num grosseiro adultério quando sua vida estava relativamente confortável e seus soldados foram à guerra, mas ele ficou em casa. Igrejas estáveis, na sua acomodação, tendem a se tornar igrejas frias e despreocupadas, vivendo numa perigosa fronteira entre paz e negligência.

Platô é a parte elevada e plana de um terreno, classificação dada a uma forma de relevo constituída por uma superfície alta, com cume mais ou menos nivelado, são topos retos, superfícies topográficas, que podem ser regulares ou não.

Emprega-se este termo para condicionamento físico. Fala-se muito do efeito platô!
É comum uma pessoa perder peso durante o início de uma dieta, mas, com o passar do tempo, a dieta não fazer mais efeito e ela para de perder peso. O efeito platô é o responsável pela estagnação, ou seja, o vilão da dieta e da batalha contra os quilinhos extras. No processo de  emagrecimento, o peso se estabiliza e não se consegue mais emagrecer, eis ai o efeito platô.
Uma igreja com vitalidade continua avançando e por causa da dinâmica espiritual e da vida que ela recebe da videira que é Jesus, gera movimento, impacta vidas, envolve-se com a cidade e avança na visão. Existem igrejas que apesar de serem sólidas e estáveis continuam dinâmicas, crescentes, evangelizadoras e missionárias, enquanto outras sofrem um processo de estagnação.  

Platô é uma situação de grande risco quando não se percebe o perigo. A vida é dinâmica. Pessoas nascem e morrem, uma geração dá lugar a outra geração. A tendência de uma igreja estagnada é o declínio ou mesmo a morte. Quando pastoreei nos EUA, nossa comunidade adquiriu uma maravilhosa propriedade de uma igreja congregacional que teve dias de grande efervescência espiritual, mas que agora tinha apenas 12 membros, e o mais novo do grupo, já estava com 82 anos. Sem dúvida alguma, uma igreja morta. Precisava de revitalização, mas o comodismo a levou ao declínio. Nenhuma visão, nenhum desafio, nenhum projeto.
Igrejas com vitalidade continuam avançando em crescimento numérico, na obra missionária,  despertando novas vocações, formando novos líderes, preocupando-se com a nova geração. Ela se recusa a ficar na perigosa e escorregadia zona de conforto. A estagnação é uma perigosa armadilha!

Segundo Sinal: Boa auto estima

Muitas comunidades adoecem no tempo, e se tornam muito pessimistas acerca de si mesmas.  São igrejas com moral baixa. As pessoas estão insatisfeitas e passam a criticar e conspirar contra o pastor (o técnico é o bode expiatório mais visível), e quando isto acontece, começa a declinar. Se as coisas não vão bem internamente é mais fácil acusar outras igrejas, criticar outras denominações, ou justificar-se dizendo que “a denominação é muito fechada” ou que não recebe apoio de ninguém. E isto impede que os problemas reais sejam tratados.
Uma igreja com uma boa visão de si mesma estabelece alvos, projetos e sonhos. As pessoas se mobilizam para atingir as metas e o entusiasmo delas é contagiante, mas quando a igreja está desanimada, a maledicência passa a fazer parte de seu cotidiano. A Bíblia afirma que quando o  povo de Deus estava saindo do Egito, o “populacho” começou a murmurar com grande desejo das comidas dos egípcios, e outras pessoas foram imediatamente contaminadas “pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar e também disseram: Quem nos dará carne a comer?” (Nm 11.4). O problema da murmuração atingiu toda comunidade.

Existem dois tipos de igreja:
As que falam bem de si mesmas e as que falam mal de si mesmas.

Existe um popular ditado inglês que diz: “Ninguém compra uma passagem para o Titanic”. Como sabemos este grande e “indestrutível” navio, que “nem mesmo Deus poderia afundar”, naufragou na sua viagem inaugural e mais de 1000 pessoas perderam suas vidas. Moral da história: Alguém se arriscaria a comprar uma destas passagens, por mais glamoroso que fosse aquele navio, se soubesse do fatídico  desastre? Não. Ninguém quer entrar num projeto furado, nem apoiar estruturas adoecidas. As pessoas querem participar de algo que lhes traga orgulho e alegria e não de igrejas que pecaminosamente vivem em torno de suas próprias mazelas.

Por que as pessoas são atraídas a determinadas igrejas enquanto outras se esvaziam? Geralmente por causa da boa estima que a igreja tem. As pessoas daquela igreja falam com alegria do que está acontecendo e isto leva outras pessoas a se interessarem por ela. Os membros destas comunidades possuem uma linguagem de otimismo que atinge outros.

Muitas vezes o problema encontra-se em nós mesmos. Não buscamos a melhoria da igreja, não investimos talento, tempo e dinheiro para que “haja abundância na casa do Senhor”, mas somos observadores críticos. Uma criança de seis anos voltava para casa depois do culto, ouvindo as críticas dos pais sobre o culto, a longa liturgia, os hinos ruins e o péssimo sermão do pastor. O filho tinha visto que seu pai, na hora do ofertório havia entregue apenas R$ 5,00, e então teceu o seguinte comentário: “Também, com a oferta que o Senhor deu...”

Terceiro Sinal: Impacto visível em Vidas

O fator mais importante para qualquer igreja é a obra do Espírito Santo dentro dela, e sua obra mais fantástica é a conversão do pecador. Nada é mais explosivo e energizador de uma comunidade desanimada que uma conversão genuína. Quando uma pessoa se converte e é inserida na igreja, geralmente provoca uma reação em cadeias no grupo. Uma conversão genuína traz alento, desafia, provoca positivamente novas atitudes, principalmente se aquela igreja por muitos anos não via novos convertidos. Este processo é absolutamente maravilhoso e empolgante.

Um novo convertido desafia membros acomodados. Já vi novos convertidos participando das reuniões de oração, trazendo suas ofertas com alegria, se envolvendo com a igreja, enquanto membros antigos estavam sem perspectiva. Isto fazia com que os velhos e mofados membros, fossem estimulados a agirem de forma mais efetiva. Lembro-me de um rapaz que se converteu a Cristo e veio de uma vida de pecados e paixões da carne, ao chegar na igreja, encontrou um grupo de jovens sem santidade, e ele começou a exortá-los a uma vida de sério compromisso com Deus.
Quando Deus restaura uma família, resgata uma pessoa das trevas, alcança o coração de uma pessoa que vivia distanciada do Evangelho, isto se torna altamente impactante para a comunidade.

As pessoas mais desafiadoras da igreja são novos convertidos, e é bom ver o vigor de sua fé e o compromisso que passam a ter com o povo de Deus. Membros antigos facilmente podem sentir ciúme e isto até mesmo gerar intriga e oposição diante de seu entusiasmo. A verdade porém é que igrejas com vitalidade estão sempre tendo a alegria de discipular e nutrir aqueles que foram alcançados pela graça de Deus.

Quarto Sinal: Alegria comunitária

Nem toda igreja possui ambiente de harmonia e alegria, na verdade existem muitas igrejas mau humoradas com pastores temperamentais e deprimidos. A história está repleta de  grupos adoecidos, disfuncionais e neuróticos, sofreram processos de acusações, rupturas, amarguras e com lutas internas mal resolvidas.

O exemplo que gosto de usar é simples.
Muitas vezes tenho que entrar em casas para orientar pessoas, orar com elas, tentar harmonizar um casamento, falar com adolescentes rebeldes. As experiências vão desde manifestações demoníacas, até a dureza do coração, falta de perdão, mau humor, grosseria, infindáveis discussões mas em muitas ocasiões vi a graça de Deus se manifestando poderosamente e trazendo reconciliação e cura. Quando chego nestas casas, algumas delas muito ricas, torna-se fácil perceber como está o ambiente, basta um olhar mais atento para a disposição dos móveis, o design, os quadros e as plantas. Numa família onde o caos, o ódio e a dor prevalecem, é fácil notar que, mesmo num luxuoso ambiente, as coisas encontram-se sem vida, sem alegria, o ambiente é pesado, os quadros estão tortos, as plantas estão secas e sem viço.

Creio que muitas igrejas são assim.
Quando você vai participar do culto, percebe imediatamente que muitas coisas estão fora do lugar e não são como deveriam ser. Alguns diagnósticos externos podem ser aplicados: Como está a fachada da igreja? Como estão os banheiros? Como está o Departamento Infantil? Há crianças transitando com alegria no meio dela? A comunidade é receptiva, simpática e aberta aos visitantes? Todas estas coisas revelam alegria interior. Ser simpático, acolhedor, atraente, não conspira contra um culto bíblico. Muitas vezes na Bíblia o povo de Deus é convidado a “celebrar a Deus com júbilo”, que é uma manifestação emocional de entusiasmo e alegria.
Algumas igrejas são mau humoradas e refletem isto na liturgia, no louvor, nos móveis. Alguns anos atrás fui sondado para pastorear uma grande e tradicional igreja da nossa denominação. Quando ali cheguei, fiquei assustado, com a disposição dos móveis, o cheiro de mofo dos prédios, a estrutura antiga das coisas, e com péssimo gosto arquitetônico. A liderança da igreja, assentou-se numa velha sala do conselho, onde tudo era desorganizado e sem graça e cheirava a museu. Faltava decoração, arrumação, faltava vida. Não havia cor, nem sinais de restauração e reforma, não havia sinais de dinâmica na igreja. Faltava alegria. Faltava entusiasmo.

Uma igreja com vitalidade, manifesta alegria até na disposição dos móveis, na forma como os ministérios se organizam, na comunicação visual, nas flores que ornamentam, no envolvimento das pessoas e assim por diante. Já viram um grupo de adolescentes reunidos? Apesar da aparente balbúrdia e do barulho que geram, é visível sua vitalidade e energia. É disto que estou falando.


Quinto Sinal: Acolhedora e receptiva

Uma igreja assim não é ensimesmada. A melhor definição para ensimesmamento é a concentração em si mesmo. Este termo é usado para se referir a pessoas, introspectiva e absortas nos próprios pensamentos, com tendência a isolar-se e fechar-se. Muitas igrejas assumiram este tipo de personalidade, e giram em torno de seus problemas internos, sem compreender o chamado de Deus para sair de si mesmas, e irem até os confins da terra.

Uma igreja ensimesmada perde a compreensão do seu chamado missionário e da sua identidade. Suas programações são intramuros, seus recursos servem para investimento e melhoria de suas dependências e para trazer conforto e bem estar ao grupo que se reúne. O problema é que “às vezes é preciso parar e olhar para longe, para podermos enxergar o que está diante de nós”.

Lamentavelmente é fácil encontrar pastores que se orgulham de terem igrejas assim. Olham para a igreja com medo de serem afetadas por outras pessoas e outras denominações e chegam mesmo a dizer que igrejas pequenas é que são boas e que preferem qualidade a quantidade. Mas desde quanto quantidade precisa ser oposta a quantidade? Muitas pessoas tem se congregado à nossa igreja, hoje com mais de 1000 membros, por causa da qualidade da pregação, dos programas, do louvor, do discipulado. Na verdade, é mais fácil ter qualidade e bons programas quando se tem recursos disponíveis. O louvor é mais entusiasmado, os adolescentes são mais facilmente atraídos, possui mais recursos para investir em seus projetos.
Se uma igreja é ensimesmada porque teme a superficialidade e o consumismo é bom entender que estes mesmos perigosos elementos são encontrados em igrejas abertas ou em igrejas fechadas.

Dois problemas

O ensimesmamento traz dois efeitos nefastos e imediatos.

Um deles é o de não ser uma igreja simpática. Ela não está interessada nos convidados, nem nos que se aproximam da comunidade, não possui programa de integração e acolhimento, nem estratégia de expansão, missão e plantação de novas igrejas. Ela está muito bem, obrigado! Não precisa de ninguém, e não tem os olhos postos para fora de si mesmo.

O segundo problema é que ela perde a essência missionária.
Um dos lemas da missiologia é que “a missão da igreja é fazer missão”.
A igreja de Jerusalém, logo após o Pentecoste, de forma inconsciente perdeu a dimensão missionária. As coisas iam bem, em poucos dias a igreja já estava com mais de 5000 membros, muito poder, muita unção, mas o mandato missionário parecia esquecido. Então vemos o dramático relato do que aconteceu a igreja. “Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judeia e  Samaria” (At 8.1). A perseguição se torna o instrumento de Deus para levar o povo a sair. Para onde Deus havia ordenado que fossem? Judéia e Samaria. Eles entretanto, não foram, e agora Deus levanta o primeiro agente missionário da história: os religiosos de Jerusalém ao perseguir a igreja cooperam para o seu avanço.

A regra é simples:
Igrejas que não plantam igrejas por visão, plantarão por divisão.

Uma igreja ensimesmada gasta toda sua energia na tentativa de resolver os conflitos internos e todos os seus recursos para manutenção. Boa parte das igrejas atuais são igrejas de manutenção, mas este é um traço perigoso. A igreja encontra-se sem vitalidade quando tem dificuldade para olhar além de si mesma.
C. John Miller[1], fala da “visão de túnel”, que limita os sonhos e potenciais de uma comunidade. Em oftalmologia trata-se de uma visão periférica que demonstra que mesmo quando a visão central ainda esteja boa, pessoas com este quadro clínico, tem a sensação de ver através de um tubo estreito, que pode incluir dificuldade de enxergar com pouca luz e diminuição da capacidade de se orientar. Muitas igrejas vivem exatamente assim. Sua visão de mundo, de cidade, da sociedade, é inexistente. A visão fica limitada e perigosa.

Sexto sinal: Crescimento numérico

Parece um contrassenso dizer que crescimento numérico revela uma igreja com vitalidade, depois da abordagem inicial que fizemos, mas, embora a evangelização não possa ser considerada em termos de resultados, e que, crescimento não significa necessariamente saúde, números ainda revelam saúde. Igrejas saudáveis atraem os pecadores a Cristo, e ministra ao mundo perdido.

Entre as igrejas que mais crescem, George Barna identificou entre outros, os seguintes elementos. Grande entusiasmo interior, vitalidade, abertas a visitantes e forte envolvimento dos leigo. Igrejas vivas atraem e o resultado é exponencial. No livro de Atos estamos sempre vendo o avanço da igreja, e o crescimento numérico é constantemente registrado. A igreja primitiva não era numerólatra (não idolatrava números), mas também não era numerófoba (não tinha medo de números). Por esta razão, vemos ali uma igreja em constante avanço missionário e expansão e com alegria registrando a conversão de pessoas registrando inclusive o número delas. Por que sabiam que 3000 pessoas se converteram? Porque alguém havia contado.

Infelizmente muitas denominações e pastores desprezam este fator, e eventualmente o fazem para justificar a falta de crescimento. Grande parte das igrejas possuem crescimento pífio, e isto não desafia nem preocupa, porque apesar disto, a igreja consegue se manter estável, com suas finanças em dia, com boa organização, e por esta razão não haverá questionamento maior.
A verdade, porém, é que líderes precisam se preocupar sim, com o crescimento local da igreja, sem obsessão, mas com intencionalidade. A igreja de Atos registra a alegria com o avanço do evangelho e o número de novas conversões, ela registra o número daqueles que aceitavam a fé, isto mostra que crescimento numérico fazia sentido. Não deveríamos ter o mesmo sentimento?


Conclusão:

O elemento mais importante na plantação de uma igreja não é se ela apenas consegue os recursos necessários para sua sobrevivência, se seu crescimento numérico tem sido regular e efetivo, mas acima de tudo, se possui vitalidade. Os elementos acima descritos, naturalmente, atrairão recursos e pessoas, mas o mais importante é se ela tem a vida que procede do calvário, e se a obra do Espírito de Deus está presente e visível nesta comunidade.

Já faz muito tempo que venho refletindo sobre a dinâmica da plantação de igreja, e pessoalmente tenho estado envolvido em processos de levantar recursos, escolher obreiros, avaliar candidatos. Se hoje recebesse convite para pastorear uma igreja e tivesse interesse em aceitá-lo, a pergunta fundamental para mim não seria seu orçamento nem número de membros, mas se ela possui entusiasmo, se há motivação suficiente para avançar.

Nada pode deter um grupo motivado e coeso, disposto a investir sua vida e tempo num projeto. Feliz é o plantador de igreja que encontra este perfil no grupo base, a partir do qual, pretende firmar o projeto de uma nova comunidade. Se neste grupo houver cinco casais dispostos a assumir este trabalho de forma corajosa e compromissada, certamente preferiria a um grupo de 50 pessoas, desmotivadas, negligentes, cansadas e desconfiadas.

Os sinais que descrevemos acima podem ser subjetivos e até mesmo não mensuráveis, mas certamente são perceptíveis e claros.

Talvez o crescimento não venha da forma como esperávamos, nem o sucesso na plantação será obtido dentro do planejamento originalmente estabelecido, mas se estes sinais estão presentes, podemos discernir o mover de Deus, e encorajados, avançar com fé em relação àquilo que Deus colocou como sonho em nosso coração e crer que seremos surpreendidos por algo renovador e profundo.


[1] Miller, C. John – Outgrowing the ingrowing church – Zondervan Publishing House, Grand Rapids, MI 1999